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Boris Johnson vai ter maioria absoluta nas legislativas, apontam especialistas em sondagens
Mundo 4 min. 07.12.2019 Do nosso arquivo online

Boris Johnson vai ter maioria absoluta nas legislativas, apontam especialistas em sondagens

Boris Johnson vai ter maioria absoluta nas legislativas, apontam especialistas em sondagens

Stefan Rousseau/PA Wire/dpa
Mundo 4 min. 07.12.2019 Do nosso arquivo online

Boris Johnson vai ter maioria absoluta nas legislativas, apontam especialistas em sondagens

Vitória é a consequência da "exaustão" dos britânicos com o processo do 'Brexit' e a escolha do "melhor" entre dois maus líderes, diz Page.

Uma maioria absoluta do Partido Conservador é o resultado mais provável das eleições legislativas britânicas de 12 de dezembro, mas ainda é possível que os eleitores decidam manter o parlamento dividido, dizem os especialistas em sondagens.

Para o diretor da empresa Ipsos Mori, Ben Page, a vitória dos 'tories' é uma consequência da "exaustão" dos britânicos com o processo do 'Brexit' e uma escolha do "melhor" entre dois maus líderes partidários, Boris Johnson e Jeremy Corbyn.

"Parece que os conservadores vão ganhar as eleições, alimentadas por uma exaustão geral. A divergência sobre o 'Brexit' esgotou toda a gente, apesar de todo o processo ser uma confusão total. O público cansou-se e escolheu o candidato mais provável para completá-lo e, também, o melhor entre os maus, que é Boris Johnson", afirmou à agência Lusa.

O estudo de opinião mais recente desta empresa, divulgado na sexta-feira, indica uma vantagem de 12 pontos percentuais entre os 42% de intenções de voto no Partido Conservador e 32% no Partido Trabalhista, enquanto que os Liberais Democratas caíram para 13% e o Partido do Brexit para 2%.

Outras sondagens têm mostrado diferenças maiores ou mais menores, entre 15% e 6%, mas a média tem sido em redor dos 10 pontos ao longo das quatro semanas de campanha desde que as eleições foram convocadas, no final de outubro, e sempre com o 'Labour' em segundo lugar.

Boris Johnson menos maus que Corbyn

A mesma sondagem da Ipsos Mori confirma tendências registadas por outros estudos: os britânicos têm uma imagem negativa do primeiro-ministro e líder conservador, Boris Johnson, resultando numa classificação negativa de -20, mas a do líder trabalhista, Jeremy Corbyn, é muito pior, de -44.

"A diferença ainda é maior do que entre os partidos", vinca Page.

Os especialistas em sondagens têm sido cautelosos nas previsões devido aos erros registados nas eleições legislativas de 2017, quando a maioria das sondagens não antecipou uma recuperação de Jeremy Corbyn relativamente a Theresa May, fazendo os conservadores perderem a maioria absoluta.

Na altura, o único estudo que previu um parlamento sem maioria absoluta [hung parliament] foi da empresa YouGov, usando um método inovador chamado Multilevel 'regression and poststratification' (MRP), que prognosticou com sucesso a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA em 2016.

A única sondagem que aplicou esta metodologia nestas eleições legislativas de 12 de dezembro foi publicada pelo jornal The Times no final de novembro e concluiu em geral o mesmo que as outras sondagens, ou seja, que o Partido Conservador vai ter uma maioria absoluta confortável.

Conservadores com "70% dos votos"

O académico John Curtice, descrito muitas vezes como "guru das sondagens" devido à experiência e idoneidade, adiantou que estas eleições estão a ser marcadas pelo 'Brexit' e que o Partido Conservador conseguiu concentrar mais votos dos eleitores eurocéticos do que o Trabalhista dos eleitores pró-europeus.

"Os Conservadores têm agora 70% dos votos dos eleitores favoráveis à saída, enquanto que o 'Labour' tem apenas metade do voto dos que querem ficar [na União Europeia]. E é esse diferencial que é absolutamente central para o resultado provável destas eleições", disse, num encontro com jornalistas estrangeiros.

Mas também lembrou exemplos de eleições com reviravoltas dramáticas como, por exemplo, em fevereiro de 1974, quando o primeiro-ministro conservador, Edward Heath, conseguiu mais votos, mas elegeu menos três deputados do que o trabalhista Harold Wilson.

Tudo ainda pode acontecer

"Nem o modelo MRP nem as sondagens normais nos dizem o que pode acontecer nos próximos dias, nem se as coisas podem mudar", alertou Joe Greenwood, académico da universidade London School of Economics, especialista em opinião pública e participação política.

Uma das dificuldades das previsões eleitorais no Reino Unido é o sistema de voto de maioria simples [First Past the Post] em círculos uninominais, onde as vitórias podem ser influenciadas por fatores locais e decididas por poucos votos.

Os especialistas concordam que, atualmente, Boris Johnson encaminha-se para uma maioria absoluta dos 650 assentos da Câmara dos Comuns, cuja proporção pode variar, mas se a margem para o Partido Trabalhista descer para apenas 6%, o risco de um parlamento dividido é maior.

"O desafio com o sistema eleitoral britânico é que não temos representação proporcional. É possível obter 35% dos votos, como Tony Blair [em 2005] e conseguir uma maioria, ou 36% como David Cameron [em 2010] e não ter deputados suficientes e ser obrigado a formar uma coligação", explicou Ben Page à Lusa.

Lusa


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