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Chumbo. Chile suspende uso de ar comprimido na sequência do relatório que mostra que as balas não são de borracha
Mundo 20.11.2019

Chumbo. Chile suspende uso de ar comprimido na sequência do relatório que mostra que as balas não são de borracha

Chumbo. Chile suspende uso de ar comprimido na sequência do relatório que mostra que as balas não são de borracha

Adrien Vautier/Le Pictorium Agen
Mundo 20.11.2019

Chumbo. Chile suspende uso de ar comprimido na sequência do relatório que mostra que as balas não são de borracha

Universidade do Chile mostra que os projéteis usados pela polícia são compostos por 20% de borracha e 80% de chumbo.

A polícia do Chile anunciou a suspensão do uso armas de ar comprimido, que já provocou lesões oculares a mais de 200 manifestantes, na maioria jovens, dias depois de um relatório ter revelado que as balas são compostas maioritariamente por chumbo.

"Como medida de precaução, foi decidida a suspensão do uso desta munição não letal como ferramenta antimotim", afirmou o comissário da polícia chilena, Mario Rosas, em conferência de imprensa.

No fim de semana, o departamento de Engenharia Mecânica da Universidade do Chile denunciou, num relatório, que os projéteis usados pela polícia chilena são compostos por 20% de borracha e 80% de chumbo, silício e sulfato de bário.

Após uma investigação interna, que revelou "discrepâncias" face às informações fornecidas pela empresa que vende as munições, as mesmas só poderão ser usadas pelos agentes como "medida extrema" e "exclusivamente em autodefesa" quando "há um risco iminente de morte", disse o chefe da polícia.

O levantamento popular sem precedentes que abala o Chile há um mês resultou em pelo menos 22 mortos e mais de 2.000 feridos, segundo o Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH).

O ONU já veio criticar o "excessivo" uso da força contra os manifestantes que recusam abandonar as ruas e exigem a renuncia do chefe de Estado. 

O Presidente do Chile, Sebastián Piñera, condenou, no domingo, os abusos cometidos pelas autoridades nas manifestações e garantiu que "não haverá impunidade". Já o tinha feito numa entrevista à BBC , há duas semanas, quando recusou abandonar o poder. 

"Infelizmente, e apesar de todas as precauções que tomámos para proteger os direitos humanos de todos, em alguns casos os protocolos não foram respeitados. Houve uso excessivo da força, cometeram-se abusos e os direitos de todos não foram respeitados", reconheceu mais recentemente. 

As manifestações no Chile surgiram inicialmente em protesto contra um aumento do preço dos bilhetes de metro em Santiago, decisão que seria suspensa e posteriormente anulada pelo Governo liderado pelo Presidente chileno.

Mas, apesar do recuo, as manifestações e os confrontos prosseguiram devido à degradação das condições sociais e às desigualdades no país onde até a àgua é privada. 


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