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Biden é o 46º presidente dos Estados Unidos
Opinião Mundo 3 min. 09.11.2020

Biden é o 46º presidente dos Estados Unidos

Biden é o 46º presidente dos Estados Unidos

Foto: AFP
Opinião Mundo 3 min. 09.11.2020

Biden é o 46º presidente dos Estados Unidos

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Muito antes das eleições, já Donald Trump tinha dito que só aceitaria o resultado se ele lhe fosse favorável.

Joe Biden parece perto de uma vitória que Donald Trump quer contestar nos tribunais e, quem sabe, nas ruas de forma mais violenta. Joe Biden quer entrar na Casa Branca, Donald Trump não quer sair de lá.

A maior potência do mundo ainda não conseguiu resolver uma questão tão simples, como seja, a eleição do seu Presidente, no dia do escrutínio. Esta é uma verdade cruel que já teve outros episódios, no passado.

Mas desta vez, um dos envolvidos chama-se Donald Trump, um homem sem qualquer compromisso com a democracia, interessado apenas na satisfação egoísta dos seus caprichos. Como se não bastasse a sua própria perigosidade, Trump arrasta consigo figuras sinistras como Steve Bannon ou Rudy Giuliani que apostam na violência urbana, para contrariar a lei de um país que sempre se orgulhou da sua democracia.

Muito antes das eleições, já Donald Trump tinha dito que só aceitaria o resultado se ele lhe fosse favorável. E desde logo começou a reclamar contra as fraudes eleitorais, quando ainda não tinha acontecido qualquer acto eleitoral. Concentrou-se depois no voto postal que, segundo ele, seria ilegal e permissivo à fraude.

Isto foi uma lição que Trump aprendeu, há 20 anos, com George W. Bush que venceu as eleições de 2000, nos tribunais, apesar de as ter perdido, em número de votos expressos.

Mas desde o dia do escrutínio que Trump foi desenhando a sua própria derrota. Se ele estivesse realmente confiante, não teria necessidade de constantemente falar em fraude e na impugnação judicial, em alguns estados. O resultado desta estratégia foi desastroso, porque a opinião pública - quer americana, quer internacional - deixou de acreditar, definitivamente, nas afirmações dele.

O golpe fatal foi a comunicação que ele fez, ao fim da tarde de quinta-feira. Apesar da gabarolice do discurso que continuava a garantir a vitória, Donald Trump deixava escapar um estado de alma pesado, de derrota e amargura.

Horas depois, um dos seus filhos lançou um ataque feroz a alguns sectores do Partido Republicano que não apoiaram o pai, nesta luta contra Joe Biden e os democratas. Isto foi de imediato reconhecido como um discurso de pré-derrota que antecederia o jogar da toalha ao chão.

Este desabafo do filho de Trump seria corroborado pelo omnipresente Steve Bannon que vociferou, para o interior do Partido Republicano: ”não precisamos de um partido de poder, precisamos de um partido de guerra. Isto é uma luta pelo controlo do país, não é uma luta pela verdade”.

Muitos analistas e a generalidade dos media viram nisto um incentivo às milícias de extrema-direita, para desencadearem actos de violência urbana, impeditivos da tomada de posse de Joe Biden. Mas, na sexta-feira, estas milícias pareciam ensaiar um recuo, intimidadas pelas forças policiais que preparavam uma resposta a qualquer acção insurgente.

Muita gente do Partido Republicano espera pelo desfecho de todo este processo, para correr de vez com Trump e escolher uma liderança que salve o partido de outras aventuras que possam aparecer, por exemplo, do lado dos extremistas do Tea Party. E há dois nomes que voltam a aparecer, com alguma frequência: Marco Rubio e Ted Cruz, ambos com ascendência cubana. Os próximos tempos serão de grande emoção, dentro do partido.

Ao início da tarde do último sábado, todas as grandes cadeias de televisão norte-americanas anunciavam a vitória de Joe Biden. Ao mesmo tempo que diziam que o candidato democrata já estava a preparar o discurso de vitória, para ser proferido nas televisões, em horário nobre. Ele vai ser o 46º presidente norte-americano.


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