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Campanha eleitoral promete ser renhida em Espanha
Mundo 4 min. 12.04.2019

Campanha eleitoral promete ser renhida em Espanha

Campanha eleitoral promete ser renhida em Espanha

Foto: AFP
Mundo 4 min. 12.04.2019

Campanha eleitoral promete ser renhida em Espanha

Começou oficialmente a campanha eleitoral em Espanha e os eleitores têm agora 15 dias para decidir que boletim de voto vão introduzir na urna a 28 de abril. São cinco os principais candidatos, numa campanha que vê pela primeira vez surgir uma extrema-direita forte a nível nacional. As sondagens dizem que os socialistas ganharão em todo o estado espanhol menos em regiões independentistas, como Catalunha e País Basco.

Depois da queda do governo de Mariano Rajoy (PP), Pedro Sánchez (PSOE) tomou as rédeas de um país cada vez mais fragmentado mas viu-se obrigado a convocar eleições antecipadas. São 350 deputados e 208 senadores que estão em causa numa campanha que promete ser crispada.

Para já, a última sondagem, divulgada, ontem, pela empresa Celeste-Tel, mantém o PSOE na dianteira com uma subida de 5% em relação às legislativas de 2016 que lhe dá 27,3%. O PP dá um tombo de 10% caindo para os 23,9% com o Ciudadanos a subir ligeiramente para os 15,9%. A surpresa é a subida da extrema-direita que sobe de 0,2% para 7,8%. Ainda assim, as três direitas juntas não conseguem chegar à maioria absoluta e reeditar a experiência que levam a cabo na Andaluzia onde conseguiram conquistar o governo regional, um dos bastiões históricos do PSOE.

Também sem qualquer perspetiva de alcançar a maioria em solitário, Pedro Sánchez teria, que entender-se com as Unidas Podemos, que apesar de ter perdido 8% das intenções de voto consegue ficar nos 13,1%, e com as forças independentistas da Catalunha, País Basco e Galiza.

De acordo com o Centro de Investigações Sociológicas (CIS), instituto público espanhol de estudos e sondagens, a independência da Catalunha, os impostos, o aborto ou a habitação, que dominam os discursos dos partidos, não estão entre as prioridades dos cidadãos. O estudo divulgado na passada terça-feira revela que o desemprego aparece como o tema mais importante e que a corrupção e a fraude, juntamente com os políticos e a política, representam um problema grave.


O perigo da extrema-direita

A transição democrática em Espanha sempre foi um tema sensível. Ao contrário de Portugal, onde o aparelho da ditadura foi desmantelado durante a revolução, no país vizinho essa mudança foi bastante moderada. Se durante décadas o separatismo basco serviu de justificação para políticas securitárias, naquilo que na gíria atual se tem chamado ‘democracia musculada’, a crise independentista na Catalunha serviu para acirrar o nacionalismo espanhol. Um dos exemplos da polarização política são as projeções eleitorais que mostram que o PP praticamente desaparece da Catalunha. Mas se o partido que era então governo foi criticado pela violência policial durante o referendo à independência, o PP também foi questionado pelos nacionalistas espanhóis por não ter conseguido impedir o ato do qual resultou a declaração secessionista da Catalunha pela voz de Carles Puigdemont. As sondagens que são até 14 deputados de extrema-direita no parlamento espanhol mostram isso mesmo. A decisão do governo conduzido por Pedro Sánchez de mandar retirar os restos mortais do ditador Francisco Franco do Vale dos Caídos, onde era objeto de veneração constante, abriu outra guerra com os saudosistas do fascismo. Uma das promessas do Vox se for governo é limitar o direito à greve.


Crise na Catalunha

A Catalunha tem um peso importante no parlamento espanhol. São 47 deputados que ninguém quer perder, da direita à esquerda. Nas eleições legislativas de 2016, ainda antes do referendo, a filial do Podemos ficou em primeiro lugar alcançando 12 deputados. Desta vez, a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) arrasa e passa de 9 para possíveis 15 deputados. O partido independentista de esquerda que tem vários dos seus dirigentes na prisão propôs no arranque da campanha dois referendos: um sobre a autodeterminação da Catalunha e outro pela escolha da república ou da monarquia em Espanha. Em segundo lugar, ficaria a secção catalã do PSOE e só depois En Comú Podem. O partido criado por Carles Puigdemont pode alcançar os 7 deputados, bem longe da ERC, o que revela que a estratégia ditada por Puigdemont desde o exílio não está a encontrar eco na sociedade catalã.


Os estilhaços da última campanha

Se esta campanha promete ser mais acesa que a anterior, ainda sobram estilhaços de 2016. O Contacto noticiou há dias que Rafael Isea, ex-ministro venezuelano das Finanças do governo liderado por Hugo Chávez, em 2008, reconheceu numa entrevista ao canal televisivo espanhol La Sexta que, na primavera de 2016, viajou a Nova Iorque para se encontrar com três altos funcionários espanhóis no consulado de Espanha para que ajudasse o governo PP numa guerra suja contra o partido de esquerda Podemos.

Nessa reunião, que foi filmada pelos funcionários sem o consentimento de Rafael Isea, que já se havia tornado crítico com o chavismo, os agentes tentaram convencê-lo a denunciar publicamente que o governo venezuelano teria pago, em 2008, até 7,1 milhões de euros ao Centro de Estudos Políticos e Sociais (CEPS), a fundação da qual nasceu o Podemos. O objectivo era impedir a vitória deste partido de esquerda nas eleições legislativas realizadas em junho de 2016 alegando que era financiado por Hugo Chávez.


Bruno Amaral de Carvalho

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