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Kiev diz que não há acordo para corredor humanitário em Mariupol
Mundo 6 min. 25.04.2022
Guerra na Ucrânia

Kiev diz que não há acordo para corredor humanitário em Mariupol

Soldados ucranianos num tanque perto de Lyman, no leste da Ucrânia.
Guerra na Ucrânia

Kiev diz que não há acordo para corredor humanitário em Mariupol

Soldados ucranianos num tanque perto de Lyman, no leste da Ucrânia.
Foto: AFP
Mundo 6 min. 25.04.2022
Guerra na Ucrânia

Kiev diz que não há acordo para corredor humanitário em Mariupol

Lusa
Lusa
A Ucrânia anunciou que não existe acordo, esta segunda-feira, para criar um corredor humanitário para a retirada de civis do complexo industrial Azovstal, onde está o último bastião de resistência da cidade sitiada há várias semanas, depois de a Rússia ter anunciado um cessar-fogo.

Não se chegou a acordo para criar um corredor humanitário para a retirada de civis escondidos com combatentes ucranianos no complexo industrial Azovstal, em Mariupol, anunciou esta segunda-feira a vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Verechtchuk.

"Declaro oficial e publicamente que infelizmente não existe hoje nenhum acordo sobre um corredor humanitário de Azovstal", escreveu Verechtchuk no Telegram, pouco depois de a Rússia ter anunciado que iria cessar as hostilidades para permitir a evacuação de civis.

As forças russas e os seus representantes ucranianos pró-russos comprometem-se a "cessar unilateralmente as hostilidades às 14h de Moscovo (13h no Luxemburgo), retirar unidades para uma distância segura e assegurar a partida" de civis "na direção da sua escolha", disse o Ministério da Defesa russo num comunicado.

O Ministério especifica que as pessoas autorizadas a sair são mulheres, crianças e pessoal de fábrica.

"Se ainda houver civis na fábrica metalúrgica, então exigimos expressamente que as autoridades de Kiev dêem aos comandantes das formações nacionalistas (ucranianas) a ordem de os libertar", acrescentou o Ministério russo.

Combatentes ucranianos continuam a resistir

O Ministério da Defesa do Reino Unido disse esta segunda-feira que os ucranianos entrincheirados no vasto complexo metalúrgico Azovstal em Mariupol, no sudeste da Ucrânia, continuam a resistir, travando a ofensiva russa no Donbass.

"Muitas unidades russas permanecem fixas na cidade e não podem ser redistribuídas", disse o Ministério, num comunicado publicado na rede social Twitter. "A defesa de Mariupol pela Ucrânia também esgotou muitas unidades russas e reduziu a eficácia de combate", acrescentou.


Nuvens de fumo sobre a fábrica de aço Azovstal e os portões destruídos do Estaleiro Azov, em imagem divulgada na terça-feira.
Kiev propõe à Rússia conversações junto ao complexo metalúrgico Azovstal em Mariupol
"Convidámos os russos a realizar uma sessão especial de conversações mesmo ao lado de Azovstal", informou o conselheiro de Volodymyr Zelensky.

Combatentes e civis ucranianos estão entrincheirados em Azovstal, em Mariupol, uma cidade estratégica largamente controlada pela Rússia, com pouca comida e munições, onde se encontram também "cerca de mil civis, mulheres e crianças" e "centenas de feridos", de acordo com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

O Presidente russo, Vladimir Putin, exigiu a rendição dos últimos combatentes ucranianos em Mariupol, dando instruções ao exército para que sitiasse "a área de tal forma que não passasse uma única mosca".

A Ucrânia propôs à Rússia conversações junto ao complexo Azovstal, disse o conselheiro de Zelensky, Oleksiy Arestovich, numa conferência de imprensa, no domingo, indicando estar "à espera da resposta" da delegação russa.

A Rússia afirmou ter como objetivo o "controlo total" do sul da Ucrânia e da região oriental de Donbass, por forma a dispor de uma ponte terrestre para a Crimeia (no sul), anexada por Moscovo em 2014.


ONU apela a uma trégua imediata em Mariupol para retirar civis
Kiev indicou hoje que as forças russas continuam a bombardear esta cidade no Mar de Azov e, em particular, a siderúrgica Azovstal, a última bolsa de resistência dos combatentes ucranianos naquela zona.

O Ministério da Defesa britânico acrescentou que, até agora, a Rússia fez apenas "pequenos avanços em algumas áreas desde que mudou o foco para ocupar totalmente o Donbass".

