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Brasil. Bolsonaro derrotado nas eleições municipais
Mundo 3 min. 30.11.2020

Brasil. Bolsonaro derrotado nas eleições municipais

Brasil. Bolsonaro derrotado nas eleições municipais

Foto: Leco Viana/TheNEWS2 via ZUMA Wir
Mundo 3 min. 30.11.2020

Brasil. Bolsonaro derrotado nas eleições municipais

Os candidatos apoiados pelo presidente brasileiro sofreram uma pesada derrota nas autárquicas brasileiras.

Em geral, a escolha dos eleitores brasileiros na primeira e segunda voltas caiu sobre candidatos com propostas que iam ao encontro de preocupações concretas como saúde, educação e emprego.

Depois de apurados os votos da segunda volta, a crise económica e a pandemia marcaram claramente a intenção de voto dos brasileiros. Se em São Paulo Bruno Covas foi eleito com 59% dos votos válidos procurando afastar-se da imagem deixada pela administração de João Doria, o concorrente de esquerda, Guilherme Boulos, teve um resultado muito expressivo. Conseguiu mais de 2 milhões de votos e fazer crescer o eleitorado ao seu redor. 

Desponta como uma das novas lideranças da esquerda brasileira e um nome importante para a composição de forças para as eleições de 2022. “Não foi dessa vez, mas a gente vai vencer”, disse o candidato oriundo do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. Por outro lado, o candidato que recebeu o apoio do presidente Jair Bolsonaro tinha já naufragado na primeira volta. Celso Russomanno, do Republicanos, obteve apenas 10% dos votos.

Das maiores capitais do país, os candidatos bolsonaristas não conquistaram nenhuma. Vencedor na segunda volta com 64% dos votos contra o candidato do presidente Bolsonaro que tentava a reeleição, Eduardo Paes, do DEM, arrebatou o Rio de Janeiro.

Em Fortaleza o candidato do bolsonarismo até tentou mudar o discurso e chegou a melhorar os resultados mas não foi bem-sucedido. “Ele veio na vaga da segurança pública e tal, tentou mudar a lógica do discurso e começou a falar que o grande problema de segurança era uma questão social e não de polícia tentando desgrudar sua imagem da do presidente de qualquer forma”, afirmou Fernando Abrucio, professor da Fundação Getulio Vargas, ao El País. A estratégia não funcionou e Sarto Nogueira, candidato do PDT e de Ciro Gomes, venceu o Capitão Wagner, do PROS, com 51% dos votos válidos.

Abrucio apontou que em Goiânia o senador Vanderlan Cardoso, do PSD, começou a apresentar uma queda acentuada nas sondagens quando abraçou o discurso bolsonarista e passou a defender na campanha o presidente e o seu governo. Mesmo entubado na unidade de cuidados intensivos com covid-19, Maguito Vilela, do MDB, ganhou com 52% dos votos válidos.

Em Belém, foi Edmilson Rodrigues (PSOL) que venceu com 51,76% dos votos válidos. O candidato de esquerda derrotou Everaldo Eguchi (Patriota), um ex-delegado da Polícia Federal.

Já em Porto Alegre, Sebastião Melo, do MDB, venceu Manuela D’Ávila (PCdoB) com 54% dos votos válidos mas também graças a um discurso focado na saúde, emprego e educação. Na capital gaúcha, porém, a vinculação errada de Manuela à extrema esquerda, segundo o El País, teve algum peso na reta final.

Outro investigador, Vinicius do Valle sustentou que “o centro-direita é o principal vencedora porque conseguiu descolar-se da imagem de Bolsonaro e colocar-se como uma força política em si, apesar de ainda não ter um nome muito forte ou definido. Virou um desafio para o presidente”.

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