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Bélgica é o país do mundo com mais mortos por número de habitantes
Mundo 4 min. 17.04.2020

Bélgica é o país do mundo com mais mortos por número de habitantes

Bélgica é o país do mundo com mais mortos por número de habitantes

Foto: AFP
Mundo 4 min. 17.04.2020

Bélgica é o país do mundo com mais mortos por número de habitantes

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
São 4.857 as mortes registadas. A resposta poderá estar numa contagem a mais nos lares de idosos. Especialistas e governo defendem que este é o método correto e que uma contagem uniformizada europeia é urgente.

Com uma população de 11.5 milhões de habitantes, e 4.857 mortes confirmadas, (hoje de manhã), a Bélgica é atualmente o país do mundo com mais óbitos de covid-19 por milhão de habitantes. 

Assim, a Bélgica tem um ratio de 419 mortes por milhão de habitantes, enquanto a Itália, com uma população de 60 milhões - e o país europeu com mais mortes em valor absoluto, mais de 22.000 - está proporcionalmente numa situação menos grave: 366 óbitos por milhão. Espanha é o segundo país do mundo em que a relação mortos/tamanho da população é a maior. A relação é de 413 mortes por milhão de habitantes. 

A explicação para a desproporção de número de mortes deu-a ontem a primeira-ministra belga Sophie Wilmès. O governo belga, disse, “optou por uma transparência total na comunicação de mortes relacionadas com a Covid-19”. E que, por isso, “o número talvez esteja sobrestimado”. 

A Bélgica, que tem sido falada por episódios ligados à covid-19 - como a escolha de Suzanne Hoylaerts de ceder o ventilador que a poderia ter salvo a pacientes mais jovens, ou o caso do gato que foi infetado pelo novo coronavírus – poderá agora relançar o debate sobre a contabilização das baixas pela pandemia de covid-19. 

O número de infeções de cada país é normalmente considerado uma estimativa, porque nem todos os casos suspeitos foram confirmados, e só as pessoas com sintomas suficientemente graves para irem ao hospital foram testadas (pelo menos numa fase inicial, os países europeus tiveram que fazer essa triagem). Agora a contagem das mortes começa também a ser afinada. 

O método mais detalhado, diz ministra da Saúde 

Na Bélgica, entre o elevado número de mais de 4.800 mortos quase metade ocorreram em lares de idosos. À volta de 2.200. Só que entre os pacientes que morreram nestas casas de repouso, uma alta proporção não terá sido confirmada pelo teste PCR. As certidões de óbito foram passadas tendo em conta que o doente morrera com uma infeção caraterística da covid-19 e não após testagem com o método de zaragatoa. 

“Nenhum país na Europa conta de forma igual. Nós temos o método mais detalhado”, disse ontem a ministra da Saúde belga, Maggie De Block ao canal televisivo LN24. 


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Na fase de levantamento dos confinamentos na União Europeia, também a Comissão Europeia pretende criar um sistema de testagem que seja comparável e fiável. Mas, até ao momento, a contagem dos óbitos não foi posta em causa. 

Hoje, a China, que tem sido criticada por falta de transparência na divulgação dos seus dados, anunciou uma revisão do seu número de mortes na província de Wuhan. E para uma soma 50% mais elevada do que os números inicialmente divulgados: de 2.579 para 3.869. A revisão dos números foi explicada pelas autoridades chineses como uma afinação estatística das mortes que ocorreram em casa e que por isso não tinham sido confirmadas pelos testes. “Não foi uma maquinação”, disseram as autoridades chinesas. 

 Tragédia nos lares: 5% de mortes confirmadas por testes 

Em relação ao caso belga, o jornal Euractiv refere que há uma suspeita de que uma tragédia humana se desenrolou nos cerca de 1.500 lares de idosos, com mortes por hipertensão, diabetes e outras patologias também a serem arrumadas na categoria covid-19. Das mortes atribuídas à covid-19 nas casas de repouso belgas - cerca 2.200 mortes - apenas 5% terão sido confirmadas por teste de despistagem. 

Um porta-voz das autoridades de saúde belgas citado pelo jornal Euractiv, Emmanuel Andre, entende que o método belga de contabilização é necessário. Numa epidemia é considerado “boa prática registar os casos suspeitos”, explica. 

O governo belga anunciou que prevê aumentar em 10 vezes o número de testes que estão a ser fornecidos aos lares de idosos, um total de cerca de 210 mil kits. A Bélgica tem cerca de 160 mil residentes em lares e cerca de 110 mil funcionários nestas casas. Mas a proporção, dizem os críticos, continuará a ser insuficiente. 

O Luxemburgo, tem uma proporção de 110 mortes por milhão de habitantes. Ou seja, as 69 mortes confirmadas para uma população estimada em 600 mil habitantes. 

Portugal tem um ratio de 61 mortos por milhão de habitantes.

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