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Bélgica. Mesmo infetados, enfermeiros trabalham nos hospitais
Mundo 24.10.2020

Bélgica. Mesmo infetados, enfermeiros trabalham nos hospitais

Bélgica. Mesmo infetados, enfermeiros trabalham nos hospitais

Foto: AFP
Mundo 24.10.2020

Bélgica. Mesmo infetados, enfermeiros trabalham nos hospitais

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
"Se sou enfermeiro ou médico e estou infetado, mas se não tenho dores corporais, se não estou de cama, só me resta colocar a máscara. É preciso trabalhar", frisou o chefe de cuidados intensivos de um hospital belga.

Um crescimento "exponencial" dos contágios e a falta de profissionais de saúde, a ponto de alguns trabalharem mesmo estando infetados com covid-19, aumentam a preocupação no Hospital Universitário de Liège, no leste da Bélgica, devido ao que os responsáveis consideram ser um "tsunami" que se aproxima.

"Na quarta-feira, quase alcançámos o número máximo de casos da primeira onda", disse Christelle Meurice, especialista em doenças infecciosas, segundo o Diário de Notícias.

"Tememos que as últimas medidas sejam insuficientes para aplanar a curva. Vemos um tsunami a aproximar-se", alerta a especialista, que lidera uma unidade de 26 leitos com 18 pacientes com coronavírus.

O principal medo deste médico é chegar a uma situação em que tenha de passar a instalar dois pacientes por quarto, uma situação que criaria dificuldades tanto para os pacientes como para as equipas médicas.

Com mais de 250 mil casos confirmados e 10 500 mortes, a Bélgica é um dos países mais afetados pelo vírus na Europa, tendo em conta que tem uma população de 11,5 milhões de habitantes. No Hospital Universitário de Liège - que tem seis unidades dedicadas à covid -, os internamentos aumentaram de 91 para 155 numa semana.

Nada mais surpreende o médico Benoît Misset, chefe de cuidados intensivos do hospital. "Se sou enfermeiro ou médico e estou infetado, mas se não tenho dores corporais, se não estou de cama, só me resta colocar a máscara. É preciso trabalhar. Se há pessoas com formação, não me vou deter em detalhes", confessa o médico francês.

"Estamos lotados e sobrecarregados, também um pouco frustrados, já que esperávamos por isto há dois meses. As decisões não foram tomadas a tempo", protesta. "Ninguém levou a situação a sério, nem os políticos nem a população", afirma, sem conseguir ocultar a sua indignação.

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