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Brasil é mais do que tanga, caipirinha e favelas e por isso estratégia turística vai mudar
Mundo 4 min. 15.10.2019

Brasil é mais do que tanga, caipirinha e favelas e por isso estratégia turística vai mudar

Brasil é mais do que tanga, caipirinha e favelas e por isso estratégia turística vai mudar

Mundo 4 min. 15.10.2019

Brasil é mais do que tanga, caipirinha e favelas e por isso estratégia turística vai mudar

Durante um fórum internacional dedicado ao turismo em Macau, o presidente da Embratur – Instituto Brasileiro do Turismo, Gilson Machado Neto, disse que há várias “ações ambiciosas” que vão ser enviadas ao Congresso brasileiro ainda este ano, mas que há também uma proposta que está a ser alvo de análise: a abertura de casinos no Brasil.

O presidente da Embratur – Instituto Brasileiro do Turismo disse esta terça-feira em entrevista à Lusa que o Brasil é mais do que caipirinha, tanga e favelas e, por isso, a estratégia para o setor vai mudar.

“Antes era divulgado o Brasil da caipirinha, o Brasil da tanga e o Brasil da experiência em favelas. Não que nós não tenhamos isso”, mas “somos muito mais do que isso”, afirmou Gilson Machado Neto, à margem do Fórum de Economia de Turismo Global, que termina hoje em Macau.


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O Brasil acolhe mais 71 mil migrantes do que há dois anos. Tem atualmente 807 mil pessoas nascidas fora do país, sem contar com os refugiados e requerentes de asilo, sendo 96 mil nesta situação.

“Os nossos números são muito cruéis, nós não passamos dos seis milhões de turistas estrangeiros há mais de dez anos. Macau tem 600 mil habitantes e recebe mais de 40 milhões de turistas por ano. Nós temos 210 milhões de habitantes e recebemos seis milhões de turistas estrangeiros”, contextualizou o responsável, assumindo o objetivo de triplicar o número de turistas estrangeiros no Brasil.

“Nós mudámos o foco e estamos a divulgar o Brasil para todo o mundo”, resumiu, sublinhando que o país “é o número um do mundo em recursos naturais”, razão pela qual há que apostar “no turismo de aventura, no ecoturismo, voltado para a natureza”.

“Ações ambiciosas”, insistiu, que garantiu, “vão triplicar o número de turistas no Brasil”.

“Não temos guerra, não temos furacão, não temos tsunamis ou terramotos, temos uma população muito amigável, todo o mundo é louco pelo brasileiro, 96% das pessoas que vêm ao Brasil têm o desejo de voltar”, frisou Gilson Machado Neto.

Algumas das futuras medidas têm sido adiantadas pelos responsáveis governamentais brasileiros.

“Temos ideia de a nossa equipa apresentar ao Congresso ainda este ano ações para liberalizar a isenção de vistos para chineses, indianos, vietnamitas e indonésios”, afirmou.


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O que significa sobreviver na maior floresta do mundo em tempos de aquecimento global. Um grupo de jovens do Pará levou um espetáculo de dança e troca de experiências a uma escola de Bruxelas.

Uma política a continuar, assinalou, uma vez que a isenção de visto para turistas norte-americanos, canadianos, japoneses e australianos “foi um sucesso: aumentou 230% o número de turistas desses países”.

Casinos no Brasil como os de Macau e Singapura  

Gilson Machado Neto disse ainda que há várias “ações ambiciosas” que vão ser enviadas ao Congresso brasileiro ainda este ano, mas que há também uma proposta que está a ser alvo de análise: a abertura de casinos no Brasil.

“Outra coisa que temos em mente é a liberalização de ‘clusters’ de resorts integrados como este [MGM, em Macau], de casino, no Brasil”, explicou.

“No Brasil o casino ainda é proibido”, lembrou, pelo que é necessário garantir uma mudança legislativa para concretizar esta aposta na indústria do jogo e do lazer.


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A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) reconheceu, em 2003, um conjunto de unidades de conservação, localizadas na região da Amazónia brasileira, como Património Natural da Humanidade.

“É esse modelo de Macau e de Singapura que nós estamos a estudar e vamos apresentar ao Congresso”, precisou Gilson Machado Neto.

Na capital do jogo mundial, onde são esperados cerca de 40 milhões de visitantes este ano, o ministro do Turismo brasileiro já tinha feito questão de apontar, na segunda-feira, uma das apostas para impulsionar ainda mais o turismo e o financiamento privado: os casinos.

“Quero lembrar que o [poder] legislativo no Brasil avalia regulamentar a operação de casinos em ‘resorts’ [integrados], abrindo grandes vias de investimento” no país, sublinhou Marcelo Álvaro António, à margem do Fórum de Economia de Turismo Global, que termina hoje em Macau.

Também na segunda-feira, em resposta a uma pergunta da Lusa, a empresária Pansy Ho disse que “a experiente indústria do jogo de Macau” veria com interesse um possível investimento no Brasil, caso o país opte pela abertura de casinos em ‘resorts’.

A multimilionária e acionista de referência de um dos operadores do jogo em Macau, a MGM China, frisou que não se pode esquecer que o Brasil “é uma das maiores economias da América Latina” e que o interesse dependerá sempre das condições futuras, de critérios e expectativas a serem definidos.


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Apanhada por uma bala perdida, Ághata Félix é a 16° criança morta pela intervenção militar nas favelas cariocas, este ano. O funeral que reuniu centenas transformou-se numa marcha de protesto contra a violência policial no Rio de Janeiro.

“Os operadores e ‘resorts’ integrados de Macau têm obviamente experiência e ‘know how’”, pelo que um investimento nesta área seria sempre atrativo, tanto para os promotores do jogo no território, como outros espalhados pelo mundo, sublinhou aquela que é também embaixadora da Organização Mundial do Turismo, agência especializada da ONU.

Macau, capital mundial do jogo e único território na China onde o jogo em casino é legal, registou, no ano passado, 302,846 mil milhões de patacas (32,796 mil milhões de euros) em receita do jogo, um aumento de 14% em relação face a 2017.

Em Macau existem três concessionárias (Sociedade de Jogos de Macau, Galaxy e Wynn resorts) e três subconcessionárias (Venetian, MGM Resorts e Melco), sendo que metade dos operadores têm capital norte-americano.

Lusa