Carro de rei belga apanhado em confrontos entre manifestantes e polícia
Carro de rei belga apanhado em confrontos entre manifestantes e polícia
Um protesto pela morte no sábado, enquanto se encontrava em custódia policial, de um jovem de 23 anos identificado como Ibrahima B., tornou-se violento tendo o carro do Rei Philippe sido atingido por uma pedrada.
Ao início da noite de ontem, dia 13, o Rei dos belgas dirigia-se do Palácio Real, no centro da capital, para a sua residência oficial na periferia da cidade, em Laeken, quando foi apanhado nos confrontos entre manifestantes e a polícia, na zona da Gare du Nord. Os manifestantes atiravam projéteis enquanto a polícia lançava gás lacrimogéneo.
Segundo o jornal Le Soir, a manifestação terá reunido cerca de 400 pessoas, convocadas após a morte em circunstâncias não esclarecidas de Ibrahima B. . Um comunicado da polícia adianta que foi aberto um inquérito ao caso.
No Twitter, a morte de Ibrahima B. é o assunto mais relevante na Bélgica nesta quinta-feira, dia 14. O óbito de Ibrahima B. foi declarado no dia 9 de janeiro, às 20h22, na Clínica Saint-Jean, uma hora após ter sido transportado da esquadra de Saint-Josse. O jovem tinha sido detido cerca das 19h, na zona da gare du Nord. De acordo com amigos de Ibrahima, o jovem dirigia-se à estação para apanhar o comboio para Waterloo, onde residia. A polícia tê-lo-á interpelado quando ele filmava uma intervenção dos agentes junto de um grupo de jovens.
Segundo um comunicado das autoridades, Ibrahima tentou fugir, foi apanhado pela polícia e levado para o comissariado de Saint-Josse. Pouco depois foi chamada uma ambulância e o jovem acabaria por morrer já na clínica. À família de Ibrahima foi dito que o jovem morreu de ataque cardíaco, segundo reporta o Le Soir.
Uma história repetida de maus encontros
A polícia belga tem sido acusada sucessivamente de brutalidade, sobretudo contra as comunidades muçulmanas, negras e magrebinas. Em abril de 2020, quando a Europa já vivia em pleno lockdown, Adil, de 19 anos, morreu atingido por um carro da polícia enquanto tentava escapar a uma contravenção por quebrar as regras de confinamento. As circunstâncias da morte ainda não foram esclarecidas e em muitas janelas da capital belga ainda há cartazes a pedir justiça para Adil.
A atuação da polícia belga, sobretudo no que diz respeito a encontros com minorias, tem sido sucessivamente posta em causa. Em junho, também na Gare du Nord, a eurodeputada alemã negra, originária do Mali, Pierrette Herzerberger-Fofana, foi, segundo o que relatou na sessão plenária do Parlamento Europeu, empurrada contra uma parede. A eurodeputada foi abordada pela polícia quando filmava uma interpelação agressiva da polícia contra jovens negros no local.
O relato de Herzerberger-Fofana abriu a sessão plenária de 17 de junho no Parlamento Europeu em que se discutia o racismo na Europa, na sequência das manifestações "Black Lives Matter" em várias capitais. O presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, pediu explicações formais às autoridades belgas. Em Bruxelas, 10 mil pessoas juntaram-se no centro da cidade, uma semana antes (a 7 de junho), para protestar contra o racismo no mundo, mas com muitos exemplos concretos na Bélgica.
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