Escolha as suas informações

Bielorrússia. Chefes de diplomacia dos 27 discutem sanções da UE
Mundo 3 min. 14.08.2020

Bielorrússia. Chefes de diplomacia dos 27 discutem sanções da UE

Bielorrússia. Chefes de diplomacia dos 27 discutem sanções da UE

Foto: AFP
Mundo 3 min. 14.08.2020

Bielorrússia. Chefes de diplomacia dos 27 discutem sanções da UE

Lusa
Lusa
Numa declaração aprovada pelos 27 Estados-membros, a UE denunciou esta semana que as eleições presidenciais não foram “nem livres nem justas” e ameaçou adotar sanções .

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia realizam esta sexta-feira uma reunião extraordinária, por videoconferência, na qual discutirão a estratégia comum de resposta à repressão violenta das manifestações na Bielorrússia após as eleições presidenciais de domingo.

Apesar de os chefes de diplomacia europeia terem uma reunião informal agendada para 27 e 28 de agosto, em Berlim, o Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, decidiu na quarta-feira convocar este Conselho extraordinário, face ao agravamento da repressão pelo Governo de Alexander Lukashenko das muitas manifestações que têm ocorrido um pouco por todo o país ao longo da semana a contestar os resultados eleitorais, que já levou a milhares de detenções e a pelo menos duas vítimas mortais.

Embora a agenda de trabalhos do Conselho - com início previsto para as 15:00 do Luxemburgo - inclua outros temas da atualidade, como a tensão entre Grécia e Turquia no Mediterrâneo oriental e a situação de emergência no Líbano após as explosões que devastaram Beirute, o tema principal será a resposta da UE à situação na Bielorrússia, que suscita divisões entre os Estados-membros, designadamente entre os defensores de sanções e aqueles que preferem privilegiar a via diplomática.

Numa declaração aprovada pelos 27 Estados-membros, a UE denunciou esta semana que as eleições presidenciais não foram “nem livres nem justas” e ameaçou adotar sanções contra os responsáveis pela violência exercida contra manifestantes pacíficos.

“As eleições não foram nem livres nem justas. (…) Procederemos a uma revisão aprofundada das relações da UE com a Bielorrússia. Poderá implicar, entre outras, a adoção de medidas contra os responsáveis das violências registadas, das detenções injustificadas e da falsificação dos resultados das eleições”, anunciaram em comunicado os 27 países.

A declaração europeia, emitida pelo gabinete de Josep Borrel, Alto Representante da UE para as Relações Externas, lamenta que, após o povo bielorrusso “ter demonstrado o seu desejo de mudança democrática”, as eleições não tenham decorrido de forma transparente e que as autoridades estatais tenham exibido “uma violência desproporcionada e inaceitável”.

“Para mais, informações credíveis de observadores internos demonstram que o processo eleitoral não cumpriu os parâmetros internacionais aguardados num país que participa na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa [OSCE]”, acrescenta.

A Comissão Eleitoral Central bielorrussa informou na segunda-feira que o Presidente, Alexander Lukashenko, no poder desde 1994, obteve 80,23% dos votos, que lhe permite cumprir um sexto mandato presidencial consecutivo, um resultado rejeitado pela oposição.

A principal candidata da oposição, Sviatlana Tsikhanouskaya, cujas ações de campanha atraíram multidões de eleitores frustrados com o governo autoritário de 26 anos de Lukashenko, terá obtido apenas 10% dos votos, tendo-se refugiado entretanto na Lituânia.

Desde a chegada de Alexander Lukashenko ao poder, em 1994, nenhuma corrente da oposição conseguiu afirmar-se na paisagem política bielorrussa. Muitos dos seus dirigentes foram detidos, à semelhança do que sucedeu neste escrutínio, e em 2019 nenhum opositor foi eleito para o parlamento.

Os resultados das últimas quatro eleições presidenciais não foram reconhecidos como justos pelos observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), que denunciaram fraudes e pressões sobre a oposição.

Pela primeira vez desde 2001, e por alegadamente não ter recebido um convite oficial a tempo, a OSCE não esteve presente na votação para acompanhar os resultados.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Bielorrússia quer dialogar com "parceiros" estrangeiros
Depois de nova vitória de Alexander Lukashenko, nas últimas eleições presidenciais, vários manifestantes foram detidos em protestos que contestaram os resultados eleitorais. Organizações de direitos humanos do país denunciaram abusos e torturas contra os detidos.