Escolha as suas informações

Brasil é o 9° país mais desigual do mundo, em 189 nações
Mundo 2 min. 26.11.2018 Do nosso arquivo online

Brasil é o 9° país mais desigual do mundo, em 189 nações

Brasil é o 9° país mais desigual do mundo, em 189 nações

Foto: Evaristo Sa/AFP
Mundo 2 min. 26.11.2018 Do nosso arquivo online

Brasil é o 9° país mais desigual do mundo, em 189 nações

O Brasil subiu um degrau no ranking mundial de desigualdade de rendimento, passando a ser o 9º país mais desigual do mundo, num conjunto de 189 nações. A diferença entre ricos e pobres estagnou em 2017, após 15 anos consecutivos de melhoria, revela hoje um relatório da organização não-governamental (ONG) Oxfam.

O estudo, intitulado "País estagnado, um retrato das desigualdades brasileiras" e que analisou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o índice de Gini - instrumento matemático utilizado para medir a desigualdade social-, indica que, no ano passado, o rendimento médio dos 40% mais pobres face à renda média total da população brasileira foi desfavorável para a base da pirâmide.

"A metade mais pobre da população [do Brasil] teve uma redução de 1,6% dos rendimentos entre 2016 e 2017. Os 10% mais ricos tiveram um crescimento de 2% nos seus rendimentos entre 2016 e 2017", pode ler-se no relatório. Com isto o Brasil sobe um degrau no ranking mundial de desigualdade de rendimento, passando a ser o 9º país mais desigual do mundo, num conjunto de 189 países.

Segundo os números a que a Oxfam teve acesso, o número de pobres no Brasil cresceu 11% num ano, atingindo 15 milhões de pessoas em 2017, ou seja, cerca de 7,2% da população. Ao mesmo tempo, ONG também calculou que o rendimento médio do 1% dos mais ricos do país é 72 vezes maior do que o dos 50% mais pobres.

Desigualdade de rendimentos entre géneros e raças aumentam

Separando dados sobre as características da desigualdade no Brasil, o estudo indica que pela primeira vez em 23 anos o rendimento médio das mulheres caiu em relação ao dos homens, passando de uma proporção de 72% para 70%. A diferença salarial entre negros e brancos também aumentou. Em 2016, os negros ganhavam 57% a menos do que os brancos. No ano passado, esta diferença atenuou para 53% dos rendimentos médios.

"Desigualdades raciais são visíveis dentro de escalões específicos de rendimento. Em média, o rendimento disponível da metade mais pobre da população era de 749 reais [169 euros] em 2016, sendo que brancos pobres ganhavam em média 882 reais [199 euros] e negros pobres 634 reais [143 euros]", pode ler-se.

Em 2017, a média geral para estes grupos era de 804 reais [181 euros], sendo que os brancos da metade mais pobre ganhavam 965 reais [218 euros] enquanto negros do mesmo escalão recebiam 658 reais [148 euros]. Em conclusão, durante o ano passado, os negros pobres ficaram ainda mais pobres, tendo-se registado uma redução do rendimento em 2,5%; em sentido contrário os brancos tiveram um aumento de 3% no rendimento, indica a análise.

No, documento a Oxfam expressa a sua preocupação quanto à estagnação do país no que toca às desigualdades económicas, após 15 anos em foi possível retirar milhões de pessoas da pobreza e avançar na redução de desigualdades". "Essa caminhada estagnou", acrescenta. 

"Estamos num momento onde ou retomamos a via de redução das desigualdades ou aprofundamos a separação de brasileiros e brasileiras entre cidadãos e cidadãs de primeira e segunda categoria. Há um longo caminho a ser percorrido para que o país proporcione uma real mobilidade social à sua população", conclui a Oxfam.

Lusa

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Os 26 mais ricos do planeta têm tanto como 3,8 mil milhões de pobres
Um estudo da Oxfam International que vai ser apresentado na cimeira de Davos revela que o mundo está mais desigual: em 2018, A fortuna dos multimilionários cresceu 12% em 2018, a um ritmo de 2.200 milhões de euros por dia, enquanto a riqueza da metade mais pobre da população mundial reduziu 11%, revela um relatório publicado pela Oxfam.