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Brexit. Passados três anos, o PM vai mudar, mas as dificuldades são as mesmas
Mundo 3 min. 22.06.2019

Brexit. Passados três anos, o PM vai mudar, mas as dificuldades são as mesmas

Brexit. Passados três anos, o PM vai mudar, mas as dificuldades são as mesmas

Foto: AFP
Mundo 3 min. 22.06.2019

Brexit. Passados três anos, o PM vai mudar, mas as dificuldades são as mesmas

Os candidatos Boris Johnson e Jeremy Hunt concordam é que a credibilidade dos políticos e a sobrevivência do partido Conservador dependem da rapidez com que o processo é concluído, de preferência sem recorrer a eleições legislativas.

A prioridade dos dois candidatos à sucessão da primeira-ministra britânica, Theresa May, é aplicar o 'Brexit', mas, passados três anos desde o referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), as dificuldades mantêm-se.

Boris Johnson e Jeremy Hunt estão otimistas quanto a ter sucesso onde Theresa May falhou e conseguir alterações ao acordo de saída que foi chumbado três vezes pelo parlamento britânico.

Ambos querem remover o principal motivo de discórdia no documento, a solução de último recurso para a fronteira da Irlanda do Norte, designada por ‘backstop', que implicaria que a província britânica ficasse alinhada com as regras do mercado único para evitar a imposição de controlos alfandegários.

Porém, a firmeza da UE nesta questão foi reiterada pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, na sexta-feira, quando disse que "o acordo de saída não está aberto a renegociação".

O impasse no processo é o resultado da composição da Câmara dos Comuns, onde o partido Conservador tem uma maioria simples e depende do apoio do Partido Democrata Unionista (DUP) para governar.

Num primeiro momento, o DUP e os deputados eurocéticos conservadores bloquearam por três vezes o acordo de saída ao votarem com o partido Trabalhista e oposição anti-‘Brexit’ dos Liberais Democratas e Nacionalistas escoceses.

Posteriormente, a ala mais centrista e moderada do partido Conservador que se aliou à oposição para impedir uma saída sem acordo, forçando o governo a pedir o adiamento do ‘Brexit' para além de 29 de março.

O azedume dos eleitores com o ‘Brexit' foi visível nos resultados das eleições locais e europeias, ao castigar tanto o partido Conservador como o Trabalhista, mas é dentro do partido do governo que a irritação é maior.

Uma sondagem publicada pelo The Times esta semana indicava que 61% dos militantes conservadores estão dispostos a sacrificar "estragos significativos" na economia, 63% estão prontos a deixar a Escócia sair do Reino Unido e 59% preparados para a saída da Irlanda do Norte, tudo em nome do ‘Brexit'.

Quando se demitiu, Theresa May declarou o "profundo desgosto" não ter conseguido cumprir a missão de aplicar o ‘Brexit' e incutiu o sucessor a "encontrar um caminho que honre o resultado do referendo", mas defendeu uma saída ordenada.

Mas, se há uma coisa em que Boris Johnson e Jeremy Hunt concordam é que a credibilidade dos políticos e a sobrevivência do partido Conservador dependem da rapidez com que o processo é concluído, de preferência sem recorrer a eleições legislativas.

Para o antigo ‘Mayor' de Londres e favorito para chefiar o governo, o Reino Unido vive uma "crise política nacional" que só será ultrapassada quando o ‘Brexit' ficar resolvido, o qual pretende concluir até ao prazo de 31 de outubro, mesmo se implicar uma saída sem acordo.

"Temos de sair no dia 31 de outubro, porque senão receio que possamos assistir a uma perda catastrófica de confiança nos políticos. Nós empurrámos com a barriga duas vezes. E eu acho que o povo britânico está a ficar completamente cansado, tenha votado para ficar ou para sair", afirmou Boris Johnson, durante um debate na BBC esta semana.

Por sua vez, o atual ministro dos Negócios Estrangeiros também considera que a saída da UE é uma "promessa sagrada" feita pelos conservadores, mas mostra-se mais flexível, admitindo um terceiro adiamento.

"Se chegássemos ao dia 31 de outubro, e não houvesse perspetiva de um acordo para a saída da UE, então eu sairia sem um acordo. Se houvesse uma perspetiva, se estivéssemos quase lá, eu demoraria um pouco mais", afirmou Jeremy Hunt.

O fim do prolongamento do Conselho Europeu será uma das primeiras preocupações do vencedor da eleição interna no partido Conservador quando tomar posse como primeiro-ministro, no final de julho, pois terá apenas mais três meses até ao Dia das Bruxas.

Lusa


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