Escolha as suas informações

Cerco a apertar. Europa endurece restrições para evitar colapso
Mundo 9 min. 29.10.2020

Cerco a apertar. Europa endurece restrições para evitar colapso

Cerco a apertar. Europa endurece restrições para evitar colapso

AFP
Mundo 9 min. 29.10.2020

Cerco a apertar. Europa endurece restrições para evitar colapso

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
Com uma média de mil mortes por dia, o velho continente continua a fazer marcha atrás no desconfinamento. "A situação é muito grave em todos os estados-membros" da UE. Mostramos-lhe o que está a acontecer.

De volta aos dias mais negros do ponto de partida da pandemia com 1,1 milhões de novos casos de covid-19 diagnosticados só na última semana, o conjunto dos Estados-membros da União Europeia está a endurecer as restrições para conter a rápida propagação da covid-19. De uma forma mais e menos drástica, França e Alemanha voltaram ao confinamento. Bruxelas concentra os principais focos do de contágio do novo coronavírus, enquanto Espanha sobe ao pódio do maior número de infetados do continente. Diariamente, Portugal e Itália quebram os recordes do número de novos casos. Na mensagem que antecipa um "Natal diferente", a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reconhece que a situação do coronavírus é muito grave em quase todos os Estados-membros". Em média, cerca de mil pessoas engrossam as estatísticas da mortalidade associada à covid-19. 

Embora a ocupação das unidades de cuidados intensivos "seja um terço" da que foi registada na última primavera, as gripes e o conjunto de doenças que se desenvolvem mais facilmente no período do inverno, voltam a pôr a tónica no eventual colapso dos serviços de saúde face às "profundezas" da segunda vaga da pandemia. 

O Conselho Europeu aprovou, esta quinta-feira, uma estratégia massiva de testes rápidos de modo a que os critérios de "desempenho, rastreio e controlo", sejam idênticos e reconhecidos a nível comunitário. O objetivo é facilitar "o reconhecimento mútuo dos testes, em particular, no contexto das viagens dentro da UE", como já veio, entretanto, reconhecer o belga que preside o orgão que reúne todos os chefes de Estado ou de governo da União. 

"Para evitar o pior", grande parte dos países estão, no entanto, a readoptar um conjunto de restrições dentro de portas. Contamos-lhe tudo. 

França

AFP

A partir de sexta-feira e até 1 de dezembro, o franceses vão mergulhar num novo período de confinamento. Desta vez, indústria, construção, agricultura e administração pública têm ordem para continuar a trabalhar, a menos que o aparecimento de um caso entre os trabalhadores determine o encerramento total ou parcial dos serviços. Professores, alunos e funcionários não têm ordem para recolher, dado que, ao contrário do que aconteceu entre abril e março, infantários, escolas e universidades vão manter-se abertas. 

Na prática, além de impedir saídas de casa não justificadas por razões de trabalho, o "reconfinamento" obriga ao encerramento de todo o comércio considerado não essencial, regressando o país à lógica das farmácias e dos supermercados. 

As pequenas reuniões e os eventos coletivos também estão proibidos. "Se não travarmos brutalmente a contaminação, nossos hospitais logo ficarão saturados e os médicos terão que escolher entre um paciente com covid e uma vítima de um acidente rodoviário, ou entre dois pacientes com covid. Levando em conta os nossos valores, o que é a França, isso é inaceitável", justificou o Presidente do país. 

Alemanha

Fabrizio Bensch/Reuters Pool/dpa

Antes de ter posto o pé a fundo na decisão de reconfinar parcialmente a Alemanha, Angela Merkel esteve horas reunida com os chefes de Governo dos Estados da Federação. 

Por um período de um mês, até dezembro, ps restaurantes voltam ao regime de take-away, não estando autorizado qualquer encontro social no país. Os contactos estão reduzidos a um máximo de 10 elementos da mesma família. 

Com o argumento de que é "preciso agir agora", a chanceler alemã incluiu no decreto extraordinário a proibição de eventos culturais, cinemas e teatros estão proibidos. Bares, ginásios e piscinas estão incluídos no plano de salvação que quer reduzir os contágios abaixo do que é considerado o limite de risco do país, abaixo de 50 novos casos em sete dias para cada 100 mil habitantes. Atualmente, os dados do Instituto Robert Koch apontam para umaa incidência em 93,6 casos para cada 100 mil habitantes nos últimos sete dias. 

Bélgica 

AFP

A atingir o limite de capacidade dos cuidados intensivos, com mais de dois mil doentes em estado considerado muito grave, a Bélgica é, atualmente, um dos principais focos de concentração do novo coronavírus. Há duas semanas e por um período de, pelo menos mais duas, o país alargou o recolher obrigatório e o encerramento de bares e restaurante a todo o território. 

Em Bruxelas, as restrições são ainda mais duras. Sem que haja uma razão válida, ninguém pode andar na rua entre as 22h e as 6h. Ginásios, salas de espetáculos e de culto têm as portas fechadas. Dentro ou fora, o uso de máscara é obrigatório na capital.

Numa altura em que as autoridades de saúde continuam fazem uma média de 80 mil testes por dia, cinco são positivos. Além dos essenciais, grande parte dos setores de atividade estão paralisados. O teletrabalho voltou a ser regra. 

Espanha 

Foto: AFP

Em "situação extrema", Espanha decretou um novo estado de emergência por um período de quinze dias. À excepção das Canárias, o recolher, das 23h às 6h, é obrigatório em todo o país. 

