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Canadá. Autoridades juntam Proud Boys à lista de organizações terroristas
Mundo 2 min. 04.02.2021

Canadá. Autoridades juntam Proud Boys à lista de organizações terroristas

Canadá. Autoridades juntam Proud Boys à lista de organizações terroristas

Foto: AFP
Mundo 2 min. 04.02.2021

Canadá. Autoridades juntam Proud Boys à lista de organizações terroristas

O grupo de extrema-direita elogiado por Donald Trump esteve no assalto ao Capitólio, defende a supremacia branca e só aceita homens nas suas fileiras.

Bill Blair, ministro canadiano da Segurança Pública, anunciou quarta-feira a inclusão de 13 novos grupos na lista de organizações consideradas terroristas no país. Blair afirmou em conferência de imprensa que este é "um passo importante na luta contra o extremismo violento em todas as suas formas". 

"O Governo canadiano continuará a tomar medidas apropriadas para combater as ameaças terroristas ao Canadá, aos seus cidadãos e aos seus interesses em todo o mundo", acrescentou. Quatro destas organizações - entre as quais os Proud Boys - estão ligadas ao supremacismo branco; as outras nove são de natureza jihadista.

O parlamento canadiano tinha aprovado a 25 de janeiro uma moção a pedir ao governo de Justin Trudeau que acrescentasse os Proud Boys à lista. A iniciativa, apresentada por Jagmeet Singh, líder do Novo Partido Democrático, recebeu o apoio unânime das forças políticas. Singh apelou ao Governo para utilizar "todos os instrumentos disponíveis para combater a proliferação de grupos brancos supremacistas e de ódio, começando pela designação imediata dos Proud Boys como entidade terrorista". Blair anunciou na altura que as investigações já estavam em curso, mas que várias provas precisavam de ser cuidadosamente analisadas antes de se dar o passo.

A preocupação no Canadá com os Proud Boys aumentou depois do envolvimento deste grupo no assalto ao Capitólio norte-americano em 6 de janeiro. A presença desta organização em território canadiano não é recente. Em julho de 2017, cinco dos seus membros interromperam uma manifestação convocada por grupos indígenas em Halifax, na Nova Escócia. O incidente teve fortes repercussões no país porque descobriu-se que pertenciam ao exército. 

Os Proud Boys são um grupo que defende o uso da violência, aceita apenas homens nas suas fileiras e exibe uma forte retórica nacionalista, misógina e anti-muçulmana. Em 2020, receberam o apoio de Donald Trump. Descrevem-se a si próprios como "chauvinistas ocidentais" que estão fartos de pedir desculpa por "criar o mundo moderno". Foi fundada pelo canadiano britânico Gavin McInnes em 2016, embora McInnes tenha abandonado o movimento em 2018 quando o FBI começou a considerá-lo um grupo extremista com ligações ao nacionalismo branco.

A Divisão Atomwaffen, o Movimento Imperial Russo e The Base são as outras entidades de extrema-direita - ligadas ao racismo e à violência - incluídas hoje juntamente com os Prod Boys na lista de grupos terroristas do governo canadiano. "São intolerantes, expressam ódio e, como vimos, podem ser muito perigosos", justificou Blair. Os nove grupos jihadistas incluem o Estado Islâmico do Bangladesh, a Frente Libertação de Macina, Hizbul Mujahideen, Ansar Dine e o Estado Islâmico do Grande Saara.

A inclusão na lista de entidades terroristas traduz-se, entre outras coisas, num maior controlo das atividades destes grupos, em possíveis acusações criminais contra os seus colaboradores e no congelamento de bens. O registo do governo canadiano terá um total de 73 organizações como resultado das adições anunciadas na quarta-feira.

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