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Brasil. Bolsonaro procura reeleição contra "comunismo" de Lula
Mundo 3 min. 24.07.2022
Política

Brasil. Bolsonaro procura reeleição contra "comunismo" de Lula

Bandeiras de apoio a Bolsonaro na convenção nacional do Partido Liberal (PL), este domingo
Política

Brasil. Bolsonaro procura reeleição contra "comunismo" de Lula

Bandeiras de apoio a Bolsonaro na convenção nacional do Partido Liberal (PL), este domingo
Foto: Mauro PIMENTEL/AFP
Mundo 3 min. 24.07.2022
Política

Brasil. Bolsonaro procura reeleição contra "comunismo" de Lula

Lusa
Lusa
O atual presidente foi este domingo nomeado candidato oficial nas eleições de 2 de outubro.

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, foi este domingo nomeado oficialmente candidato à reeleição nas eleições de 2 de outubro, numa convenção focada no voto das mulheres, dos nordestinos e contra o “comunismo” do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O líder brasileiro assumiu a candidatura às eleições presidenciais de 2 de outubro durante a convenção Partido Liberal que reuniu cerca de 10.000 apoiantes, maioritariamente vestidos com as cores da bandeira do Brasil, um símbolo que foi “capturado” pela campanha do presidente brasileiro.

No evento no pavilhão desportivo do Maracanazinho no Rio de Janeiro, terra natal de Bolsonaro, marcaram presença vários ministros do Governo e figuras políticas, tais como o ex-presidente Fernando Collor de Mello, o ex-jogador de futebol e senador Romário, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e ainda a dupla sertaneja Mateus e Cristiano que cantaram o hino da campanha.

O general de reserva do exército Walter Souza Braga Netto foi também confirmado como o candidato a vice-Presidente.

Bolsonaro compara confinamento a "ditadura"

Bolsonaro deu a primeira palavra à sua mulher Michelle, que numa mensagem com um tom altamente religioso recordou o ataque de que Bolsonaro foi vítima há quatro anos e elogiou as qualidades do seu marido, do qual ela disse "ele é o escolhido de Deus" para liderar o Brasil.


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O Presidente brasileiro reagiu desta forma à possibilidade de um processo de impeachment para a sua destituição.

Durante o seu discurso, Bolsonaro piscou o olho ao voto das mulheres e aos nordestinos, uma região que maioritariamente apoia Lula.

Citando a construção de eólicas offshore na costa do Nordeste o Presidente brasileiro afirmou: “O nosso Nordeste, tão esquecido por aqueles que diziam amar o nosso povo de lá”.

Bolsonaro voltou ainda a criticar a política do “ficar em casa” durante a pandemia, acusando governadores e prefeitos de terem retirado liberdades à população brasileira, uma dos mais atingidas no mundo ao contabilizar mais de 675.000 vítimas mortais de covid-19 e mais de 33 milhões de casos confirmados.

“Sentimos na pele o que é uma ditadura. Mas o tempo passa, as feridas cicatrizam”, disse.

Numa alusão a Lula, sem referir o nome, os seus apoiantes apressaram-se logo a cantar: “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”.

Presidente critica Supremo Tribunal Federal

“Esse cara”, disse Bolsonaro referindo-se ao ex-Presidente brasileiro e favorito à vitória nas eleições, quer “legalizar aborto, drogas” e impor a ideologia de género no país.

Garantindo que tudo fará para “não ver sentado naquela cadeira um comunista”, Bolsonaro disse que por causa das políticas de esquerda os seus vizinhos Venezuela, Chile e Argentina tornaram-se Estados falidos e pobres, procurando fazer a comparação com o que acontecerá caso Lula vença.

Entre leituras de passagens bíblicas, o presidente brasileiro convocou ainda os seus apoiantes a participarem numa manifestação no dia 1 de setembro, dia em que o país celebra os 200 anos da sua independência.

“Nós somos a maioria, nós somos todos do bem. Nós temos a disposição para lutar pela nossa liberdade, pela pátria. Convoco todos vocês agora para que todo mundo, no 7 de setembro, vá as ruas pela última vez. Vamos às ruas pela última vez”, disse.

O Supremo Tribunal Federal, uma vez mais, não passou incólume às criticas do presidente brasileiro.

Bolsonaro inflamou os seus apoiantes ao afirmar: "Hoje sabemos o que é". De seguida o público gritou que "Supremo é o povo".

Lula lidera todas as sondagens

Nos últimos meses, além de insistir que o sistema de votação eletrónica do país não é confiável, Bolsonaro tem intensificado os ataques a magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF), tem dito que não respeitará determinadas decisões judiciais e tem pedido, repetidamente, a participação de militares no apuramento dos votos.


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"Podia ficar em casa, manter o título de melhor Presidente da história do Brasil e viver os últimos anos da minha vida, mas estou a ver um país a ser destruído", declarou no primeiro discurso após o anúncio.

Na terça-feira, o presidente brasileiro intensificou a sua campanha contra o voto em urnas eletrónicas num encontro convocado por si com dezenas de embaixadores, durante o qual colocou o sistema de votação em causa, sem apresentar provas.

Na quinta-feira, o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva lançou a sua candidatura à Presidência ao lado do político conservador e ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que concorrerá consigo ao cargo de vice-presidente. Horas antes, o seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT) formalizou o apoio a Lula.

Lula da Silva lidera todas as sondagens sobre as intenções de voto nas presidenciais brasileiras, com média de cerca de 44% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro tem o apoio de pouco mais de 30% dos eleitores.

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