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Bolsonaro nega que Amazónia esteja a arder e diz que Brasil é atacado injustamente
Mundo 2 min. 12.08.2020

Bolsonaro nega que Amazónia esteja a arder e diz que Brasil é atacado injustamente

Bolsonaro nega que Amazónia esteja a arder e diz que Brasil é atacado injustamente

Foto: AFP
Mundo 2 min. 12.08.2020

Bolsonaro nega que Amazónia esteja a arder e diz que Brasil é atacado injustamente

Lusa
Lusa
O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, negou na terça-feira que a Amazónia esteja a arder e afirmou que o Brasil é atacado de maneira injusta em relação à sua política ambiental, que garante ser de "tolerância zero".

As declarações do chefe de Estado foram proferidas numa videoconferência com outros Presidentes e embaixadores sul-americanos, que visou discutir a preservação do meio ambiente na região da Amazónia.

"Essa história de que a Amazónia arde em fogo é uma mentira. E nós devemos combater isso com números verdadeiros. É o que estamos a fazer aqui no Brasil", disse Bolsonaro, citado pela imprensa local.

"Nós bem sabemos da importância dessa região para todos nós, bem como dos interesses de muitos países. E também sabemos o quanto nós somos criticados de forma injusta por parte de muitos países do mundo. Nós, com perseverança, determinação e verdade, devemos resistir", acrescentou.

O Presidente brasileiro relacionou ainda as críticas que o país recebe em relação à preservação ambiental com o facto de ser uma "potência do agronegócio", responsabilizando ainda a imprensa e o "alguns Governos estrangeiros" por divulgar uma realidade que diz não corresponder à verdade.

Organizado pela Colômbia e Peru, o encontro virtual foi realizado quase um ano após a assinatura do "Pacto de Letícia", em que sete países (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru, Guiana e Suriname) estabeleceram medidas para preservar a Amazónia, maior floresta tropical do mundo.

Contudo, apesar de Jair Bolsonaro afirmar que a sua política é de "tolerância zero" para com os ilícitos ambientais, a destruição da Amazónia brasileira aumentou 34,5% em 12 meses contados entre julho deste ano e o mesmo mês de 2019, segundo um relatório divulgado na semana passada pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE).

De acordo com o INPE, órgão tutelado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil, nos últimos 12 meses os alertas de destruição cobriram um total de 9.205 quilómetros quadrados dentro da maior floresta tropical do mundo.

O número supera os alertas registados no período anterior, que detetaram risco de desflorestação em 6.844 quilómetros quadrados da floresta até julho de 2019, ano em que a Amazónia sofreu os piores incêndios numa década.

O aumento dos alertas indicia que a desflorestação e os incêndios na Amazónia brasileira podem ser ainda mais graves nesta temporada do que foram no ano passado, quando a devastação daquela região alarmou o mundo.

Os dados divulgados na sexta-feira somam-se a outros relatórios oficiais recentes, que mostram um aumento acentuado dos incêndios na Amazónia brasileira.

Em comunicado, o Observatório do Clima, uma aliança de organizações da sociedade civil brasileira para discutir mudanças climáticas, criticou a política governamental de Bolsonaro, que considerou ser responsável pela devastação acelerada da mais importante floresta tropical do planeta.

“A explosão do desmatamento na Amazónia tem como causa importante o discurso do Presidente da República, que deslegitima a fiscalização ambiental ao mesmo tempo em que estimula a ocupação da região em modelo predatório”, frisou Suely Araújo, especialista sénior em Políticas Públicas do Observatório do Clima.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta, com cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados, e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

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