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Carro de rei belga apanhado em confrontos entre manifestantes e polícia
Mundo 3 3 min. 14.01.2021

Carro de rei belga apanhado em confrontos entre manifestantes e polícia

Carro de rei belga apanhado em confrontos entre manifestantes e polícia

Foto: AFP
Mundo 3 3 min. 14.01.2021

Carro de rei belga apanhado em confrontos entre manifestantes e polícia

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Cerca de 400 pessoas protestavam esta quarta-feira, dia 13, contra a morte de um jovem de origem muçulmana em custódia policial.

Um protesto pela morte no sábado, enquanto se encontrava em custódia policial, de um jovem de 23 anos identificado como Ibrahima B., tornou-se violento tendo o carro do Rei Philippe sido atingido por uma pedrada. 

Ao início da noite de ontem, dia 13, o Rei dos belgas dirigia-se do Palácio Real, no centro da capital, para a sua residência oficial na periferia da cidade, em Laeken, quando foi apanhado nos confrontos entre manifestantes e a polícia, na zona da Gare du Nord. Os manifestantes atiravam projéteis enquanto a polícia lançava gás lacrimogéneo.

Segundo o jornal Le Soir, a manifestação terá reunido cerca de 400 pessoas, convocadas após a morte em circunstâncias não esclarecidas de Ibrahima B. . Um comunicado da polícia adianta que foi aberto um inquérito ao caso. 

No Twitter, a morte de Ibrahima B. é o assunto mais relevante na Bélgica nesta quinta-feira, dia 14. O óbito de Ibrahima B. foi declarado no dia 9 de janeiro, às 20h22, na Clínica Saint-Jean, uma hora após ter sido transportado da esquadra de Saint-Josse. O jovem tinha sido detido cerca das 19h, na zona da gare du Nord. De acordo com amigos de Ibrahima, o jovem dirigia-se à estação para apanhar o comboio para Waterloo, onde residia. A polícia tê-lo-á interpelado quando ele filmava uma intervenção dos agentes junto de um grupo de jovens. 

Segundo um comunicado das autoridades, Ibrahima tentou fugir, foi apanhado pela polícia e levado para o comissariado de Saint-Josse. Pouco depois foi chamada uma ambulância e o jovem acabaria por morrer já na clínica. À família de Ibrahima foi dito que o jovem morreu de ataque cardíaco, segundo reporta o Le Soir. 

Uma história repetida de maus encontros

A polícia belga tem sido acusada sucessivamente de brutalidade, sobretudo contra as comunidades muçulmanas, negras e magrebinas. Em abril de 2020, quando a Europa já vivia em pleno lockdown, Adil, de 19 anos, morreu atingido por um carro da polícia enquanto tentava escapar a uma contravenção por quebrar as regras de confinamento. As circunstâncias da morte ainda não foram esclarecidas e em muitas janelas da capital belga ainda há cartazes a pedir justiça para Adil.

A atuação da polícia belga, sobretudo no que diz respeito a encontros com minorias, tem sido sucessivamente posta em causa. Em junho, também na Gare du Nord, a eurodeputada alemã negra, originária do Mali, Pierrette Herzerberger-Fofana, foi, segundo o que relatou na sessão plenária do Parlamento Europeu, empurrada contra uma parede. A eurodeputada foi abordada pela polícia quando filmava uma interpelação agressiva da polícia contra jovens negros no local.

O relato de Herzerberger-Fofana abriu a sessão plenária de 17 de junho no Parlamento Europeu em que se discutia o racismo na Europa, na sequência das manifestações "Black Lives Matter" em várias capitais. O presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, pediu explicações formais às autoridades belgas. Em Bruxelas, 10 mil pessoas juntaram-se no centro da cidade, uma semana antes (a 7 de junho), para protestar contra o racismo no mundo, mas com muitos exemplos concretos na Bélgica.

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