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Boris Johnson. De derrota em derrota até ao Brexit final
Mundo 3 min. 25.09.2019 Do nosso arquivo online

Boris Johnson. De derrota em derrota até ao Brexit final

Boris Johnson. De derrota em derrota até ao Brexit final

Foto: REUTERS
Mundo 3 min. 25.09.2019 Do nosso arquivo online

Boris Johnson. De derrota em derrota até ao Brexit final

Boris Johnson insiste na saída do Reino Unido da União Europeia, com ou sem acordo, apesar da inédita suspensão tomada por unanimidade por 11 juízes do Supremo Tribunal contra a suspensão do parlamento.

Em dois curtos meses de governo, Boris Johnson já sofreu seis inesperadas derrotas na Câmara dos Comuns, a somar hoje à pesada derrota infligida pelo Supremo Tribunal sobre a ilegalidade da sua decisão de suspender o parlamento e por ter aconselhado erradamente a Rainha.

Ausente do país, em Nova Iorque, para assistir à Assembleia Geral da ONU, o Primeiro-Ministro britânico disse aos jornalistas que a decisão do Supremo significa que há pessoas que querem “frustrar o Brexit” e impedir o Reino Unido de sair da União Europeia.

O veredicto do supremo tribunal não foi só uma pesada derrota como apanhou claramente Boris Johnson desprevenido porque, mal aconselhado pelos advogados do governo, estava convencido que o tribunal se recusaria a decidir sobre a suspensão do parlamento, por alegadamente se tratar de uma matéria exclusivamente política.

A decisão do tribunal não vai mudar as intenções de Boris Johnson de sair da UE até 31 de Outubro, com ou sem acordo, até porque não se vislumbra uma maioria no Parlamento que resolva este imbróglio.

Boris Johnson disse em Nova Iorque que o seu governo discorda, mas vai respeitar a decisão do Supremo Tribunal, admitindo, no entanto, que possa aprovar nova suspensão parlamentar, eventualmente mais curta. “Como a lei declara, o Reino Unido sairá (a UE) a 31 de Outubro e estou muito confiante de que obteremos um acordo e que os deputados se unirão e trabalharão a favor do interesse nacional”, disse.

“É nisto que estamos a trabalhar. E para ser honesto este tipo de coisas não facilita no parlamento ou nos tribunais”, disse.

Muito à semelhança do comportamento de Donald Trump, ao qual nada parece embaraçar, por mais comprometedora e vergonhosa que seja cada nova revelação, Boris Johnson parece determinado em ir de derrota em derrota até um Brexit final sem acordo.

Em termos práticos, a decisão pouco irá mudar a rota seguida por Downing Street sobre o Brexit. Agora os deputados trabalhistas, liberais e conservadores cépticos poderão exigir comissões de inquérito ou colocar perguntas ao governo sobre as consequências de uma saída abrupta sem acordo da União Europeia.

Os parlamentares já tinham aprovado legislação que teoricamente impedirá Johnson de insistir numa saída da UE mesmo sem acordo. Ao primeiro-ministro resta a concertação com a direita parlamentar, sob promessa de um acordo com Bruxelas, se quiser sair a 31 de outubro sem “ifs or buts”.

Contudo, o dia de hoje é considerado pela generalidade dos comentadores como “histórico” depois da decisão do tribunal considerar “ilegal” a suspensão do parlamento.

Este seria o momento certo para a Câmara dos Comuns apresentar um voto de desconfiança em Boris Johnson e no seu governo, o que se antevê de concretização difícil, dada a actual aritmética do parlamento.

Embora os trabalhistas de Jeremy Corbin o possam vir a fazer será extremamente difícil reunir uma maioria com os liberais, conservadores descontentes e os escoceses.

"A decisão de aconselhar Sua Majestade a suspender o parlamento foi ilegal porque teria o efeito de frustrar ou impedir a capacidade o parlamento de desempenhar a sua missão constitucional sem justificação razoável”, afirmou Brenda Hale, a presidente do Supremo Tribunal.

"O Parlamento não foi suspenso. Esta é a decisão unânime de 11 juízes”, acrescentou. “Cabe agora ao parlamento e em especial ao seu presidente decidir o que fazer a seguir”.

Mas o homem que se considera a emulação de Winston Churchill não desiste dos seus delírios de grandeza e, mesmo sem o prometer, pode acabar por dar aos britânicos “sangue, suor e lágrimas”.

SRS

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