Escolha as suas informações

Brasil regressa ao mapa da fome com mais de 10 milhões atirados à própria sorte
Mundo 2 min. 28.09.2020

Brasil regressa ao mapa da fome com mais de 10 milhões atirados à própria sorte

Brasil regressa ao mapa da fome com mais de 10 milhões atirados à própria sorte

Foto: Observatório do Terceiro Setor
Mundo 2 min. 28.09.2020

Brasil regressa ao mapa da fome com mais de 10 milhões atirados à própria sorte

Em cinco anos, o número de pessoas sem acesso, sequer, a alimentos básicos disparou em três milhões no país tropical. De volta ao mapa da fome, o Brasil atingiu este ano o menor patamar de pessoas com alimentação "plena" e "regular". O balanço não conta com os milhões de sem-abrigo.

Depois de recuar em mais de metade na última década, a fome voltou a assombrar a população brasileira. Neste aspeto, os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro foram particularmente nefastos, como mostram os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Em cinco anos, o número de pessoas sem acesso regular a uma alimentação básica disparou três milhões, chegando, no total, a 10,3 milhões. Fazendo as contas, o agravamento da situação começou em 2o15, precisamente o ano que ficou marcado pelo processo de destituição de Dilma Rousseff. 

Feito entre junho de 2017 e julho de 2018, o levantamento do IBGE não inclui os milhões de moradores de rua. Quer isto dizer que o rasto de fome no Brasil é ainda mais profundo. Quer também dizer que a paralisação e a crise económica, que acompanha a pandemia do novo coronavírus, não estão contempladas na análise que coloca o país no chamado mapa da fome da ONU. 

Insegurança alimentar

De acordo com o balanço, 63,3% dos domicílios no Brasil tinham, por aquela altura, a chamada segurança alimentar, abaixo dos 65,1% apurados em 2004, ano em que o Brasil foi retirado do roteiro da fome. 

Como explica a Globo, embora o maior número das pessoas em situação de miséria alimentar viva em áreas urbanas, é nas áreas rurais que a falta de alimentos básicos se faz notar mais. 

Segundo o IBGE, dos cerca de 10,3 milhões de famintos no país, 7,7 milhões viviam em perímetro urbano, enquanto 2,6 milhões, em regiões rurais. Todavia, proporcionalmente, estes números representavam, respetivamente, 23,3% do total da população que vivia em área urbana e 40,1% da população rural.

Metade vive no Nordeste, metade são crianças 

O Estado mais penalizado pela fome é o do Nordeste. Dos cerca de 10,3 milhões de brasileiros que passaram fome em 2018, 4,3 milhões viviam na região, o que corresponde a 41,5% do total de famintos no país, quase metade da população total. 

Ao analisar a situação alimentar por faixa etária, chega-se também à conclusão que metade das crianças com até 4 anos de idade vivia em domicílios com algum tipo de insegurança alimentar – 34,2% delas em lares com insegurança alimentar leve, 10,6% com insegurança alimentar moderada, e outros 5,1% com insegurança grave, que caracteriza a fome.

Na faixa etária entre 5 e 17 anos, metade dos jovens, 50,7%, estão confrontados com a fome. Entre os 18 e os 49 anos, esta percentagem foi de 41,2%, enquanto no grupo de 50 a 64 anos este percentual caiu para 34,6%.

Acima dos 65 anos, a proporção de famintos desce para os 21,3%. Ao todo, cerca de 2,7% dos idosos com mais de 65 anos tiveram insegurança alimentar grave no período da pesquisa, ou seja, passaram fome entre 2017 e 2018.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.