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Brasil: Milhões de pessoas exigem "renúncia" de Dilma Rousseff
Mundo 3 min. 17.03.2016

Brasil: Milhões de pessoas exigem "renúncia" de Dilma Rousseff

Brasil: Milhões de pessoas exigem "renúncia" de Dilma Rousseff

REUTERS
Mundo 3 min. 17.03.2016

Brasil: Milhões de pessoas exigem "renúncia" de Dilma Rousseff

Manifestações a pedir a renúncia da Presidente brasileira, Dilma Rousseff, e contra a nomeação do ex-Presidente Lula da Silva para ministro da Casa Civil marcaram a noite de quarta-feira no Brasil.

Manifestações a pedir a renúncia da Presidente brasileira, Dilma Rousseff, e contra a nomeação do ex-Presidente Lula da Silva para ministro da Casa Civil marcaram a noite de quarta-feira no Brasil.

De acordo com a imprensa brasileira, houve manifestações em, pelo menos, seis cidades e 'panelaços' (bater panelas em protesto) em 11 Estados.

Junto do Palácio do Planalto, sede do Governo, em Brasília, a Polícia Militar teve de usar gás pimenta e cassetetes para separar dois grupos de manifestantes que protestavam a favor e contra o Governo.

Um grupo de manifestantes contra a nomeação de Lula da Silva para o Governo tentou entrar no edifício, mas não houve violência.

Lula da Silva, que estava a ser investigado por crimes de corrupção, passou a gozar de imunidade quando Dilma o nomeou há dias ministro da Casa Civil da Presidência da República. O acto foi visto como uma fuga flagrante à justiça e levou milhares de pessoas a manifestar-se por todo o Brasil. Um dos partidos da coligação governamental abandonou mesmo o executivo.
Lula da Silva, que estava a ser investigado por crimes de corrupção, passou a gozar de imunidade quando Dilma o nomeou há dias ministro da Casa Civil da Presidência da República. O acto foi visto como uma fuga flagrante à justiça e levou milhares de pessoas a manifestar-se por todo o Brasil. Um dos partidos da coligação governamental abandonou mesmo o executivo.
AFP

Kim Kataguiri, coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL) que, juntamente com o Vem Pra Rua, promoveram os protestos, disse que os manifestantes não vão deixar o local "até que eles deixem o Governo".

Centenas de pessoas reuniram-se na avenida Paulista, uma das principais vias de São Paulo, bloqueando-a nos dois sentidos, enquanto gritavam pedidos de renúncia.

Alguns manifestantes também protestaram em frente ao Instituto Lula, na zona sul de cidade, onde se encontrava o ex-Presidente, e gritavam ofensas como "ladrão" e "vagabundo", escreve o portal UOL.

Ainda em São Paulo, de acordo com o site G1, num evento com artistas e juristas em defesa de Lula da Silva e Dilma Rousseff, o público gritou: "Não vai ter golpe".

"Não vai ter golpe" e "a nossa bandeira jamais será vermelha" foram algumas das frases registadas em Belo Horizonte, mas ali as pessoas, cerca de 400, protestaram contra o Governo, de acordo com o UOL.

Várias zonas do Rio de Janeiro foram interditadas por causa dos protestos e, segundo a imprensa, ocorreram também manifestações em Porto Alegre e no Recife.

Em Curitiba, os protestos foram a favor do juiz Sergio Moro, responsável pela investigação Lava Jato, que trata de um esquema de corrupção em várias empresas, incluindo a petrolífera Petrobras, e que também investiga Lula da Silva.

Os 'panelaços' ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco, Goiás, Paraná, Pará, Bahia, Amazonas, Alagoas, Paraíba e Ceará.

Neste ambiente de protesto também não faltaram buzinões em diversas cidades do país.

A escolha do ex-chefe de Estado para um dos mais altos cargos no país é vista como uma manobra política, numa altura em que a Presidente Dilma Rousseff arrisca um processo de impugnação.

Além disso, ao entrar para o Governo, Lula da Silva, investigado no âmbito da Operação Lava Jato, passa a ter foro privilegiado, podendo apenas ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal.

Deputados e senadores exigem renúncia da Presidente

Dezenas de deputados da oposição gritaram "renúncia" no plenário da Câmara dos Deputados na quarta-feira, referindo-se à Presidente Dilma Rousseff, após terem sido divulgadas gravações de conversas suas com o ex-chefe de Estado Lula da Silva.

Os deputados reagiram desta forma quando Darcísio Perondi, da ala oposicionista do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) levou ao microfone um áudio com uma voz parecida com a de Lula, de acordo com a imprensa brasileira.

Nos áudios, divulgados antes pelo canal de televisão Globo News, Dilma Rousseff diz a Lula que mandou alguém entregar o termo de posse do ex-Presidente como ministro, para o caso de ser necessário.

As conversas foram gravadas pela Polícia Federal com autorização judicial antes de a Presidente anunciar publicamente que o ex-chefe de Estado seria ministro chefe da Casa Civil.

Ao entrar para o Governo, Lula da Silva, investigado no âmbito da Operação Lava Jato, que analisa um esquema de corrupção na Petrobras, passa a ter foro privilegiado, podendo apenas ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal.

A Polícia Federal diz que as escutas demonstram a tentativa da Presidente de interferir nas investigações.

Após a divulgação do áudio, deputados da oposição a Dilma Rousseff inflamaram-se e a sessão foi encerrada.

Mas mesmo depois disso, alguns permaneceram no plenário, gritando palavras de ordem contra Dilma.

Houve também palavras contra Lula, a quem alguns deputados chamaram "ladrão", dizendo que "o seu lugar é na prisão."

Poucos deputados do Partido dos Trabalhadores (PT), que apoia Dilma e Lula, tentaram defender a Presidente, chamando "golpistas" aos elementos da oposição.

Segundo a imprensa brasileira, houve uma reaxção semelhante no Senado brasileiro.

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