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Boris. Os três anos no poder de um político nada convencional
Mundo 2 3 min. 07.07.2022
Reino Unido

Boris. Os três anos no poder de um político nada convencional

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Boris. Os três anos no poder de um político nada convencional

Foto: AFP
Mundo 2 3 min. 07.07.2022
Reino Unido

Boris. Os três anos no poder de um político nada convencional

Redação
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Para além da demissão anunciada nesta quinta-feira, a passagem de Boris Johnson pelo Governo fica marcada pelo Brexit, pandemia, acusações de violação das restrições sanitárias e escândalos sexuais.

Boris Johnson chegou ao poder de forma triunfante, em 2019, e passou três anos à frente do Governo britânico. O percurso do primeiro-ministro foi manchado por vários escândalos e o homem que se agarrou ao cargo a todo o custo acabou por se demitir esta quinta-feira, "empurrado" pelos próprios colegas do partido conservador.

A cronologia abaixo destaca os momentos mais importantes de um político que já marcou a história da política britânica.   

Julho de 2019: vitória triunfante

Boris Johnson é eleito chefe do Partido Conservador a 23 de julho de 2019, após uma vitória esmagadora sobre o Secretário dos Negócios Estrangeiros, Jeremy Hunt. No dia seguinte, é nomeado primeiro-ministro pela Rainha Isabel II, e logo promete uma saída rápida da União Europeia.

Janeiro de 2020: Brexit

Maioria histórica na Câmara dos Comuns para os Conservadores, em dezembro de 2019, após uma eleição geral antecipada. Os deputados aprovam o acordo Brexit, a 31 de janeiro de 2020, três anos e meio após o referendo. O Reino Unido deixa a União Europeia, para choque da comunidade internacional. 

Abril de 2020: pandemia e cuidados intensivos

Boris anuncia a 27 de março que deu positivo para a covid-19, depois de ter experimentado sintomas ligeiros. A 5 de Abril, é hospitalizado. No dia seguinte, é transferido para os cuidados intensivos e aí permanece durante três dias. Acaba por recuperar totalmente. 

Abril 2021: os primeiros escândalos

O primeiro-ministro tem sido criticado desde o início da pandemia pela gestão da crise sanitária, sendo acusado de ser lento a reagir. Em abril de 2021, negou ter feito comentários controversos em que se opunha a um terceiro confinamento. Johnson debate-se com um escândalo de lobby que envolve membros do Governo e um financiamento avultado da renovação de Downing Street, residência e gabinete oficial.

Maio de 2021: reforço nas urnas eleitorais

O partido Conservador ganha terreno contra os Trabalhistas nas eleições locais de 6 de maio de 2021.

Dezembro 2021: 'partygate'

No início de dezembro, acumulam-se revelações sobre várias festas ilegais organizados pelo Governo durante os confinamentos. A lista cresceu nas semanas seguintes e foram abertas investigações. A 12 de abril, Boris Johnson anunciou que tinha sido multado pela polícia por infringir a lei - sem precedentes para um líder em exercício - ao participar numa festa surpresa de aniversário em Downing Street, em junho de 2020. As suas explicações variam, mas ele assegura ao Parlamento que não quebrou as regras. 

Maio de 2022: contratempo eleitoral

O escândalo faz com que a popularidade do primeiro-ministro desça e o povo britânico, estrangulado pela inflação, garante-lhe uma derrota nas eleições locais de cinco de maio.

Junho 2022: voto de confiança

A seis de junho, Johnson sobrevive a um voto de confiança no seu Partido Conservador. Mais de 40% dos deputados disseram já não ter confiança no primeiro-ministro, o que se reflete num mal-estar generalizado em  Downing Street.

Julho 2022: escândalos sexuais

Além do "partygate", houve uma série embaraçosa de escândalos sexuais entre os Conservadores, incluindo um suspeito de violação preso e depois libertado sob fiança, em meados de maio, e um antigo deputado condenado a 18 meses de prisão pela agressão sexual de um adolescente. A cinco de julho, Boris Johnson pede desculpa e reconhece um "erro" na nomeação de Chris Pincher, responsável pela disciplina parlamentar dos deputados conservadores, para o seu governo, apesar de ter sido informado de acusações de assédio sexual contra ele.  

A demissão


Boris Johnson demite-se. "É clara a vontade do Partido Conservador"
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, demitiu-se hoje como líder dos conservadores, mas disse que se manterá na chefia do Governo até ser substituído à frente do partido.

No mesmo dia, cansados dos escândalos, dois ministros superiores demitiram-se. Ao meio-dia de 7 de Julho, cerca de 60 membros do governo tinham-se demitido. Boris Johnson renuncia finalmente ao cargo de líder do Partido Conservador, abrindo caminho para a nomeação de um novo Primeiro-Ministro, nos próximos meses.  

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A indignação causada pelas alegadas "festas" no Governo britânico que violaram as restrições da pandemia covid-19, escândalo conhecido por 'Partygate', aumentou a probabilidade de o primeiro-ministro, Boris Johnson, ser forçado a sair.