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China revê e atualiza total de mortos na cidade de Wuhan
Mundo 4 min. 17.04.2020 Do nosso arquivo online

China revê e atualiza total de mortos na cidade de Wuhan

China revê e atualiza total de mortos na cidade de Wuhan

Foto: AFP
Mundo 4 min. 17.04.2020 Do nosso arquivo online

China revê e atualiza total de mortos na cidade de Wuhan

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Autoridades divulgaram mais 1.290 casos de pessoas que morreram em casa e que não tinham sido incluídas nas estatísticas oficiais. Mas a China não é caso único na sub-contabilização do número de óbitos por covid-19.

As autoridades de cidade onde começou o surto do novo coronavírus, em dezembro passado, anunciaram hoje que mais 1.290 pessoas morreram em Wuhan, o que eleva o número total de óbitos locais para 3.869.

Com esta atualização, o número de vítimas mortais na China subiu para 4.632.

Como noticia a agência Lusa, estes casos não tinham sido ainda contabilizados nas estatísticas oficiais porque, afirmam as autoridades chinesas, no auge da epidemia na cidade, alguns pacientes morreram em casa, sem terem sido atendidos nos hospitais, então sobrelotados.

Os números oficiais só incluíam, até aqui, mortos nos hospitais, segundo indicaram, na nota difundida nas redes sociais.

Com 11 milhões de habitantes, Wuhan, capital da província de Hubei (centro), esteve mais de dois meses sob quarentena, com entradas e saídas bloqueadas.

Em quase todos os países europeus e nos Estados Unidos, a taxa de letalidade é superior a 10%, quase o dobro do registado pela China, mesmo com esta atualização em Wuhan.


Covid-19. China nega que vírus tenha tido origem em laboratório situado em Wuhan
O Governo chinês refutou hoje as alegações de que a pandemia do novo coronavírus teve origem num laboratório perto da cidade de Wuhan, onde amostras de doenças contagiosas estão armazenadas.

Vários líderes mundiais questionaram já a gestão da crise pelas autoridades chinesas e, já no final de março, media locais como o site Caixin questionavam o real número de vítimas mortais de covid-19, com base na quantidade de urnas funerárias, com as cinzas dos doentes falecidos, entregues às famílias, que superavam o total avançado pelo governo nas estatísticas. 

Por ouro lado, além das acusações recorrentes de Donald Trump, esta quinta-feira, 16 de abril, o presidente de França, Emmanuel Macron, admitiu, em entrevista ao jornal Financial Times, que "claramente, aconteceram coisas que não sabemos", na gestão da pandemia, por parte da China.

Países contam mortos de maneira diferente

Mas não é só em relação à China que existem dúvidas sobre a forma e a fiabilidade na contagem dos mortos por covid-19.

Nenhum país está a contar o número de óbitos da mesma maneira, como mostrou um artigo do 'El País', publicado no final de março. Desde logo, porque, segundo o jornal, o número escasso de testes impede que os números divulgados sejam os exatos.

Nessa altura, assinalou a publicação espanhola, a França e a Espanha contabilizavam oficialmente as mortes ocorridas em meio hospitalar, ficando os lares de parte. Situação que mudou entretanto.

A Itália, o país europeu mais afetado pela pandemia e com maior número de óbitos, incluía no registo de vítimas mortais todos os pacientes que apresentavam resultado positivo ao vírus, independentemente de outros aspetos do seu historial médico. Um método seguido por Portugal, onde todas as pessoas testadas positivamente com covid-19 e que tinham nesta infeção a última doença à data da sua morte, entram para as estatísticas das vítimas do novo coronavírus, independentemente de terem outras patologias de base igualmente graves ou mortais.

Ainda assim, é possível que, nesses e noutros países, outros óbitos não tenham sido associados à covid-19, tendo sido incluídos noutras categorias de doenças, por não terem sido testados ao novo coronavírus.

No Reino Unido, ilustrava ainda o jornal espanhol, antes de os casos de covid-19 aumentarem de forma expressiva, quando um paciente morria por infeção respiratória não aparecia registada a causa direta desse problema, podendo muitos desses casos serem motivados pelo novo coronavirus. 

A mesma possibilidade é avançada por vários especialistas nos Estados Unidos da América, a par do acesso condicionado a testes e serviços de saúde, para quem não dispõe de seguros. 

Em Itália, o epicentro da pandemia na Europa, Guido Marinoni, presidente do Bastonário dos Médicos de Bérgamo, a zona mais afetada do país, afirmava no início de abril, não ter dúvidas de que o número de vítimas mortais será bastante superior aos dados agregados pela Proteção Civil italiana.

"O número de mortos a que faz menção a Proteção Civil refere-se às pessoas que faleceram nos hospitais. Esses dados não mencionam quem morreu em casa, nem aos idosos que morreram nas dezenas de lares da terceira idade", disse Marinoni numa entrevista via Facebook a membros da Associação da Imprensa Internacional.


Covid-19. Ministério da Saúde volta a rever em baixa número de vítimas mortais
Até agora morreram 68 pessoas vítimas da covid-19. Há mais 71 contaminados subindo o número de infetados para 3444.

Tanto o número de vítimas como de infetados está subvalorizado, admitem vários especialistas internacionais e a própria OMS, o que, no final das contas pode resultar numa sobrevalorização da taxa de letalidade atual. É que apesar de se admitirem mais mortes que as contabilizadas até agora, o número total de infetados também será muito superior ao atualmente reportado.

Quando for realmente conhecido, provavelmente, isso reduzirá a proporção da mortalidade face ao universo de infeções, podendo levar a uma revisão em baixa da taxa de letalidade. 

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 145 mil mortos e infetou mais de 2,1 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa quatro mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

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