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Cimeira covid-19. Alta-segurança sanitária e nervos
Mundo 4 min. 17.07.2020

Cimeira covid-19. Alta-segurança sanitária e nervos

Cimeira covid-19. Alta-segurança sanitária e nervos

Foto: AFP
Mundo 4 min. 17.07.2020

Cimeira covid-19. Alta-segurança sanitária e nervos

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Começou a reunião de líderes europeus para negociar o orçamento da recuperação europeia para os próximos 7 anos. Líderes de máscaras, com muitas dúvidas e sem hora marcada para acabar.

Apertos de mão estão proibidos, os jornalistas estão ausentes do edifício do Conselho Europeu e os 27 líderes irão reunir-se numa sala plenária preparada para 300 lugares. É uma cimeira de nervos em franja, com espaço suficiente para bastante distanciamento social e onde se espera até ao final de amanhã, sábado, dia 18, assinar um acordo com um valor total de 1bilião e 824 mil milhões de euros.

Os nervos estão em ebulição e ainda ontem, na véspera da reunião onde se vai discutir o orçamento europeu para os próximos sete anos e o pacote de recuperação da crise Próxima Geração EU, um alto responsável do Conselho Europeu desabafava que embora não estivesse deprimido era realista quanto à dificuldade de se chegar a um acordo nesta volta. Muitos telefonemas e videoconferências ainda estavam a decorrer.

Ontem, até antes da hora do lanche, Charles Michel, o presidente do Conselho Europeu, participou nas cerimónias de Estado em Madrid de homenagem aos mortos por covid-19 (mais de 28 mil), teve uma longa vídeoconferência com o presidente Macron e a chanceler Angela Merkel e também com o primeiro-ministro holandês, porta-estandarte dos países frugais, Mark Rutte, uma das peças chave que é ainda preciso conquistar para que o pacote a negociar chegue a bom termo.

 Nova logística, velha coreografia

Do ponto de vista da logística, a operação da primeira cimeira europeia cara a cara em tempos de covid-19 foi montada com pinças. Durante esta sexta e sábado os dois edifícios que compõem a sede do Conselho Europeu estão completamente dedicados à reunião dos líderes europeus. Não haverá dentro dos edifícios nenhum funcionário que não seja absolutamente necessário para o funcionamento das operações, disse um dos responsáveis pela segurança.

A reunião plenária, que abre o dia, às 10h, é feita numa sala onde normalmente acontecem as reuniões com delegações internacionais, no quinto piso, e não na sala mais acolhedora à volta de uma grande mesa no 11º. “Haverá espaço para mais do que suficiente distanciamento social”, salientou o responsável do Conselho.


UE/Cimeira. Líderes reunidos em Bruxelas em busca de acordo urgente
A fasquia é alta, aprovar o Quadro Financeiro Plurianual (QFP), o orçamento da UE para 2021-2027, de 1,07 biliões de euros, e o Fundo de Recuperação pós-pandemia que lhe está associado, de 750 mil milhões de euros.

Haverá uma “pool” de repórteres de imagem, mas as muitas centenas de redatores que normalmente ocupam uma ala central no Justus Lipsius irão seguir online o decorrer das negociações.

Às 9h os 27 chefes de Estado e de governo dos 27 países da União Europeia começam a chegar à entrada VIP, com a máscara colocada, para serem recebidos por Charles Michel. Segundo as novas regras, às 10h deverão estar instalados na vasta sala de reuniões, a mais de dois metros de distância, onde também vão estar, numa primeira fase, o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli - que se lhes dirigirá num discurso de menos de 30 minutos e onde deverá reiterar que os eurodeputados só irão concordar com um orçamento avultado – e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

 Delegações reduzidas a seis pessoas

Para segurança de toda a gente, as delegações que no passado podiam ter até 19 elementos, desta vez podem ter um máximo de 6. Os 27 não são obrigados a usar máscaras no decurso das negociações, mas todo o restante pessoal técnico que dá apoio à realização da cimeira terá que usá-las o tempo todo.

O primeiro-ministro português destacou-se nos últimos dias na imprensa internacional por ter tentado aliciar Orbán, o primeiro-ministro húngaro, com a ideia de que a regra de que os países têm que ser democráticos para terem acesso aos fundos poderia ser dispensada. Hoje, leva “merchandising”: uma mala cheia de máscaras personalizadas com a bandeira portuguesa e o galo de Barcelos.

No caso de algum dos líderes dar mostras de ter sintomas de covid-19, segundo as regras comuns das cimeiras, deverá abandonar os trabalhos e ceder a sua posição a outro líder, com posições semelhantes à que defende, e avisa o presidente do Conselho sobre esta passagem de testemunho. Não há substitutos na bancada.

Se a logística da cimeira é desta vez muito diferente, já a coreografia será semelhante. Depois da sessão plenária da manhã, poderá haver reuniões bilaterais, ou trilaterais ou em “petit comité” mas em salas desinfetadas onde serão possíveis distanciamentos de mais de 1,5 m entre os participantes.

Quanto ao momento em que a cimeira chega ao fim, tudo depende da evolução das negociações, mas os líderes europeus levam pelo menos uma muda de roupa na bagagem. Sexta ao final do dia já deverá saber-se se a discussão sobre esta proposta ainda vale a pena continuar ou se será melhor marcar uma próxima sessão, com uma proposta negocial mais afinada.

Ontem, segundo uma fonte oficial, ainda havia pontos vitais a obterem acordo, como a questão do Estado de Direito que está inscrito nas condições para se ter acesso aos fundos e que a Hungria ameaça bloquear.

Por outro lado, até o valor do pacote de recuperação Próxima Geração EU, de 750 mil milhões de euros estava a ser posto em causa. “É verdade que foi avançado o valor de 400 mil milhões de euros”, disse a fonte do Conselho.

 

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