Nos próximos dois fins de semana, Madrid vai fechar-se. Tal como acontece em Portugal, estão proíbidas deslocações entre dias 30 e 31, e posteriormente entre dias 6 e 9. A região da Cantábria já adoptou a mesma estratégia que tem como objetivo central evitar aglomerações e contactos sociais no período de Todos os Santos. De acordo com a imprensa, a Catalunha está prestes a aprovar a medida.    

Portugal 

AFP

De recorde em recorde, Portugal exclui para já um novo reconfinamento geral, apesar de ter decidido impedir as deslocações entre concelhos entre 31 de outubro e 3 de novembro, na mesma lógica espanhola. De qualquer forma, se tiver viagem marcada para este período não fica retido no aeroporto. Turistas e "cidadãos nacionais residentes em regiões autónomas e de fora de Portugal" têm permissão para circular no país. 

No Norte, em Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira há medidas especiais. "Relativamente a estes três concelhos são aprovados o dever de permanência no domicílio, com exceção de um conjunto de atividades", entre as quais "trabalhar ou frequentar a escola".

Nestes concelhos ficam também proibidos "quaisquer eventos com mais de cinco pessoas", todos os estabelecimentos comerciais e de atendimento ao público "devem estar encerrados às 22h" e o teletrabalho passa a ser obrigatório "em todas as funções que o permitam".

Em Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira ficam ainda suspensas as visitas a lares e a estabelecimentos de cuidados continuados, bem como o funcionamento de centros de dia. A realização de mercados e feiras está temporariamente proibida.

Em todo o país, dentro ou fora dos estabelecimentos o uso de máscara passou a ser obrigatório. 

Itália

AFP

Para já, um reconfinamento total também está a ser visto como última hipótese em Itália. Para já, as restrições impostas pelo Governo cingem-se ao encerramentos de espaços culturais e desportivos. Debaixo de contestação do setor, Giuseppe Conte também decidiu fechar bares e restaurantes às 18h. 

Com máscara e as devidas distâncias, são permitidas apenas quatro pessoas por mesa, desde que não sejam do mesmo núcleo familiar. Nenhuma estação de ski tem permissão para abrir este inverno. Para já, o Governo não decretou a proibição da deslocação entre regiões, mas "recomenda veementemente a todas as pessoas que não se desloquem, por meio de transporte público ou privado, a um município que não seja o de residência, exceto para necessidades comprovadas de trabalhar ou estudar, por motivos de saúde”.

Cerca de 75% dos alunos com mais de 14 anos estão novamente a ter aulas às distância. 

República Checa

AFP

Na República Checa não há aulas há uma semana. Privados dos ginásios, cinemas e museus, os residentes também já têm restaurantes e bares abertos. Os ajuntamentos estão limitados a um máximo de seis pessoas. 

Depois de ter reunido milhares de pessoas, em agosto, para festejar a partida da covid-19, o país assumiu o colapso dos hospitais e viu-se obrigado a pedir assistência internacional, sobretudo para comprar ventiladores e outros equipamentos hospitalares. 

O incumprimento das medidas já levou mesmo à queda do próprio ministro da Saúde, fotografado à saída de um restaurante aberto a clientes vip numa clara violação das regras. 

Grécia

AFP

Apesar de ter registado um número de casos relativamente mais baixo em relação aos outros países europeus, a Grécia tem assistido a um aumento da taxa de contágios desde este mês de outubro. Esta sexta-feira apresenta um novo plano de contingência. 

Algumas medidas já foram tomadas em cidades como Salónica e na região de Ática que inclui a capital. As duas regiões estão em alerta laranja, o que obriga ao encerramento de cafés, restaurantes e bares à meia-noite, à proibição de sair à rua entre as 0h30 e as 5h locais e ao uso de máscara.

Alguns especialistas afirmam, porém, que as medidas são "demasiado frouxas" e que será necessário adiantar o encerramento da restauração e dos locais de divertimento, assim como respeitar o recolher obrigatório que o Luemburgo também decidiu impôr para conter a transmissão do vírus que continua a fazer vítimas diariamente. 

Suécia 

Foto: AFP

Reticente na chamada primeira vaga da pandemia, a Suécia decidiu responder ao aumento do número de infetados com o fim dos ajundamentos e um conjunto de medidas mais rigorosas para garantir o distanciamento social, já a partir do primeiro dia de novembro. 

Numa declaração que ficou conhecida pelo "fim da festa" o primeiro-ministro, Stefan Lofven anunciou a limitação de 50 pessoas por estabelecimentos noturnos e apenas oito sentadas na mesma mesa. Qualquer evento pressupõe que a plateia esteja sentada com a devida distância de segurança. 

A população foi aconselhada a não andar de transportes públicos e os estabelecimentos comerciais funcionam com horário reduzido. Apesar destas novas medidas, as restrições na Suécia continuam a ser mais leves do que na maioria dos países europeus. O uso de máscara permanece opcional, por exemplo.

Holanda 

Peter Kneffel/dpa

Para conter o aumento dos novos casos, a Holanda decidiu recorrer a uma "quarentena" parcial, atacando diretamente a venda de bebidas alcóolicas. Depois das 20h não podem ser comercializadas em nenhum estabelecimento. Em casa, os holandeses só podem receber até três pessoas. 

Além disso, continuam em vigor outros decretos como o uso obrigatório de máscara nas escolas. "Teremos de ser mais duros connosco", amitiu o primeiro-ministro, Mark Rutte, que não descarta a hipótese de um confinamento completo no país, isto é, com o encerramento de todas as atividades. 



Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Alemanha mantém novos casos diários acima de 1.500
A Alemanha voltou hoje a registar mais de 1.500 novos casos de covid-19, mantendo a tendência das últimas semanas, de retrocesso para níveis que não se verificavam desde abril, e prepara novas medidas para conter a propagação.