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Bolsonaro diz-se vítima de uma "campanha brutal de desinformação" e culpa os índios pelos incêndios da Amazónia e do Patanal
Mundo 4 min. 22.09.2020 Do nosso arquivo online

Bolsonaro diz-se vítima de uma "campanha brutal de desinformação" e culpa os índios pelos incêndios da Amazónia e do Patanal

Bolsonaro diz-se vítima de uma "campanha brutal de desinformação" e culpa os índios pelos incêndios da Amazónia e do Patanal

Marcos Corrêa/Palacio Planalto/
Mundo 4 min. 22.09.2020 Do nosso arquivo online

Bolsonaro diz-se vítima de uma "campanha brutal de desinformação" e culpa os índios pelos incêndios da Amazónia e do Patanal

No discurso que abriu a 75º Assembleia das Nações Unidas, o Presidente brasileiro desmente que o agronegócio seja o motor do desmatamento das maiores áreas florestais do país.

Tal como a imprensa brasileira tinha antecipado, os incêndios que assolam a Amazónia e o Pantanal dominaram grande parte do discurso inaugural da 75º Assembleia Geral das Nações Unidas que, este ano, decorre à distância, fruto das medidas de segurança impostas pela pandemia do novo coronavírus. Numa mensagem gravada, o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, desresponsabilizou o governo e os empresários do agronegócio pelos fogos, sugerindo inclusivamente que os incêndios são ateados pelos "indígenas" e pelos "caboclos". 

"Nossa floresta é húmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente, nos mesmos lugares, no entorno leste da Floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas", enunciou antes de se dizer totalmente comprometido com a postura da "tolerância zero contra o crime ambiental". 

No mesmo sentido, Bolsonaro diz-se alvo númerode uma campanha de desinformação. "Somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazónia e o Pantanal. A Amazónia brasileira é sabidamente riquíssima, isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil", no sentido, acrescentou, de travar o desenvolvimento dos negócios da agropecuária. 

"O Brasil desponta como o maior produtor mundial de alimentos.E, por isso, há tanto interesse em propagar desinformações sobre o nosso meio ambiente", argumentou o atual inquilino do Palácio da Alvorada, em Brasília. 

De resto, a gestão ambiental do governo brasileiro é um dos principais motivos das críticas que o país recebe da comunidade internacional. Desde o ano passado, entidades, países e personalidades contestam as políticas do Brasil para o meio ambiente. Diversos países europeus apontam mesmo os desmatamentos no Brasil como um entrave para confirmação do acordo comercial Mercosul-União Europeia.

Indícios em contrário 

Na análise daquela que é já a segunda intervenção de Jair Bolsonaro na cúpula que reúne os chefes de estado de todo o mundo, os jornalistas do El País Brasil recordam que a Polícia Federal brasileira suspeita, no entanto, da ação criminosa de um grupo de fazendeiros do Pantanal. Segundo o jornal, as autoridades acreditam que os incêndios que começaram a devastar a região há cerca de duas semanas, começaram dentro de quatro fazenda e acabaram por se espalhar.

Já em agosto do ano passado, quando várias cidades brasileiras acordaram debaixo das cinzas da Amazónia, a Polícia Federal abriu uma investigação ao chamado "Dia do Fogo". A suspeita é que fazendeiros e madeireiros do Pará se tenham juntado para pagar o combustível e atear os pelo menos 300 focos de incêndio que, naqueles dias 10 e 11 de agosto, devastaram um sem número de hectáres de floresta e dezenas de espécies animais. 

Farsas da Pandemia 

Antes, logo na abertura do discurso, Jair Bolsonaro dedicou-se à pandemia com mais críticas à comunidade internacional. "Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população. Sob o lema 'fique em casa' e 'a economia a gente vê depois', quase trouxeram o caos social ao país", criticou.

Com um balanço de mais de 136 mil mortos pela pandemia, o Chefe de Estado lamentou todas as vítimas. Ainda assim, como tem feito desde meados de março, voltou a colocar a economia no centro da gestão da crise de saúde. "Desde o princípio, alertei, em meu país, que tínhamos dois problemas para resolver: o vírus e o desemprego, e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade", lembrou. 

Desde o início da pandemia, Bolsonaro foi critico das medidas de isolamento social e restrição de circulação de pessoas, apontadas pelas autoridades sanitárias de todo o mundo como as mais eficazes para evitar contágio e mortes por covid-19. De qualquer forma e, contrariando as denúncias dos profissionais de saúde, que se queixam de falta de materiais e camas para tratar os infetados, assegurou que "não faltaram nos hospitais os meios para combater a pandemia".  

Política internacional 

Depois de fazer um voto de solidariedade em relação ao Líbano, vítima de uma explosão, cujos danos reais continuam por apurar,Jair Bolsonaro saudou as iniciativas de Donald Trump para promover a paz no Médio Oriente, nomeadamente na Palestina. Tal como tem vindo a fazer desde que tomou posse, há dois anos, o dirigente do Brasil teceu rasgados elogios à política israelita, sem mencionar a ocupação do território palestiniano. 

Em tom de ataque, virou baterias contra o governo venezuelano de Nicolás Maduro, que acusa de "agressão" pelo derramamento de petróleo ao largo da costa brasileira, no ano passado. Isto, apesar, de não haver qualquer prova da intencionalidade do incidente que Bolsonaro fez questão de elencar.  

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