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Clima. Cimeira termina com resultados modestos e promessas
Mundo 3 min. 24.09.2019 Do nosso arquivo online

Clima. Cimeira termina com resultados modestos e promessas

O discurso de Greta Thunberg na cimeira

Clima. Cimeira termina com resultados modestos e promessas

O discurso de Greta Thunberg na cimeira
AFP
Mundo 3 min. 24.09.2019 Do nosso arquivo online

Clima. Cimeira termina com resultados modestos e promessas

O discurso da jovem Greta Thunberg foi o momento alto desta reunião onde a Europa se compromete com mais planos de redução de emissões.

Quando 193 estadistas se reúnem numa cimeira mundial na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, e o destaque vai para uma adolescente isso diz muito sobre os políticos  que governam o mundo e sobre a sua visão para o futuro do planeta.

Quase 70 países prometeram na Cimeira das Nações Unidas para a Acção Climática planos mais objectivos para a redução de emissões para atmosfera. A Europa surgiu a liderar essas promessas de esforço a que não se juntam os EUA, Índia e China.

O apelo do Secretário-Geral da ONU para que fossem apresentados pelos países participantes planos concretos para cumprir os objectivos estabelecidos no Acordo de Paris não obteve grandes resultados.

"Saldo positivo" para Guterres

AFP

Na verdade, nem o Secretário-Geral das Nações Unidas, nem nenhum grande país presente, esperava que da cimeira saísse um acordo global.  Apesar de tudo, Guterres considerou que “o resultado positivo”.

A iniciativa da Acção Climática de António Guterres teve bastante visibilidade a nível internacional e as Nações Unidas ganharam novo ímpeto, impulsionadas principalmente pelos jovens, cidades e empresas inovadores que se espera pressionem os respetivos governos na senda da neutralidade em carbono até 2050.

Nenhum líder mundial se destacou nesta cimeira e a cara mais visível foi a da activista sueca Greta Thunberg que pronunciou um inflamado discurso no qual afirmou que os políticos estavam “a falhar” aos jovens. “Não deveria estar aqui. Deveria estar no colégio do outro lado do Oceano” e visando os Chefes de Estado presentes disse-lhes: “Roubaram-me a infância com as vossas palavras vazias”.

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Portugal, o primeiro a comprometer-se

Do lado português, o Presidente da República afirmou, na sessão de abertura, em Nova Iorque, que Portugal foi o primeiro país a comprometer-se a ser neutro em carbono até 2050 e pediu urgência no combate global às alterações climáticas.

"Já se perdeu demasiado tempo. A complacência e a indiferença já não são toleráveis", considerou.

"Nós fomos os primeiros a comprometer-nos a ser neutros em carbono até 2050, adoptando e implementando o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, como estratégia de longo prazo para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, que apresentámos com um ano de avanço", afirmou, perante dezenas de líderes mundiais.

"E por uma simples razão: porque não há Portugal B, e não há planeta B", acrescentou.

O Chefe Estado referiu que a neutralidade carbónica até 2050 será alcançada "através da total descarbonização do sistema eletroprodutor e da mobilidade urbana e através do reforço da capacidade de sequestro de carbono pelas florestas e por outros usos do solo".

Reduzir 50% das emissões de gases

"A próxima década é crítica. Por isso, reforçámos a nossa ambição para 2030 com o objectivo de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 50% em comparação com 2005, atingir uma meta de eficiência energética de 35%, e ter 80% da electricidade gerada por fontes de energia renovável, incluindo uma total eliminação do carvão", salientou.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que Portugal já alcançou 54% de energias renováveis na produção eléctrica, impôs uma taxa de carbono, começou a eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis, e está a reparar a degradação dos ecossistemas marinhos.

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"O nosso objectivo é a neutralidade carbónica até 2050, envolvendo a sociedade civil, o sector privado, preservando os habitats naturais e a biodiversidade e criando emprego", resumiu, acrescentando: "Cabe-nos a nós, líderes políticos, dar o exemplo".

O discurso de Marcelo Rebelo de Sousa foi feito em inglês com destaque final para a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas que se vai realizar em Lisboa em junho de 2020. 

S.R.S


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"A comunidade internacional perdeu uma oportunidade importante para mostrar uma maior ambição na mitigação e adaptação para enfrentar a crise climática", sublinhou o secretário-geral das Nações Unidas.