Escolha as suas informações

Bolívia. Vitória de partido de Evo Morales desmonta tese de fraude eleitoral
Mundo 3 min. 22.10.2020

Bolívia. Vitória de partido de Evo Morales desmonta tese de fraude eleitoral

Bolívia. Vitória de partido de Evo Morales desmonta tese de fraude eleitoral

Foto: AFP
Mundo 3 min. 22.10.2020

Bolívia. Vitória de partido de Evo Morales desmonta tese de fraude eleitoral

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
Há um ano Evo Morales foi derrubado por um golpe militar debaixo de alegações de fraude eleitoral. Com uma administração conservadora, já com 90% dos votos contados, o candidato do ex-presidente boliviano não só ganhou as eleições como o fez de forma ainda mais esmagadora.

Depois de um retrocesso generalizado da esquerda na América Latina, a vitória presidencial de Luis Arce na Bolívia é um balão de oxigénio para os partidos progressistas naquele continente. Depois da eleição de Manuel López Obrador, no México, e de Alberto Fernández, na Argentina, o recém eleito presidente da Bolívia foi um duro revés para o bloco conservador latino-americano encabeçado pelo colombiano Iván Duque, pelo brasileiro Jair Bolsonaro e pelo chileno Sebastián Piñera.

Alinhados com a política externa norte-americana, estes países formam um bloco coeso dentro do Grupo de Limpa e são decisivos na Organização dos Estados Americanos (OEA). Foi, aliás, esta estrutura supra-nacional que em 2019 alegou ter havido irregularidades nas eleições bolivianas. O seu presidente, Luis Almagro, encabeçou uma campanha apoiada por vários países pelo não reconhecimento dos resultados que deram a vitória a Evo Morales na primeira volta.

As declarações de Almagro foram imediatamente aproveitadas pela oposição boliviana que partiu para a rua em protesto contra o então presidente Evo Morales. Milhares de feridos, dezenas de mortos e um golpe militar que forçou a saída do primeiro líder indígena do país foram o resultado dos confrontos nas ruas.

No fim de quarta-feira, com 90,1% das atas das secções eleitorais contabilizadas, o candidato apoiado por Evo Morales alcançava 54,51% dos votos, seguido do ex-presidente conservador, Carlos Mesa, com 29,21%. Em terceiro lugar ficou o candidato da extrema-direita, Luis Fernando Camacho, com 14,19%.

É um resultado ainda mais esmagador que aquele que não havia sido reconhecido pela OEA. Nesse sentido, o Grupo de Puebla, composto por vários governos progressistas da região, solicitou na quarta-feira a demissão de Luis Almagro. Os vários governos, em que se inclui o argentino e o mexicano, defendem que a retumbante vitória confirma que não houve fraude nas eleições de 2019, nas quais Morales fora reeleito. 

O grupo acrescenta que os primeiros estudos, que comparam os resultados dos votos nos recintos onde alegadamente se verificaram "irregularidades" em 2019 com a contagem deste ano, confirmam a vitória do MAS nessas mesas de voto até com uma percentagem mais elevada a favor desse partido. 

O Grupo Puebla salientou que a insistência da OEA em classificar os resultados do ano passado como fraudulentos - sem provas claras - para além de impedir o antigo presidente de exercer um novo mandato, "desencadeou uma situação de violência política e social, que terminou num golpe de Estado. 


Pilhas de lítio
Com a vitória de Luis Arce do Movimiento al Socialismo (MAS), economista e ex-ministro das Finanças de Evo Morales, a Bolívia voltou a mostrar nas urnas o que já havia demonstrado em 2019, antes do golpe. Uma crónica de Raquel Ribeiro.

"Dadas estas evidências, é evidente que a liderança regional do Secretário-Geral da OEA Luis Almagro é seriamente questionada", diz o grupo. Acrescentam que o papel de Almagro "na desestabilização democrática da Bolívia e as relações de exclusão que mantém com outros países da região desqualificam-no de continuar a exercer o papel de mediação e facilitação democrática que ele deveria desempenhar à frente de um posto tão importante". 

De acordo com o El País, o regresso ao poder do partido de Evo Morales, agora com Luis Arce, redesenha o mapa dos equilíbrio políticos na América Latina. Apesar de não ter o peso de outros países, a Bolívia, com apenas 11 milhões de habitantes e economia modesta, protagoniza uma vitória eleitoral que tem um alcance simbólico e dá oxigénio à esquerda latino-americana.

Não é por acaso que as imagens do candidato de extrema-direita, Luis Fernandoo Camacho, em lágrimas e a reação de choque da presidente de facto Jeanine Añez, imposta pelos militares, deram a volta à região quando governos conservadores são questionados por grandes protestos no Chile e na Colômbia.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Evo Morales renuncia à presidência da Bolívia
Uma renúncia feita depois dos chefes das Forças Armadas e da polícia da Bolívia terem exigido que o Presidente Evo Morales se demitisse para que a estabilidade e a paz pudessem regressar ao país.