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Chefes de Estado pedem a Putin trégua no conflito com a Ucrânia
Mundo 5 min. 06.03.2022
Guerra na Ucrânia

Chefes de Estado pedem a Putin trégua no conflito com a Ucrânia

Guerra na Ucrânia

Chefes de Estado pedem a Putin trégua no conflito com a Ucrânia

Foto: AFP
Mundo 5 min. 06.03.2022
Guerra na Ucrânia

Chefes de Estado pedem a Putin trégua no conflito com a Ucrânia

Redação
Redação
O primeiro-ministro da Turquia, o Presidente francês e o chanceler alemão conversaram este domingo com o presidente russo, apelando a um cessar-fogo.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu este domingo a Vladimir Putin, numa conversa telefónica, um “cessar-fogo imediato” na Ucrânia e ofereceu-se para mediar soluções que permitam alcançar a paz no país.

"Vamos abrir o caminho para a paz juntos", disse Erdogan a Putin, numa conversa que durou uma hora, e durante a qual, segundo a agência EFE, a presidência turca informou que destacou a importância de uma estabelecer uma trégua para aliviar a crise humanitária e permitir uma solução negociada.

De acordo com a agência Bloomberg, Vladimir Putin disse ao homólogo turco que o governo de Kiev tem de ceder às exigências russas para que os combates terminem.


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"Devemos ter claro que a nossa missão, juntamente com os nossos aliados, é garantir que Putin fracassa na Ucrânia, e isso vai demorar algum tempo. Estamos a falar de meses, se não mesmo de anos", disse o vice-primeiro-ministro Dominic Raab.

Também este domingo, o chanceler alemão, Olaf Scholz, pediu a Vladimir Putin que coloque um fim aos combates na Ucrânia e abra corredores de ajuda humanitária.

Numa conversa telefónica, "o chanceler disse que estava muito preocupado”, invocando “as imagens e informações terríveis vindas da Ucrânia", de acordo com um comunicado do Governo alemão, citado pela agência Lusa.

Olaf Scholz pediu ao líder russo que "cesse imediatamente todos os combates e permita o acesso humanitário às zonas de combate". 

Os dois governantes concordaram em voltar a falar, em breve.

Nova ronda de negociações ameaçada?

Na quinta-feira, os negociadores da Ucrânia e da Rússia concordaram com um cessar-fogo temporário, bem como o estabelecimento de corredores humanitários.

No entanto, os combates não têm dado espaço para cumprir os cessar-fogo já acordados para algumas cidades, como Mariupol. A retirada de civis foi adiada hoje pelo segundo dia consecutivo, devido, de acordo com as autoridades ucranianas, à violação do acordo pelas forças russas. 

Já o presidente russo, Vladimir Putin, acusou as autoridades ucranianas de frustrar as operações de evacuação humanitária de Mariupol, durante uma conversa telefónica, este domingo, com seu homólogo francês, Emmanuel Macron.  


Cessar-fogo para retirada de civis em Mariupol voltou a ser adiado
A Câmara Municipal de Mariupol tinha anunciado hoje uma nova tentativa de retirada de civis a partir das 12h locais, depois de no sábado ter sido impossível abrir o corredor humanitário acordado com a Rússia.

Esta situação leva a que muitos vejam reduzidas as esperanças de progresso numa terceira ronda de conversações Ucrânia-Rússia.

A terceira ronda de conversações entre a Ucrânia e a Rússia deveria acontecer esta segunda-feira, segundo avançou um membro da delegação ucraniana, David Arakhamia, no sábado. Mas, de acordo com o Governo alemão, Putin terá referido o seu propósito de aceitar uma terceira ronda de negociações russo-ucranianas no próximo fim de semana.

No entanto, a continuarem os combates, que incidem cada vez mais sobre as cidades, atingindo um número cada vez maior de civis, a probabilidade de se chegar a acordo parece diminuta.

Tentativas de mediação 

As tentativas diplomáticas junto das partes envolvidas no conflito têm-se prolongado ao longo do fim de semana.

O primeiro-ministro israelita Naftali Bennett lançou uma tentativa de mediação no sábado com visitas a Moscovo e Berlim e uma conversa telefónica com o Presidente Zelensky. 

É "um dever moral", mesmo que "haja poucas hipóteses de sucesso", afirmou citado pela AFP.


O Presidente russo, Vladimir Putin, acusa as autoridades ucranianas de frustrar as operações de evacuação humanitária de Mariupol.
Putin acusa Kiev de impedir corredores humanitários em Mariupol
Putin "chamou a atenção para o facto de que Kiev continua a não respeitar os acordos alcançados sobre as questões humanitárias".

O presidente francês Emmanuel Macron também falou com Vladimir Putin ao telefone este domingo. Durante a conversa, Putin acusou a Ucrânia de "não respeitar os acordos alcançados sobre as questões humanitárias", acrescentando que "nacionalistas ucranianos impediram a evacuação" de Mariupol e Volnovaja, usando “a pausa nas hostilidades para fortalecer as suas capacidades” nessas cidades. 

O presidente russo negou igualmente que tenham sido as tropas russas a atacar a zona da central nuclear de Zaporizhzhia, na sexta-feira de madrugada, culpando "sabotadores" de estarem por trás do incidente que provocou uma explosão num edifício do complexo nuclear e acrescentando que "as tentativas de culpar a Rússia são parte de uma campanha de propaganda cínica".

China apontada para medir conflito

Numa entrevista publicada no sábado, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, defendeu que a China deve tentar mediar uma possível resolução do conflito na Ucrânia, considerando que "não há alternativa".

"Não podemos, nós [europeus] ser os mediadores, isso é óbvio”, disse Borrell, numa entrevista ao jornal espanhol El Mundo, lembrando as discussões diplomáticas quadripartidas que desde 2014 reuniam Rússia, Ucrânia, França e Alemanha sobre o processo de paz no leste da Ucrânia.

O diplomata sublinhou, no entanto, que uma possível mediação chinesa não foi ainda proposta nem pela UE nem pela China.

Pequim tem defendido a soberania territorial das nações, mas manteve uma posição ambígua em relação ao conflito na Ucrânia e absteve-se em duas votações de condenação à Rússia na ONU, uma no Conselho de Segurança e outra na Assembleia-Geral.  


Volodymyr Zelensky
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“Será um crime militar. Será um crime histórico”, acusou o presidente ucraniano.

Este sábado, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, disse ao secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, que a China se opõe a quaisquer ações que “lancem mais achas para a fogueira” na Ucrânia.

Wang pediu negociações para resolver a crise na Ucrânia, bem como conversas sobre a criação de um mecanismo de segurança europeu “equilibrado”, de acordo com um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

Na conversa por telefone, o diplomata chinês disse ainda que os EUA e a Europa devem prestar atenção ao impacto negativo que a expansão da NATO para o leste tem para a segurança da Rússia.

Do lado dos EUA, Blinken mais uma vez pressionou a China a ser mais crítica com a Rússia, indicou o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Ned Price, em comunicado.

Por enquanto, o Governo chinês tem evitado condenar a invasão russa da Ucrânia, tendo expressado oposição às sanções unilaterais impostas a Moscovo pelos Estados Unidos, UE e outros países ocidentais.  

(Com agências)

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