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Clima: 195 países assinaram em Paris acordo universal contra aquecimento global
Foto do momento final do acordo, com o ministro dos Negócios Estrangeiros da França, Laurent Fabius (que presidiu a reunião), em destaque

Clima: 195 países assinaram em Paris acordo universal contra aquecimento global

Foto: AFP
Foto do momento final do acordo, com o ministro dos Negócios Estrangeiros da França, Laurent Fabius (que presidiu a reunião), em destaque
Mundo 4 min. 13.12.2015

Clima: 195 países assinaram em Paris acordo universal contra aquecimento global

Os 195 países reunidos em Paris na conferência das Nações Unidas sobre o clima (COP21) assinaram este sábado à noite o primeiro acordo universal de luta contra as alterações climáticas e o aquecimento global. Veja aqui as diferentes reacções.

Os 195 países reunidos em Paris na conferência das Nações Unidas sobre o clima (COP21) assinaram este sábado à noite o primeiro acordo universal de luta contra as alterações climáticas e o aquecimento global. 

Países desenvolvidos e em desenvolvimento comprometeram-se a caminhar para modelos económicos que reduzam as emissões de dióxido de carbono e gases de efeito estufa. 

No acordo legal universal contra as alterações climáticas listam-se várias medidas vinculativas a longo prazo para conseguir limitar a subida da temperatura a dois graus no final do século. 

Obama saúda "acordo forte" que pode representar viragem

 O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saudou a adopção de um "acordo forte" sobre o clima em Paris, capaz de representar "uma viragem" na luta contra as alterações climáticas.

"O problema não está resolvido graças ao acordo de Paris, mas este define um quadro duradouro de que o mundo precisa para resolver a crise climática", declarou Obama, a partir da Casa Branca. 

Este acordo "cria o mecanismo, a arquitectura, para que possamos lidar sempre com este problema de forma eficaz", sublinhou. 

Obama afirmou que o acordo de Paris, "ambicioso e imperfeito", mostrou "o que é possível", quando o mundo "se une". 

"Hoje podemos estar mais seguros de que o planeta vai estar em melhor forma para a nova geração". 

O Presidente norte-americano fez da luta contra as alterações climáticas uma prioridade do segundo mandato, apesar da oposição da maioria dos republicanos nas duas câmaras do Congresso (Senado e Câmara dos Representantes). 

"Este acordo representa a melhor oportunidade que tivemos para salvar o único planeta que temos", frisou Barack Obama.

China considera acordo de Paris "justo, ambicioso e equitativo"

O enviado especial para as Alterações Climáticas da China, Xie Zhenhua, afirmou que o acordo de luta contra o aquecimento global, aprovado é "justo, ambicioso e equitativo". 

"A China felicita todos os países por este acordo, que não é perfeito, tem partes em que pode ser melhorado, mas permite-nos avançar para responder ao desafio das alterações climáticas", disse Xie, numa intervenção no plenário da COP21. 

"Acabámos de escolher o caminho certo para o bem das gerações futuras", concluiu o representante da China, que é actualmente o maior emissor de gases com efeito de estufa. 

Nicarágua demarca-se de acordo e denuncia procedimento antidemocrático

A Nicarágua demarcou-se do acordo alcançado e denunciou "o procedimento antidemocrático" usado na votação pela presidência francesa, considerando que enfraquece o resultado final. 

No plenário, o ministro das Políticas Nacionais nicaraguense, Paul Oquist, criticou "o procedimento antidemocrático" usado pelo presidente da reunião, o chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, que "enfraquece o multilateralismo, esta COP e o seu acordo". 

Oquist garantiu não querer bloquear o compromisso, mas trabalhar para o aperfeiçoar com sugestões "para o bem da mãe terra e da humanidade". O ministro referiu, sem citar quais, que outras nações apoiavam a posição da Nicarágua. 

Sobre as razões "mediante as quais não é possível acompanhar este consenso, Oquist sublinhou que embora tenha sido fixado o objectivo de limitar o aquecimento a 1,5 graus centígrados até final do século, medida "absolutamente crítica" para países tropicais como a Nicarágua, existem problemas no estabelecimento do nível necessário de redução de emissões de gases com efeito de estufa. "Falta trabalho" do painel internacional de peritos sobre o clima (GIEC), disse.

Oquist advertiu que não será possível corrigir esta questão em dez ou 15 anos, quando foram revistos os objectivos. Por outro lado, se "25% dos compromissos dos países em desenvolvimento estão condicionados a terem financiamento (...), não se vê nada sobre financiamento no documento", afirmou. 

O ministro da Nicarágua pediu que seja calculado um orçamento de emissões de carbono globais, que tenha em conta as "responsabilidades históricas". 

Acordo é ambicioso, mas faltam meios - climatólogo 

O climatólogo francês Jean Jouzel, prémio Nobel da Paz em 2007 com o grupo de peritos do clima (GIEC), considerou hoje o acordo concluído hoje em Paris ambicioso, mas lamentou a falta de meios para actuar até 2020. 

"É essencial actuar também antes de 2020 [data de entrada em vigor deste acordo] e aqui não há uma real ambição", afirmou, lembrando que o acordo não impõe uma revisão dos compromissos actuais dos países e que colocam o mundo na trajectória de aumento de 3 graus centígrados (3ºC) antes de 2025. 

"Será demasiado tarde para os 1,5ºC e muito difícil para os 2ºC", sublinhou. Jouzel considerou o objectivo de 1,5ºC "um sonho e talvez demasiado ambicioso, mas legítimo sobretudo para os países mais vulneráveis", sujeitos à subida da água do mar, fenómenos extremos, ou à destruição dos recifes de coral. 

"1,5ºC em vez de 2ºC é importante para esses países, mas parece irrealista. Isso quer dizer que teríamos o direito a cinco ou dez anos de emissões [de gases com efeito de estufa] ao ritmo actual", afirmou. 

Jean Jouzel afirmou que o êxito deste acordo se deveu ao desenvolvimento de soluções energéticas sustentáveis, o que não se antevia em 2009, em Copenhaga, onde a comunidade internacional não conseguiu alcançar um entendimento para combater as alterações climáticas. 


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