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Bielorrússia. Europa paga para Lukashenko sair do poder
Mundo 2 min. 28.05.2021

Bielorrússia. Europa paga para Lukashenko sair do poder

Bielorrússia. Europa paga para Lukashenko sair do poder

AFP
Mundo 2 min. 28.05.2021

Bielorrússia. Europa paga para Lukashenko sair do poder

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Comissão promete três mil milhões de euros para a transição democrática.

A União Europeia vai discutir a possibilidade de entregar três mil milhões de euros à Bielorrússia se o país “mudar de curso”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou hoje a proposta - que será agora avaliada pelos chefes de Estado e de governo - de usar o apoio em empréstimos e subsídios, para acelerar a queda de regime. O anúncio foi feito hoje e vem na sequência do desvio de um voo da Ryanair, no domingo dia 23, e da detenção do ativista Roman Pratasevich pelo regime de Alexander Lukashenko.


Aterragens forçadas por motivos políticos, uma prática mais comum do que se pensa
A aterragem forçada do avião de passageiros que transportava o opositor bielorrusso Roman Protasevich no domingo surpreendeu o mundo mas esta não é uma prática inédita. O Contacto recorda vários episódios em que governos desviaram aviões para deter dissidentes.

A medida é vista como uma cenoura para a transição, enquanto que o chicote seriam as sanções económicas em preparação. 

Os detalhes das sanções ainda não foram anunciados, mas sabe-se que visam mais de oito dezenas de altos representantes bielorrussos, incluindo o próprio presidente Lukashenko e o seu filho, Victor. E acrescem às várias sanções económicas que a UE tem vindo a aplicar ao regime de Minsk.

“A nossa mensagem é dupla”, disse von der Leyen. “Para os cidadãos da Bielorrússia: vemos e ouvimos o vosso desejo de mudança, de democracia e de um futuro melhor”. E para as autoridades bielorussas: “Nenhuma dose de repressão, brutalidade, ou coerção, trará qualquer legitimidade ao vosso regime autoritário. Até agora ignoraram completamente a escolha do povo bielorusso. Está na altura de mudar de caminho. Quando – e acreditamos que será caso de quando, não de se – a Bielorrússia começar a transição democrática, a EU estará aqui para acompanhá-la”.

O plano de recuperação para a Bielorrússia democrática inclui medidas de reforço da recuperação económica, reformas estruturais e investimentos em infraestruturas verdes e transição digital. Juntamente com instituições financeiras internacionais, a Comissão propõe subsidiar investimentos vitais. Entre esses investimentos conta-se o apoio ao fortalecimento das instituições democráticas de controlo de poderes.

Segundo a Comissão, o plano é um “instrumento excecional” para apoiar a transição democrática pacífica no país. “Deverá ser afinado para ter em conta as prioridades políticas das autoridades legítimas da Bielorrússia democrática”. E deverá ser ativado assim que a transição democrática aconteça.

Von der Leyen escreveu também à líder da oposição, Sviatlana Tsikhanouskaya – exilada na Lituânia, tal como vários ativistas e jornalistas procurados pelo regime de Minsk, e tal como estava Roman Pratasevich, agora detido. Na mensagem, a presidente da Comissão Europeia manifestou “o respeito e a admiração pela coragem do povo bielorusso”.

Na sequência dos protestos públicos pelas eleições fraudulentas de agosto passado, Lukashenko , que está no poder desde 1994, ordenou a repressão violenta dos críticos do regime. No passado domingo, foi enterrado um jornalista bielorusso, Vitold Ashurak, de 50 anos, condenado a cinco anos de prisão por insurreição. A morte de Ashurak na prisão não foi explicada pelas autoridades prisionais. 

Desde agosto, e na sequência das manifestações contra Lukashenko, há centenas de prisioneiros políticos, enquanto grande parte da oposição procurou refúgio em países vizinhos, como a Lituânia.

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