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Bolívia. Milhares de simpatizantes de Evo Morales saem à rua para exigir eleições
Mundo 2 min. 29.07.2020

Bolívia. Milhares de simpatizantes de Evo Morales saem à rua para exigir eleições

Bolívia. Milhares de simpatizantes de Evo Morales saem à rua para exigir eleições

Foto: Marcelo Perez del Carpio/dpa
Mundo 2 min. 29.07.2020

Bolívia. Milhares de simpatizantes de Evo Morales saem à rua para exigir eleições

Com cemitérios, agências funerárias e um sistema de saúde à beira do colapso, o governo imposto por um golpe militar que depôs Evo Morales respira de alívio com mais um adiamento das eleições presidenciais mas a população saiu às ruas contra a nova data.

Durante a mobilização, os manifestantes gritaram "eleições já", "democracia, sim, ditadura, não". O protesto convocado por sindicatos, movimentos e pelo MAS, partido do ex-presidente Evo Morales.

O governo interino, imposto por um golpe militar, liderado por Jeanine Áñez, desvalorizou os protestos ao mesmo tempo que os condenou descrevendo-os como uma ameaça viral dos camponeses contra a população urbana.

"Eles não [vieram] marchar, mas sim infetar o povo [de La Paz e El Alto]", declarou na segunda-feira o ministro interino bolivaniano da Defesa, Fernando López. Na mesma linha, o ministro Arturo Murillo informou que as forças policiais estavam à procura de "cinco a dez pessoas altamente suspeitas de covid-19" que tinham chegado do Chapare, a região de cultivo da folha de coca.

Num país com uma profunda clivagem entre brancos e índios, as redes sociais receberam bem as palavras do governo acusando os manifestantes de "irresponsabilidade". O governo interino pediu ao Ministério Público que processasse o candidato do MAS, Luis Arce, por "danos à saúde", um crime punível com até oito anos de prisão. 

Além disso, a participação do MAS na corrida eleitoral depende de como o Tribunal Eleitoral decidir a queixa apresentada contra o partido de Evo Morales por alegadamente divulgar as suas próprias sondagens, uma atividade proibida pela lei eleitoral, apesar de ainda não ter começado a campanha, uma vez mais adiada.

O MAS acusou o governo de "criminalizar o protesto social" e assegurou que a luta para "recuperar a democracia" é suficientemente importante correr riscos que, por outro lado, os setores populares da população enfrentam de qualquer forma. A maioria dos bolivianos não pode ficar em casa se querem comer.

De acordo com o El País, os cemitérios e as agências funerárias, assim como o sistema de saúde, estão em colapso. Alguns serviços básicos, tais como o fornecimento de gás em La Paz e El Alto. Embora a presidente interina tenha tido alta do hospital, depois de estar infetada, vários ministros, governadores e presidentes de câmara continuam isolados ou acabam de anunciar que também eles foram infetados.

Na Bolívia há falta de respiradores e medicamentos básicos para a covid-19, tais como azitromicina e dexametasona. O número inexplicável de mortes em casas, carros, salas de espera em hospitais e clínicas, e mesmo nas ruas continua a aumentar. Estima-se que 80% destas mortes são causadas por coronavírus.

Tendo em conta estes factos, mas também pressionado pelas forças políticas que se opõem à realização de eleições este ano, o Tribunal Eleitoral adiou a data de 6 de setembro para 18 de outubro, assegurando que este será o último adiamento. O facto é que as sondagens apontam o partido de Evo Morales como vencedor e os sindicatos saíram às ruas para pressionar a autoridade eleitoral. Depois do golpe militar e da perseguição política que obrigou à fuga de Evo Morales, os apoiantes do ex-presidente de esquerda tentam evitar o adiamento e o prolongamento de um governo que não foi eleito.

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