“Sem apoios logístico e de combate suficientes, a Rússia ainda não alcançou um triunfo significativo”, disse.

Kiev denuncia conversão de indústrias em campos de detenção

O exército russo está a desmantelar e a deslocar instalações industriais nas áreas ucranianas que ocupa e a convertê-las em campos de concentração e tortura, denunciou esta segunda-feira o chefe da Administração Militar Regional de Kharkiv, Oleh Syniehubov.

A cidade de Kharkiv, a segunda maior do país e capital da região com o mesmo nome no leste da Ucrânia, foi sujeita nos últimos dias a bombardeamentos pesados pelas tropas russas, numa tentativa de ocupar as áreas de Donetsk e Lugansk.

"As tropas de ocupação russas deslocaram uma das fábricas da região de Kharkiv para a Rússia e instalaram um campo de concentração e uma câmara de tortura nas suas instalações", disse Syniehubov numa reportagem transmitida pelos media ucranianos, conforme citado pela agência local Ukrinform.

O chefe da Administração Militar Regional de Kharkiv acrescentou que "nas instalações da fábrica criaram uma prisão, um verdadeiro campo de concentração onde as pessoas são sujeitas a tortura e obrigadas a cooperar para se juntarem às Forças Armadas russas".

Segundo este oficial, o campo de concentração foi instalado numa das fábricas em Vovchansk, uma cidade na região de Kharkiv, a sul da fronteira russa. Syniehubov explicou que as tropas russas recorreram a métodos semelhantes para "mobilizar" os residentes locais na área vizinha de Izyum, que tem sido ocupada pelos russos quase desde o início da invasão.

Anteriormente, o Presidente ucraniano, Volodymir Zelensky, denunciou que as forças russas mantêm cidadãos ucranianos nos chamados campos de filtragem nos territórios que ocupam e controlam, de onde são enviados para a Sibéria e para o Extremo Oriente da Rússia.

"A Rússia continua a apoiar as atividades dos chamados campos de filtração, incluindo perto de Mariupol. Embora o nome próprio seja na realidade diferente, são campos de concentração. Tal como as construídas pelos nazis no seu tempo", disse Zelensky numa mensagem de vídeo relatada pelas agências Ukrinform e Unian.

EUA dizem que ucranianos podem vencer a guerra

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin,, Lloyd Austin, considerou esta segunda-feira que a Ucrânia pode vencer a guerra contra a Rússia se tiver o equipamento e o apoio certos.

"A primeira coisa para ganhar é acreditar que se pode ganhar. E eles [ucranianos] estão convencidos de que podem ganhar", disse o chefe do Pentágono aos jornalistas no regresso de uma viagem a Kiev acompanhado com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken.

"Podem ganhar se tiverem o equipamento certo, o apoio certo", sustentou, após a visita, durante a qual se reuniram com o presidente ucraniano, Volodymir Zelensky.


Kiev abandona negociações se militares em Azovstal forem mortos pela Rússia
O presidente ucraniano reiterou a sua disponibilidade para se reunir com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, “para pôr fim à guerra”.

Os dois altos responsáveis políticos disseram, numa reunião com Volodymyr Zelensky que os EUA aprovaram 713 milhões de dólares (661 milhões de euros) em financiamento militar estrangeiro para a Ucrânia e 15 países aliados e parceiros.

Desse valor, a Ucrânia irá receber 322 milhões de dólares (299 milhões de euros) em financiamento militar estrangeiro e 165 milhões de dólares (153 milhões de euros) em munições. O restante será distribuído pelos países membros da NATO e outras nações que forneceram a Kiev apoio militar desde o início da guerra.

Durante o encontro, Blinken e Austin revelaram ainda que o Presidente dos EUA, Joe Biden, irá nomear Bridget Brink, atual embaixadora na Eslováquia, como nova embaixadora na Ucrânia.

Os diplomatas que partiram antes da invasão da Rússia irão começar a retornar ao país na próxima semana, mas a embaixada norte-americana em Kiev continuará de portas fechadas, por enquanto.

Esta foi a visita norte-americana de mais alto nível à capital da Ucrânia desde o início da invasão, tendo apenas sido confirmada pela Casa Branca após o regresso de Blinken e Austin à Polónia.

Zelensky tinha avisado os dois secretários norte-americanos que não podiam vir "de mãos vazias". "Estamos à espera de coisas específicas e de armas específicas", disse o Presidente ucraniano, no domingo.


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