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Bolsonaro e Haddad rumam à segunda volta
Mundo 4 min. 25.09.2018 Do nosso arquivo online

Bolsonaro e Haddad rumam à segunda volta

Bolsonaro e Haddad rumam à segunda volta

Fotos: AFP
Mundo 4 min. 25.09.2018 Do nosso arquivo online

Bolsonaro e Haddad rumam à segunda volta

Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Apesar de apoiado pelos grandes empresários e pelos grandes grupos de comunicação social o candidato apoiado pela maior parte do governo de Brasília não descola nas sondagens.

A última sondagem da Datafolha mostra dá 28% ao candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL) e 22% ao candidato do PT, Fernando Haddad. Pela primeira vez, desde 20 de agosto, e também desde o atentado que sofreu, que o candidato da extrema-direita não sobe nas intenções de votos. Mas as más notícias para Bolsonaro não ficam por aí: a sua taxa de rejeição (os eleitores que em nenhuma circunstância dizem não votar no candidato de extrema-direita, subiu para 46% e o candidato do PT continua a subir e a encurtar as distâncias, e pela primeira vez, de uma forma significativa, posiciona-se na segunda volta para derrotar Bolsonaro. Segundo a sondagem, Haddad bate o ex-capitão do exército por 43% contra 37% numa segunda volta.

Desse ponto de vista, a sondagem conduzida de 22 de setembro a 23 de setembro, abordando 2 506 eleitores, dá que Bolsonaro perde a segunda volta com o candidato do PT, mas também com Ciro Gomes, do PDT, e Geraldo Alckmin (PSDB), só tendo hipóteses com Marina Silva (Rede), que volta a cair nas sondagens.

Os principais candidatos têm a seguinte variação, em relação à anterior sondagem: Bolsonaro tem 28%, mantém a votação; Haddad passa de 19% para 22%; Ciro Gomes fica-se pelos mesmos 11% das intenções de votos; Geraldo Alckim obteria 8% dos votos, mais um que na anterior sondagem; e Marina Silva perde um ponto percentual e está com 5%.

A sondagem é a primeira realizada depois da mudança de estratégia de propaganda do candidato apoiado pelos principais órgãos de comunicação social, pelos partidos que apoiam o atual governo brasileiro e pelas principais organizações empresariais, Geraldo Alckim. O candidato do PSDB, que tem a maioria esmagadora do tempo de antena televisivo disponível, passou a atacar nos seus spots diretamente Jair Bolsonaro. A estratégia não conseguiu aumentar muito as intenções de voto do homem apoiado pelo PSDB e por muitos sectores do PMDB, mas poderá ter tido efeitos na perceção que os eleitores têm sobre Bolsonaro. O antigo capitão do exército não só deixou de crescer nas intenções de voto, como aumentou em muito a sua taxa de rejeição. Recorde-se que depois do atentado o número de eleitores que garantiam jamais votar no candidato da extrema-direita tinha caído para 41% dos votantes, e neste momento, com 46% é superior, é superior, em dois pontos, à rejeição que Bolsonaro tinha nas sondagens efetuadas antes do atentado de 6 de setembro.

Do ponto de vista de saúde, Jair Bolsonaro saiu pela primeira vez dos cuidados intensivos, e, depois das duas operações a que foi sujeito, deu a sua primeira entrevista à Rádio Jovem Pan, que foi transmitida ao vivo pelo o Youtube. Nessa conversa, o candidato de extrema-direita afirma que a Polícia Federal está a abafar a investigação do seu atentado, ao defenderem os investigadores que o homem que defendeu a facada, Adelio Bispo, tinha agido sozinho, e que não havia indícios de implicação de forças políticas nos golpes que hospitalizaram Bolsonaro. O candidato não poupou críticas à Polícia Federal: “pelo que ouvi dizer, não tenho a certeza ainda, a Polícia Civil de Juiz de Fora (localidade em que foi ferido Bolsonaro) está bem mais avançada que a Polícia Federal. O depoimento do delegado que está conduzindo a investigação, realmente é para abafar. Eu lamento o que ouvi ele falando. Dá a entender até que age em parte como uma defesa do criminoso. Isso não pode acontecer”, disse.

Esta tentativa de dramatizar os últimos dias de campanha por parte do candidato da extrema-direita que parece vir a disputar a segunda volta com o do PT, é uma estratégia para tentar contrariar o facto, de para além da diferença entre os dois na primeira volta de 8 de outubro estar a encurtar, o candidato do PT tem apenas 30% de rejeição enquanto Bolsonaro tem quase metade dos eleitores a dizer que nunca votarão nele.

O outro cenário que parece distante é o de uma grande parte dos eleitores que se opõem ao PT e à extrema-direita conseguirem ter um candidato na segunda volta. Ironicamente, o outro candidato de esquerda Ciro Gomes parece mais próximo, embora imensamente distante, de o fazer que o nome lançado pelas elites empresariais, políticas e dos donos da comunicação social, Geraldo Alckim.

Exemplo disso é a situação do candidato do “centrão” nos eleitores com formação universitária: em 12 anos, Alckim cai de 45% para 6% de intenções de votos nesses eleitores. A maior parte dos quais migraram para Bolsonaro.

“O Bolsonaro invadiu o terreno tradicional do PSDB, que é a classe média, média alta, com maior escolaridade”, considera o diretor do Instituto Datafolha, Mauro Paulino à revista piauí. “O Alckmin está entalado entre as candidaturas menores que estão roubando esses votos tradicionais, de um lado, e o paredão de eleitores convictos do Bolsonaro, do outro. Ele vai precisar necessariamente atacar o Bolsonaro, mas fica em um dilema: como atacar um candidato que está na Unidade de Cuidados Intensivos?”

Já começou a atacar, mas parece que é uma missão impossível.

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