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Chanceler austríaco demite-se sob suspeitas de corrupção
Mundo 10 3 min. 10.10.2021
Escândalo político

Chanceler austríaco demite-se sob suspeitas de corrupção

Escândalo político

Chanceler austríaco demite-se sob suspeitas de corrupção

Georg Hochmuth/APA/dpa
Mundo 10 3 min. 10.10.2021
Escândalo político

Chanceler austríaco demite-se sob suspeitas de corrupção

AFP
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Sebastian Kurz, 35 anos, foi obrigado a anunciar a sua demissão sábado à noite com a ameaça de um impeachment. É a segunda vez que recaem sobre ele suspeitas de suborno.

O Chanceler austríaco Sebastian Kurz anunciou a sua demissão sábado à noite por ser suspeito de estar envolvido num caso de corrupção. É um novo abalo político neste país da Europa Central. O seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Alexander Schallenberg, assume agora a liderança da Áustria.

O homem que se tornou o líder eleito mais jovem do mundo no final de 2017 foi obrigado a afastar-se no meio de um segundo escândalo, entre suspeitas de quebra de confiança e suborno, depois de uma tempestade política anterior, em 2019, que conseguiu aguentar de forma espetacular.

 "Seria irresponsável criar meses de caos ou impasse", declarou este líder conservador que ontem aos repórteres em Viena, explicando que estava a renunciar em prol da "estabilidade" do país enquanto refutava "falsas acusações".

"Quero demitir-me para evitar o caos", acrescentou, dizendo que tinha proposto o nome do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Alexander Schallenberg, para lhe suceder.

 

 

 Chanceler das sombras

Desde o anúncio na quarta-feira pelo Ministério Público de que tinha aberto uma investigação por corrupção contra Sebastian Kurz que o chanceler tem estado sob pressão para anunciar a demissão. 

De início, o chanceler, de 35 anos, recusou demitir-se frisando que as  alegações contra ele eram "fabricadas". Mas, ontem à noite anunciou o afastamento agora sob a ameaça de um novo impeachment pelo parlamento. Os representantes eleitos devem votar na terça-feira uma moção de censura apresentada pela oposição.

"Sou apenas humano"

 Kurz é suspeito de ter utilizado fundos governamentais no passado para assegurar uma cobertura favorável dos meios de comunicação social para garantir a sua ascensão à liderança.

De acordo com a acusação, entre 2016 e 2018, foram alegadamente publicados artigos laudatórios na imprensa e sondagens "parcialmente manipuladas" em troca da compra de espaço publicitário do Ministério das Finanças, que era gerido pelos conservadores, na altura.  

Kurz e nove outros suspeitos, bem como três empresas, estão agora a ser investigados por vários delitos relacionados com o caso, tendo já decorrido buscas na sede do seu partido ÖVP e na chancelaria, na quarta-feira. As suspeitas de corrupção agora investigadas baseiam-se numa série de mensagens telefónicas.

Por seu turno,  Kurz defende-se reclamando que a verdade vai ser descoberta e que algumas das mensagens de texto tinham sido escritas "sob o impulso do momento". "Sou apenas humano, com emoções e erros", insistiu o líder que irá continuar, por agora, à frente do partido conservador e terá assento no parlamento. Após o anúncio da abertura da investigação socorreu uma manifestação contra o chanceler e a sua permanência à frente dos destinos do país.

AFP

Salvo do primeiro escândalo

Sebastian Kurz entrou para o governo da Áustria como Secretário de Estado há dez anos e depois tornou-se Ministro dos Negócios Estrangeiros, tendo sido eleito chanceler pela primeira vez em Dezembro de 2017.


Áustria recusa-se a receber refugiados afegãos
O chanceler austríaco é ainda contra a criação de meios na UE para proteção dos cidadãos do Afeganistão.

Associado ao partido de extrema-direita FPÖ, viu o seu governo cair em Maio de 2019 por um escândalo de corrupção, conhecido como Ibizagate.

Voltou então ao poder em Janeiro de 2020, desta vez ao lado dos Verdes, uma coligação que já tinha sido desafiada várias vezes por outros casos e divergências de opinião sobre a questão dos refugiados.

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