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Brasil. Centro-direita volta a assumir protagonismo nas eleições municipais
Mundo 2 min. 16.11.2020

Brasil. Centro-direita volta a assumir protagonismo nas eleições municipais

Brasil. Centro-direita volta a assumir protagonismo nas eleições municipais

Foto: Midia Ninja
Mundo 2 min. 16.11.2020

Brasil. Centro-direita volta a assumir protagonismo nas eleições municipais

Candidatos indígenas, negros, comunistas e LGBT também foram a surpresa da noite eleitoral.

A ida às urnas num país tão polarizado como o Brasil geram só por si um elevado nível de expetativa. Não foram exceção as eleições que se realizaram em 5.557 cidades brasileiras no domingo e que foram as primeiras municipais desde que Jair Bolsonaro chegou à presidência do país. No dia 29, há segunda volta para os casos em que não tenha havido candidatos com mais de 50% dos votos.

Excluindo o Distrito Federal, onde a administração do território, incluindo a capital do país, Brasília, é exercida pelo governador, e também Macapá, capital do estado do Amapá, onde a votação foi adiada devido a problemas no abastecimento elétrico, todas as câmaras municipais foram escrutinadas neste ato eleitoral que contou com 95 mil locais de votação e 401.950 seções eleitorais.

Depois da vaga de extrema-direita que arrebatou o Brasil em 2018, encabeçada pela família Bolsonaro, houve lágrimas de tristeza e felicidade para todos os gostos. Por um lado, os partidos de centro-direita reconduziram prefeitos e conquistaram novos municípios dando oxigénio a uma corrente política que perdeu poder com o bolsonarismo.

Das sete capitais brasileiras que já escolheram os seus representantes, todas escolheram candidatos deste espectro político: Rafael Greca (DEM) em Curitiba, Gean Loureiro (DEM) em Florianópolis, Alexandre Kalil (PSD) em Belo Horizonte, Marquinhos Trad (PSD) em Campo Grande, Álvaro Dias (PSDB) em Natal e Cinthia Ribeiro (PSDB) em Palmas. Com quase 63,5% dos votos, Kalil quebrou em 2016 a longa tradição da centro-esquerda em Belo Horizonte, onde PT e PSB se revezavam no comando da prefeitura desde 1993. 

Se o PT, por outro lado, ainda não se consegue recompor totalmente da queda abrupta em 2016, ano em que Dilma Rousseff foi objeto de um impeachment, muitos dos inimigos de Jair Bolsonaro assumiram protagonismo nestas eleições. O partido de Lula da Silva elegeu um prefeito em Rio Branco e tem a possibilidade de eleger Marília Arraes em Recife contra João Campos (PSB).

Mas em São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL), do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, com o apoio do PT, vai enfrentar Bruno Covas (PSDB) na segunda volta. Outra figura destacada da esquerda, a dirigente comunista Manuela D'Ávila (PCdoB), vai enfrentar Sebastitão Melo (MDB) em Porto Alegre. Em Salvador, Maria Marighella, eleita vereadora pelo PT, é neta de Carlos Marighella, histórico comunista assassinado durante a ditadura. 

Já no Rio de Janeiro, foi eleita vereadora a arquiteta Mônica Benício (PSOL), ativista LGBT, e viúva da vereadora Marielle Franco, cujo autoria do assassinato é apontada por muitos à família Bolsonaro. Em Cuiabá, em Mato Grosso, Edna Sampaio vai ser a primeira vereadora negra da cidade e nos municípios de Resplendor (Minas Gerais) e de Marechal Thaumaturgo (Acre), os índigenas Geovani Krenak e Isaac Piyako foram eleitos levando às autarquias rostos da luta contra o desmatamento das florestas e das crescentes ameaças contra a demarcação indígena.

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