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Catalunha domina debate eleitoral em Espanha
Mundo 2 min. 05.11.2019

Catalunha domina debate eleitoral em Espanha

Catalunha domina debate eleitoral em Espanha

Foto: AFP
Mundo 2 min. 05.11.2019

Catalunha domina debate eleitoral em Espanha

Num debate morno, a Catalunha voltou a ocupar as preocupações de quase todos os candidatos a uma semana das eleições com o PSOE a tentar conquistar o eleitorado de direita.

Numa campanha oficial que se resume a esta semana, o debate eleitoral único que se realizou na noite de segunda-feira em Espanha teve um pouco de tudo. Como se esperava, a Catalunha foi o tema que mais dominou a disputa pela atenção dos telespetadores por parte dos cinco principais candidatos presentes nos estúdios a partir dos quais se realizou a transmissão em direto. Se é certo que passou pouco mais de meio ano desde as últimas eleições legislativas que se traduziram num parlamento incapaz de viabilizar um governo, tudo parece ter mudado e isso refletiu-se no debate. 

Há seis meses, havia dois blocos que exprimiam um cenário político que se movia em torno do eixo esquerda-direita. De um lado, PSOE e Unidas Podemos, do outro, PP, Ciudadanos e Vox, cada um dos dois tentava batalhar para ter a maioria e garantir um governo estável. Afastada essa hipótese no pós-eleições pela recusa do PSOE em aceitar as condições do Unidas Podemos, o debate de segunda-feira mostrou um novo cenário. Pedro Sánchez afastou-se de um discurso mais à esquerda e batalha agora para ganhar o eleitorado em fuga do Ciudadanos, o partido de Albert Rivera que está em queda livre nas sondagens. Durante o debate, o atual chefe do governo em funções disputou bandeiras do PP e do Ciudadanos como a recuperação do crime de convocatória de referendos ilegais, uma medida que tinha sido implementada pelo PP para evitar que o governo basco convocasse uma consulta sobre a independência e que foi eliminada precisamente pelo PSOE de Rodríguez Zapatero.

Esta mudança no discurso de Pedro Sánchez mostra também o peso que a Catalunha está exercer sobre os diversos campos da política espanhola. Enquanto o líder do PSOE navegava à direita, Pablo Iglesias, porta-voz do Unidas Podemos, tentava apelar ao atual chefe do governo para que não entrasse no terreno da direita “ignorante e agressiva” e para que assumisse que o problema catalão só se resolve através do diálogo. Pedro Sánchez chegou a acusar o PP de ter sido brando com a Catalunha por ter "deixado Puigdemont escapar" e permitido "dois referendos".

Por outro lado, o PP assumiu-se mais solto com a possibilidade de hecatombe eleitoral para o seu rival direto, o Ciudadanos, que tantos votos lhe subtraiu depois das sucessivas notícias de escândalos de corrupção e da consequente demissão de Mariano Rajoy, ex-chefe do governo espanhol. Albert Rivera ainda ensaiou um dramático discurso sobre a violência contra a polícia na Catalunha e apareceu com uma pedra na calçada em direto.

Mas não parece chegar. De acordo com analistas ouvidos pelo El País, com Pablo Casado, a formação histórica da direita espanhola parece refazer-se e dos destroços do Ciudadanos também a extrema-direita parece vir a ganhar grande fôlego tendo o seu líder, Santiago Abascal, aparecido a disparar contra tudo e todos, exigindo a proibição de todos os partidos independentistas e a prisão dos governantes catalães.

Independentemente das estratégias utilizadas pelos diferentes líderes partidários neste debate, não falta muito para que as eleições que se realizam já no domingo ditem quem jogou mais acertado.

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