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Clima. Os trabalhadores belgas à frente da marcha
Mundo 4 min. 20.09.2019

Clima. Os trabalhadores belgas à frente da marcha

Clima. Os trabalhadores belgas à frente da marcha

AFP
Mundo 4 min. 20.09.2019

Clima. Os trabalhadores belgas à frente da marcha

Em Bruxelas, os estudantes querem que os adultos se destaquem na luta contra as alterações climáticas

“Quem está a liderar a manifestação em Bruxelas são os trabalhadores”, explica Yuni Mertens, o rosto atual do movimento de estudantes na Bélgica, Students For Climate. Aparentemente, as reivindicações pela justiça climática estão a subir de faixa etária. E esse foi um dos pedidos de Greta Thunberg para a semana de ação pelo clima que começa amanhã e vai até à próxima sexta-feira 27: que os adultos saíssem à rua.

A marcha sai à tarde

Yuni Mertens o rosto do Students For Climate, na Bélgica
Yuni Mertens o rosto do Students For Climate, na Bélgica

“Há uma grande reunião de movimentos sociais, ONG’s, organizações de estudantes, ativistas”, explica Yuni Mertens, “mas afastámo-nos um pouco e pedimos que a liderança fosse dos sindicatos. São os Workers for Climate que estão mais diretamente envolvidos na organização”.

Se hoje à tarde as grandes avenidas de Bruxelas se vão encher como na passada manifestação de 15 de março (onde se juntaram 30 mil pessoas) é uma incógnita. “É difícil prever, até porque é um dia de trabalho e nem toda a gente tem possibilidade de fazer greve”, avalia Mertens.

A manifestação desta manhã em Berlim
A manifestação desta manhã em Berlim
AFP

Na página do Facebook havia ontem 3 mil a dizer que vão e 15 mil interessados. “Mas isto ultrapassa muito o Facebook”, admite. O jovem estudante de História na Universidade de Gent explica a necessidade de envolver os trabalhadores com o princípio de que “a transição ecológica tem que ser uma transição social, ou não será”. 

O próprio Yuri representa uma subida de escalão etário em relação à anterior cara do movimento, Anuna de Weber - que parece afastada da liderança dos movimentos, após ter sido em agosto ameaçada de morte num festival de música e após divergências com Kyra Gantois, colega e ativista das manifestações do secundário.

"Vamos continuar a gritar"

Hoje, os que às 13h30 vão começar a desfilar a partir da Gare du Nord têm uma reivindicação muito concreta, segundo Yuri: “Que os políticos ponham em ação um plano climático ambicioso em cima da mesa e que sejam as grandes companhias poluentes a pagar o preço da transição ecológica e não os trabalhadores”.

Dias antes da reunião da Cimeira da ONU sobre o Clima, em Nova Iorque, na próxima segunda-feira, 23, não há um grande otimismo sobre os resultados. Yuri Mertens acredita que ainda não chegou a altura de encerrar os protestos porque, diz, “ainda vivemos num sistema em que os políticos ouvem a voz de quem tem dinheiro e não a voz das pessoas”. “Vamos ter que continuar a gritar”, promete.

XR prometem ações de grande impacto

Os Extinction Rebellion (XR) também não vão dar tão cedo a luta por terminada. Hoje vão participar mas, diz Gert-Jan Vanaken, membro do grupo, “isto não é um momento tipicamente Extinction Rebellion, vamos fazer parte mas não é um evento chave para nós”.

Os Extinction Rebellion (XR)
Os Extinction Rebellion (XR)

Durante a marcha vão convidar as pessoas a sentar-se e “passar pela experiência de fazer um bloqueio”.  Para os XR-Belgium, como para os grupos do movimento em todo o mundo, a verdadeira escalada começa a 7 de novembro, data a partir da qual estão prometidas ações em massa de desobediência civil de grande impacto, um pouco por todas as cidades.

Dia 12, no Parque Real, junto ao Parlamento belga e à frente do Palácio Real, os XR prometem “uma ação grande de desobediência civil. Vamos ocupar o parque durante 24horas”, diz Gert-Jan Vanaken. “Estamos neste momento a concentrar-nos nisso”, acrescenta. 

Roger Hallan, o co-fundador do movimento que nasceu em Inglaterra, esteve em Bruxelas na emblemática Biblioteca Solvay, a dar uma conferência sobre ação civil não violenta no final de agosto e foi esse um momento simbólico.

Nesta biblioteca, onde decorreu em 1927 a mítica conferência sobre mecânica quântica, que reuniu 19 prémios Nobel entre os quais Einstein, começou périplo de preparação dos vários grupos europeus para uma escalada das ações.

Bruxelas: o berço do movimento

Em Bruxelas, o movimento estudantil começou cedo e em força. Em outubro de 2018, ainda não era uma figura mundial, Greta Thunberg deu uma conferência na praça em frente ao Parlamento Europeu. 

Greta Thunberg
Greta Thunberg
AFP

Motivados por ela, a 20 de novembro, um grupo de alunos da escola europeia organizou a primeira manifestação em frente ao Berlaymont, o edifício da Comissão. 

“Não posso garantir com toda a certeza, mas tudo indica que esse foi o começo do movimento estudantil em Bruxelas”, diz Mathew Pye, um inglês, professor de Filosofia na escola europeia e que há sete anos junta equipas de miúdos de várias nações, em projetos ligados ao ambiente. 

Os alunos que organizaram a primeira manifestação faziam parte deste grupo, agora integrado no Child Press Center.

O professor de filosofia Mathew Pye (ao centro) e defensor das causas ambientais com Birgit van Munster., do IPCC e Michael Wadleigh, realizador do documentário Woodstock
O professor de filosofia Mathew Pye (ao centro) e defensor das causas ambientais com Birgit van Munster., do IPCC e Michael Wadleigh, realizador do documentário Woodstock

“Depois dessa primeira manifestação, que passou muito nas televisões, umas raparigas de uma escola flamenga começaram a fazer manifestações no centro da cidade”. Desde princípio de dezembro até 24 de maio, os alunos de Bruxelas e de cidades vizinhas fizeram manifestações consecutivas todas as quintas-feiras, (e não às sextas como aconteceu nas outras cidades) muitas vezes paralisando o centro da cidade durante horas.

Telma Miguel

 

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