Escolha as suas informações

Bélgica prepara-se para discutir vacinação obrigatória, mas sem pressa
Mundo 3 min. 17.01.2022
Covid-19

Bélgica prepara-se para discutir vacinação obrigatória, mas sem pressa

Covid-19

Bélgica prepara-se para discutir vacinação obrigatória, mas sem pressa

Foto: AFP
Mundo 3 min. 17.01.2022
Covid-19

Bélgica prepara-se para discutir vacinação obrigatória, mas sem pressa

Redação
Redação
Audições políticas sobre o tema começam esta semana mas rapidez dos contágios da Omicron e questões éticas podem adiar discussão e relativizar necessidade da impor a medida.

A Bélgica vai começar a preparar a discussão sobre a vacinação obrigatória mas o debate final está ainda longe. A questão não parece ser uma prioridade neste momento, mas também não foi colocada de parte e deverá estar fechada até meio do próximo mês. 

Na mesma semana em que a vacinação obrigatória contra a covid-19 chega ao Parlamento luxemburguês para ser discutida pelos deputados - o debate está agendado para quarta-feira -, a Câmara dos Representantes belga irá realizar audições sobre o tema, refere a edição francesa do Luxemburger Wort desta segunda-feira. Seguir-se-á depois um debate político com a intenção de encerrar o dossier até meados de fevereiro. 

Apesar de no início o primeiro-ministro, Alexander De Croo não se ter mostrado favorável a essa obrigatoriedade, o aumento de casos e hospitalizações em dezembro levaram o governante a ponderar a hipótese da vacina obrigatória.   "Quando se vê que nas unidades de cuidados intensivos há cinco vezes mais pessoas não vacinadas, não se pode evitar o problema", afirmou citado pelo Wort.


O primeiro-ministro Xavier Bettel marcou para dia 19 o debate parlamentar sobre a vacinação obrigatória no Grão-Ducado.
Vacinação obrigatória para toda a população ou só para alguns?
O parlamento do Luxemburgo vai votar quarta-feira a obrigação vacinal no país. Saiba como é esta medida polémica nos outros países da Europa.

Nas últimas semanas, embora o número de novas infeções tenha continuado a aumentar, a situação nos hospitais melhorou - atualmente, estão internados nos cuidados intensivos 406 doentes cobiçosos face a um pico de 839 registados a 11 de dezembro. 

A questão agora está em perceber até que ponto o maior contágio provocado pela variante Omicron - mais transmissível mas aparentemente menos grave  - se vai traduzir numa saturação dos hospitais. Sendo uma variante menos perigosa e passando o pico do inverno, o governo belga poderá adiar a questão da vacinação obrigatória até à primavera, altura em que os números pandémicos poderão já não justificar a introdução dessa medida.

Alguns especialistas questionam mesmo a necessidade de uma vacinação obrigatória face ao maior nível de contágio da Omicron e a imunidade natural adquirida por essa via.


Efeito Omicron faz repensar vacinação obrigatória, diz perito austríaco
Epidemiologista austríaco questiona a necessidade de se avançar já para a vacinação obrigatória e defende que a nova variante vai aumentar a imunidade coletiva. No Luxemburgo pede-se cautela com a imunidade natural.

O epidemiologista Gerald Gartlehner, da Universidade do Danúbio Krems, na Áustria, defende que a introdução desta medida "deve ser repensada". Recorde-se que esta país foi o primeiro da União Europeia a aprovar a obrigatoriedade da vacina anticovid para toda a população. A medida está previsto entrar em vigor já no início de fevereiro.

Mas Gerald Gartlehner  considera que o Governo austríaco deve esperar para perceber se com a imunidade natural gerada pelas infeções da Omicron se continuará a justificar a "vacinação obrigatória de toda a população do país", disse numa entrevista à estação de televisão pública austríaca.  

Na Bélgica, 9 milhões de pessoas, cerca de 77,6% da população, já receberam pelo menos uma dose da vacina e 76,5% tem a vacinação completa, segundo dados do Our World in Data, sendo que 50,8% já recebeu dose de reforço.

Pedro Facon, o responsável pela gestão da covid-19 destacado pelo Governo, defende num relatório recente a não obrigatoriedade da vacina propondo antes um "certificado corona" semelhante ao CovidCheck, para o acesso a alguns estabelecimentos, sobretudo na horeca, e a possibilidade de ao certificado de vacinação se juntar a obrigatoriedade de teste, em alguns casos. 

Por outro lado, na semana passada, o Conselho de Estado reconheceu a legitimidade e a proporcionalidade da vacinação obrigatória, pelo menos, para os profissionais de saúde. Os sindicatos, no entanto, contestam esta obrigatoriedade por setor salientando que uma lei nesse sentido poderia levar a discriminações, particularmente entre categorias de trabalhadores, refere o Wort.

O Governo deverá elaborar um texto de proposta de discussão sobre a questão para ser enviado aos deputados nas próximas semanas.

Caso se avance para a possibilidade da vacinação obrigatória, a comissão responsável pela gestão da covid-19 no país, defende que o debate seja precedido de uma discussão na sociedade ou mesmo de uma consulta pública, além da negociação política.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas