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Cientistas descobrem dois tratamentos eficazes contra o Ébola
Mundo 2 min. 10.07.2019

Cientistas descobrem dois tratamentos eficazes contra o Ébola

Cientistas descobrem dois tratamentos eficazes contra o Ébola

AFP
Mundo 2 min. 10.07.2019

Cientistas descobrem dois tratamentos eficazes contra o Ébola

"Estes tratamentos são promissores, ao nível da recuperação dos pacientes desta doença mortal", e o atual surto do vírus no Congo, dizem os autores do estudo.

A agência Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos da América (EUA) descobriu em testes laboratoriais que dois tratamentos são eficazes para combater o atual surto do vírus do Ébola, na República Democrática do Congo (RDCongo) que já matou 1.641 pessoas.

Os resultados dos testes feitos em laboratório sugerem que "estes tratamentos são promissores ao nível da recuperação dos pacientes desta doença mortal", segundo avançou na terça-feira, em comunicado, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC).

A investigação realizada pelos cientistas da CDC, cujos resultados foram divulgados, também terça-feira, na publicação especializada ´Lancet Infections Diseases`, mostra que os tratamentos experimentais com base de ´Remdesivir´ (antiviral) e ´ZMapp´ (anticorpos) "bloquearam o crescimento de microrganismos do vírus que causa o Ébola nas células humanas em laboratório".

No mesmo comunicado, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA referem que as investigações permitiram verificar que os testes laboratoriais desenvolvidos durante o surto do Ébola na África Ocidental, no período de 2014-2016, e que foram usados em pessoas para identificar o vírus do Ébola na RDCongo e nos países vizinhos, estão corretos.

Os cientistas denominaram os testes laboratoriais realizados de "Estirpe Ituri" e foram desenvolvidos para identificar uma estirpe diferente do vírus do Ébola.

O vírus do Ébola tem na sua constituição o Ácido Ribonucleico (RNA) como único material genético e "está sempre em mutação", referiu Laura McMullan, microbiologista da CDC e principal autora do estudo.

“É de vital importância garantir que haja tratamentos contra o vírus [Ébola] que está a deixar as pessoas doentes agora", acrescentou.

Para levar a cabo a sua investigação, e tendo em conta a falta de amostras de pacientes infetados, os cientistas da CDC reconstruíram o vírus em laboratório usando a "genética inversa" e o nível 4 de segurança, o maior em termos de biossegurança.

Ao ter acesso à estirpe do vírus, os investigadores puderam perceber melhor a “Estirpe Ituri” e como esta se encaixa na família do vírus do Ébola, o que pode fornecer pistas para encontrar "tratamentos promissores adicionais".

"Este trabalho tem benefícios além do estudo atual, ter acesso a este vírus irá permitir-nos explorar se outros compostos ou terapias potenciais afetam o vírus no laboratório", disse Inger Damon, diretor de estratégia para o Ébola na RDCongo.

"Esperamos que o conhecimento adquirido a partir deste trabalho possa ser traduzido em tratamentos seguros e eficazes para ajudar a curar pacientes [com] Ébola”, refere, no mesmo comunicado.

O último balanço do surto do Ébola na RDCongo, divulgado na terça-feira, datado do dia 08 de julho, indica que desde o início da epidemia foram registados 2.428 casos, dos quais 2.334 confirmados em laboratório e 94 prováveis. No total, registaram-se 1.641 mortes.

A RDCongo já foi atingida nove vezes pelo Ébola, depois da primeira manifestação do vírus no país africano, em 1976.


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