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Bob Woodward escreve sobre a presidência caótica de Trump

Bob Woodward escreve sobre a presidência caótica de Trump

Foto: Arquivo
Mundo 3 min. 05.09.2018

Bob Woodward escreve sobre a presidência caótica de Trump

Funcionários que lhe omitem informação para "proteger o país"; comentários do presidente que ofendem colaboradores; erros constantes que têm de ser corrigidos por colaboradores próximos e muito mais - tudo isto está no livro "Medo: Trump na Casa Branca", livro do jornalista que, com Carl Bernstein, revelou o escândalo Watergate nos anos 70. Será publicado no próximo dia 11 e já causa polémica.

Quando fala com outros colaboradores sobre Donald Trump, o seu chefe de gabinete, John Kelly, chama-lhe "idiota". Gary Cohn, um dos consultores de Trump para a área da Economia, impediu que tivesse acesso a uma carta com informações que colocariam em risco o relacionamento com a Coreia do Sul. Jim Mattis, secretário da Defesa, teve de corrigir o presidente a propósito de John McCain, o senador e ex-candidato à presidência recentemente falecido, pois Trump dissera que fora um cobarde e aceitara um acordo para ser libertado antes de outros prisioneiros de guerra no Vietname quando, de facto, sucedeu o oposto e McCain recusou esse acordo em solidariedade com os outros presos. Após uma reunião do Conselho Nacional de Segurança em janeiro, na qual foi abordada a questão dos mísseis da Coreia do Norte, o mesmo Mattis saiu de tal forma exasperado que comentou com colaboradores o facto de o chefe de Estado ter o entendimento de uma criança de dez anos. Estas e outras histórias sobre o mundo surreal da presidência de Trump estão em Medo: Trump na Casa Branca, o livro escrito por Bob Woodward, jornalista do Washington Post que, no começo dos anos 70, ao lado de Carl Bernstein, revelou o escândalo Watergate, do qual resultaria a demissão de Richard Nixon como presidente em 1974. Os primeiros dados sobre o livro foram divulgados já pelo Washington Post, a CNN ou o diário The Guardian.

"Estamos a viver na Cidade da Loucura. Nem sei o que estamos aqui a fazer. Este é o pior emprego da minha vida", escreve Woodward, de 75 anos, citando o desesperado John Kelly após mais um dia nas proximidades de Trump. Este referia-se a Reince Priebus, ex-chefe de gabinete, como "um pequeno rato que anda sempre em círculos". Jeff Sessions, o procurador-geral que não tem feito qualquer intervenção nas investigações sobre a Rússia, "é um atrasado mental, um burro que vem lá do sul e nem conseguiria ser advogado no Alabama mesmo que só houvesse lá uma pessoa".

Outro episódio surreal que está relatado diz respeito a Bashar al-Assad, após o alegado ataque com armas químicas de abril deste ano. "Vamos matá-lo! Vamos lá matar uma série deles", exclamou, durante uma reunião em que o assunto foi abordado. Mattis disse-lhe que iriam cuidar de tudo de imediato, mas, à saída, deu indicações para que nada fosse levado a sério.

O livro, que relata episódios vindos do interior da Casa Branca com base em centenas de horas de diálogos, mas protegendo a identidade de quem os contou, vai ser publicado no próximo dia 11, mas as primeiras informações sobre o conteúdo das 448 páginas já estão a causar controvérsia. Além de o próprio Trump ter procurado atingir Woodward, dizendo que "já teve problemas para demonstrar a sua credibilidade", a secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Sanders, classificou a obra como "uma coleção de histórias fabricadas, muitas delas a partir de funcionários descontentes, contadas apenas para transmitir uma imagem negativa do presidente". John Kelly divulgou um comunicado no qual considera mentira as histórias do livro e indica que se trata de "maus uma tentativa patética para gerar distração dos muitos sucessos da presidência".

Woodward tem escrito várias obras sobre histórias do interior das presidências e já o fez, por exemplo, em relação a Bill Clinton, George W. Bush ou Barack Obama. Agora chegou a vez de Trump e o retrato está, como já se percebeu, cheio de referências preocupantes.


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