Cimeira europeia continua hoje depois de troca de acusações e distanciamento real
Cimeira europeia continua hoje depois de troca de acusações e distanciamento real
Após uma intensa ronda de conversas na esplanada, Charles Michel, o presidente do Conselho Europeu, não conseguiu convencer os líderes europeus a moverem o suficiente as suas posições para chegar a um acordo sobre a proposta de recuperação económica da União Europeia no valor de 1bilião e 74 mil milhões de euros para os próximos sete anos.
A proposta apresentada ontem para satisfazer algumas das exigências dos quatro frugais, forneceu uma boa base de discussão - depois da frustração com que terminou ontem a primeira jornada da cimeira europeia em Bruxelas - mas foi insuficiente para baixar a guarda.
Michel aceitou mudar a proporção de subvenções e empréstimos, de acordo com os desejos dos frugais do norte, e propôs um aumento dos “rebates” ou descontos aos Estados-membros contribuintes líquidos aumentando um total de 100 mil milhões de euros, tendo a Alemanha dito que abdicaria da parte que lhe cabia.
O chanceler Sebastian Kurz admitiu que esta nova versão, “está a ir no caminho certo”, para obter a aprovação dos austríacos.
Mas durante a tarde a acrimónia contra os frugais subiu de tom. O primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, escreveu: “Há um grupo de países, que nós chamamos grupo de avarentos, embora eles se considerem frugais, que desejam uma contribuição pequena para o orçamento, que para nós é o orçamento para reconstruir a Europa”.
A meio da tarde, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, emitiu um vídeo na sua página de Facebook onde explicou aos italianos que as negociações estavam a ser demasiado difíceis. “Estamos empatados, está a ser mais complicado do que o previsto, há muitas divergências sobre o que está em discussão e que somos incapazes de resolver”. Conte referiu que há alguns países que querem ver reduzido o montante do fundo de recuperação, cujo valor proposto é de 750 mil milhões de euros.
Além da questão financeira em discussão, há ainda o impasse político. A proposta do Conselho - que segue a proposta da Comissão de maio - é a de que para ter acesso aos fundos europeus os Estados-membros tenham que cumprir as regras democráticas.
Mark Rutte, o primeiro-ministro holandês, e líder dos quatro frugais, acusou Morawiecki e o húngaro Viktor Orbán de não respeitarem os valores europeus, ou seja, liberdade de expressão e direitos civis.
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, já avisou que não vai assinar um documento em que esteja inscrito esse princípio. De momento corre um processo de impedimento contra a Hungria ao abrigo do Artº 7º por violação sistemática do Estado de Direito. Uma decisão final sobre esta matéria levaria a Hungria a ser impedida de votar no Conselho Europeu.
O porta-voz do governo húngaro escreveu no Twitter “à medida que as negociações sobre as condições do fundo de recuperação europeia estão agora mais perto de um compromisso, o primeiro-ministro Orbán mantém a posição de que só os húngaros devem decidir como gastar o dinheiro que pertence aos húngaros. Nenhuns pré-requisitos políticos podem ser aceites”.
Segundo o jornal Politico, o jantar com todos os 27 à mesa, depois de uma tarde de encontros bilaterais ou em pequenos grupos, teve como principal tema as objeções de grande parte dos países entregarem dinheiro europeu a países que estão a tornar-se oligarquias populistas, como a Hungria e a Polónia.
Charles Michel deverá desenhar uma nova proposta que apresentará amanhã ao meio dia quendo for retomada a sessão plenária.
A unanimidade que é necessária para a aprovação do pacote orçamento e fundo de recuperação parece estar longe de ser alcançada. Mas o facto de ser aberto mais um dia de negociações (a cimeira estava prevista para sexta e sábado, dias 17 e 18), segundo o que tem sido dito por vários líderes, pode querer dizer que amanhã ainda é possível haver um consenso.
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