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China censura críticas da OMS sobre política "covid zero"
Mundo 3 min. 11.05.2022
Pandemia

China censura críticas da OMS sobre política "covid zero"

A China tem mantido uma abordagem de testagem massiva aos seus residentes para travar o vírus
Pandemia

China censura críticas da OMS sobre política "covid zero"

A China tem mantido uma abordagem de testagem massiva aos seus residentes para travar o vírus
Foto: AFP
Mundo 3 min. 11.05.2022
Pandemia

China censura críticas da OMS sobre política "covid zero"

AFP
AFP
"É muito importante passar para uma estratégia diferente", sublinhou o diretor-geral da OMS.

A China censurou esta quarta-feira os comentários do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) e qualificou-os como irresponsáveis. O responsável tinha criticado publicamente a política «covid zero» defendida pelo governo comunista.

Apesar de as restrições relacionadas com a covid-19 estarem a ser levantadas em todo o mundo, o país asiático - que está a braços com um surto da doença -  continua a impor bloqueios e quarentenas ao primeiro sinal de alguns casos.


Mulher é testada em Pequim.
Pequim vai testar maioria dos 21 milhões de residentes
A capital da China vai realizar testes à covid-19 para a maioria dos 21 milhões de habitantes da cidade, anunciaram as autoridades na segunda-feira à noite.

Juntamente com o encerramento quase total das fronteiras e a redução da conectividade aérea internacional, esta política está a causar uma exasperação crescente na China.

Em particular em Xangai, no leste, onde 25 milhões de habitantes estão confinados desde o início de abril, queixando-se de problemas de abastecimento e receando serem enviados para centros de quarentena de conforto incerto.

Imprensa permanece em silêncio

Neste contexto, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse na terça-feira, em observações excecionalmente críticas em relação à China, que a abordagem do país à pandemia "não é sustentável".

Uma vez que a política "zero covid" está a ser fortemente defendida pelos principais líderes comunistas, incluindo o presidente Xi Jinping, os censores moveram-se rapidamente para evitar a divulgação destes comentários.

No Weibo, uma espécie de Twitter que é a principal rede social na China, a pesquisa pelos hashtags #Tedros e #OMS não estavam a produzir quaisquer resultados esta quarta-feira.


China regista 51 mortes, o maior número diário desde o início da pandemia
A taxa de vacinação no país é baixa entre os idosos, num país onde as únicas vacinas disponíveis são de laboratórios chineses.

Já os utilizadores da rede social ultrapopular WeChat não podem republicar ou enviar um artigo da conta oficial da ONU que foi publicado na plataforma e que menciona as críticas do responsável da OMS.

No entanto, ainda é possível discutir o tema online com um dos seus contactos ou publicar screenshots de artigos ou tweets mencionando os comentários no seu mural do WeChat.

"Pergunto humildemente: irá o nosso governo ouvir as recomendações do diretor-geral da OMS?" escreveu um utilizador da Weibo.

Por seu turno, a imprensa permanece em silêncio.

As autoridades chinesas afirmam que a sua estratégia coloca a vida humana acima das considerações materiais e tem evitado as crises sanitárias que atingiram outros países.

China diz que medidas são "eficazes"

Questionado sobre os comentários do diretor da OMS, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhao Lijian, disse aos repórteres esta quarta-feira que as medidas da China eram "científicas e eficazes".

"Esperamos que a pessoa em questão tenha um olhar objetivo e racional sobre a política chinesa de prevenção e controlo da epidemia, tenha um melhor conhecimento da realidade e se abstenha de fazer comentários irresponsáveis".

O antigo editor-chefe do tablóide nacionalista Global Times, Hu Xijin, presença muito influente na Internet, considerou inadequadas as críticas da OMS.


Moradores fazem fila para ser testados em Zhongguancun, Pequim, a 26 de abril.
Nova ronda de testes em massa vai decidir reabertura de Xangai
As autoridades locais disseram a testagem vai determinar que bairros da capital financeira chinesa podem desconfinar com segurança.

"Se disserem que o método chinês é insustentável, deveriam arranjar um método mais eficaz e sustentável. Mas eles não dão nenhum!" escreveu aos seus 24 milhões de seguidores na Weibo.

"A OMS não assumirá qualquer responsabilidade se a China relaxar (a sua política de saúde) e muitas pessoas morrerem."

O abandono do "covid zero" poderia levar a 1,6 milhões de mortes no país, segundo um estudo realizado por investigadores da Universidade Fudan, em Xangai, publicado na terça-feira na revista Nature.


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Para impedir uma segunda vaga de contágios no país, o Governo chinês impôs uma quarentena rigorosa de 14 dias a quem entrar na China. A partir de hoje, quem chegar a Pequim vindo do exterior será submetido a testes laboratoriais, além de ser colocado em quarentena.