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Boris Johnson preocupado com explosão de violência na Irlanda do Norte
Mundo 2 min. 08.04.2021

Boris Johnson preocupado com explosão de violência na Irlanda do Norte

Boris Johnson preocupado com explosão de violência na Irlanda do Norte

Foto: Liam Mcburney/PA Wire/dpa
Mundo 2 min. 08.04.2021

Boris Johnson preocupado com explosão de violência na Irlanda do Norte

Só nos últimos dias, mais de meia centenas de polícias ficaram feridos nos confrontos.

O parlamento da Irlanda do Norte começou a discutir com caráter de urgência, esta quinta-feira, soluções para pôr termo à violência nas ruas, desencadeada pelos radicais lealistas, defensores da união com o Reino Unido, que contestam algumas das consequências do brexit.

Em mais de uma semana de confrontos com as autoridades, há mais de 50 polícias feridos e avultados prejuízos materiais. Pela primeira vez desde o princípio deste surto de violência, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse estar "profundamente preocupado" e apelou às várias fações da Irlanda do Norte para que encontrassem uma solução. "A forma de resolver as diferenças é através do diálogo, não através da criminalidade ou da ação criminosa", afirmou. O ministro britânico para a Irlanda do Norte, Brandon Lewis, deslocou-se urgentemente a Belfast para participar na procura de uma solução.

Desta vez a fonte da tensão tem sido a comunidade unionista, a população protestante a favor de que a Irlanda do Norte permaneça no Reino Unido. O Acordo de Sexta-feira Santa de 1998 trouxe a paz de volta à ilha, mas a violência sectária nunca desapareceu por completo. Tende a ressurgir com a mínima faísca. Desta vez, porém, tem sido várias faíscas ao mesmo tempo, e os políticos da Irlanda do Norte começaram a temer que se torne mais difícil de controlar.

O Protocolo da Irlanda do Norte, o documento anexo ao Acordo de Retirada do Reino Unido da UE, deixou este território britânico dentro da área aduaneira do Mercado Interno da UE. Era a forma de evitar a imposição de uma nova fronteira que dividisse a Irlanda e ressuscitasse o conflito. A República da Irlanda é hoje o único território da UE com o qual o Reino Unido partilha uma fronteira física, mas qualquer habitante da ilha pode mover-se à vontade através de uma fronteira que permanece invisível. Os políticos unionistas, que se sentem traídos pela decisão de Londres, refletem o sentimento de frustração e abandono entre a comunidade protestante. 

Embora nenhuma autoridade tenha até agora produzido provas conclusivas, a convicção generalizada entre a sociedade da Irlanda do Norte e os seus políticos aponta para os ex-grupos paramilitares unionistas como os responsáveis pela tensão. 

"A destruição, a violência ou a ameaça de violência é completamente inaceitável e injustificável, quaisquer que sejam as preocupações que existam em diferentes comunidades", declarou o governo descentralizado da Irlanda do Norte, no qual republicanos e unionistas partilham o poder, numa declaração esta quinta-feira. "Aqueles que procuram usar e abusar das nossas crianças e jovens para cometer estes ataques não têm lugar na nossa sociedade".

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