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Cimeira do G7 mostra divisão
Mundo 3 min. 28.08.2019 Do nosso arquivo online

Cimeira do G7 mostra divisão

Cimeira do G7 mostra divisão

Foto: AFP
Mundo 3 min. 28.08.2019 Do nosso arquivo online

Cimeira do G7 mostra divisão

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
A cimeira que reuniu as sete maiores potências do mundo acabou ontem em Biarritz, no País Basco francês, com muitos sorrisos de circunstância que não conseguiram disfarçar importantes divisões em temas centrais da atualidade.

O Presidente francês Emmanuel Macron recebeu na estância balnear basca os dirigentes dos Estados Unidos, Donald Trump, Reino Unido, Boris Johnson, Alemanha, Angela Merkel, Itália, Giuseppe Conte, Canadá, Justin Trudeau, e Japão, Shinzo Abe. De acordo com uma fonte que pediu anonimato ao El País, as diferenças entre os diferentes governos vieram à tona logo no jantar inaugural, no sábado à noite, e foram ficando cada vez mais evidentes ao longo dos dias seguintes. Da Rússia ao Irão, do comércio internacional à funcionalidade do G7 e até o conceito de democracia liberal foram pontos pouco consensuais na reunião. Não se sabe se é a instabilidade internacional que gera líderes como Donald Trump ou se são líderes como Donald Trump que geram a instabilidade internacional mas o facto é que o presidente norte-americano representa um pólo difícil de promover a distensão. A Rússia foi o tema quente do primeiro jantar e “não foi um debate fácil”, segundo a mesma fonte. Trump quer que a Rússia esteja presente no G7, do qual foi expulsa em 2014 depois da integração da Crimeia no seu território. O presidente norte-americano considera que para discutir assuntos delicados como o Irão ou a Síria é preciso ter Vladimir Putin na mesma mesa. Em resposta, os líderes da União Europeia argumentaram que o G7 é um grupo de democracias liberais e que a Rússia só devia regressar depois de resolver o motivo pelo qual foi expulsa.

No domingo, o discurso protecionista de Trump, que valorizou os avanços da economia norte-americana e a descida do desemprego, chocou com a posição dos restantes países, a braços com a estagnação europeia e a falta de emprego. Se os dirigentes europeus achavam possível convencer o presidente norte-americano a parar a guerra comercial com a China agitando o fantasma de uma recessão global, o resultado não foi animador. De facto, Trump anunciou na manhã de domingo que tinha dúvidas sobre a subida das tarifas impostas aos produtos chineses. Pouco depois, um porta-voz da Casa Branca explicou que o presidente norte-americano queria dizer que tinha dúvidas se não as devia aumentar ainda mais. Ainda assim, a China anunciou querer regressar à mesa das negociações. Já os elogios a Boris Johnson e as promessas de um acordo comercial com o Reino Unido que alivie o embate do ‘brexit’ não diminuíram o isolamento dos EUA na cimeira

Nem a surpreendente chegada do ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros a Biarritz, a convite de Macron, permitiu aproximações sobre o tema das sanções a Teerão que separa a Casa Branca da UE. Javad Sarif reuniu-se durante três com Macron que avaliou como positivo o encontro bilateral.

A Amazónia foi um dos poucos temas que conseguiu unir os diferentes líderes. De acordo com a Lusa, os países do G7 decidiram desbloquear uma ajuda de emergência de 20 milhões de dólares (cerca de 22 milhões de euros) para o envio de aviões Canadair para combater os incêndios na Amazónia, disse na segunda-feira a presidência francesa. Além do envio da frota de aviões, o grupo dos sete países concordou em disponibilizar um fundo de longo prazo para o reflorestamento da Amazónia, cujo projeto será apresentado à Assembleia Geral da ONU no final de setembro.

Protestos marcam cimeira

Cerca de uma centena de pessoas foram detidas no âmbito das manifestações que se realizaram contra cimeira do G7 nos últimos dias. Independentistas bascos, ambientalistas e coletes amarelos deram cor às diferentes mobilizações que enfrentaram um aparato policial sem precedentes no País Basco francês. Aos mais de 13 mil gendarmes, juntaram-se 4 mil agentes da polícia autonómica basca e ainda polícias navarros e espanhóis numa operação que deixou em estado de sítio uma das fronteiras por onde passam muitos emigrantes portugueses nesta época.

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