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Bósnia: Responsável do massacre de Srebrenica condenado a prisão perpétua

Bósnia: Responsável do massacre de Srebrenica condenado a prisão perpétua

Foto: AFP
Mundo 3 min. 20.03.2019

Bósnia: Responsável do massacre de Srebrenica condenado a prisão perpétua

As atrocidades cometidas durante o conflito na Bósnia-Herzegovina, entre 1992 e 1995, resultaram na morte de milhares de pessoas.

O ex-presidente dos sérvios na Bósnia-Herzegovina, Radovan Karadzic, foi hoje condenado a prisão perpétua pelo Tribunal Internacional de Justiça de Haia - da Organização das Nações Unidas (ONU) - devido às atrocidades cometidas, sobretudo durante o massacre de Srebrenica. O cerco a esta cidade, em julho de 1995, foi considerado pelo tribunal internacional um ato de genocídio, e resultou na morte de 8 mil muçulmanos. 

Karadzic tinha sido inicialmente condenado a 40 anos de prisão por genocídio e crimes de guerra mas tinha recorrido da sentença, considerando-a "monstruosa". Segundo descreve a agência France Press, Karadzic estava tão convencido da sua inocência que se preparava mesmo para sair em liberdade da sala da audiências.

Uma das testemunhas ouvidas no tribunal, Mirsada Malagic, considerou que o ex-líder "não tinha qualquer remorso" pelos atos que cometeu. Dois dos filhos de Malagic e o marido foram mortos durante o massacre de Srebrenica

Em 2012, o ex-líder disse aos juízes que tinha feito "tudo o que era humanamente possível para evitar a guerra e reduzir o sofrimento humano."

Karadzic é considerado um dos responsáveis por incitar a guerra étnica nos Balcãs. Nos anos 90 fundou o Partido Democrata sérvio da Bósnia, aproveitando a onde de nacionalismo na região, e chegou mesmo a ser presidente da  República Sérvia, uma das partes autónomas do território da atual Bósnia-Herzegovina. O seu plano de fragmentar o país, onde viviam várias minorias étnicas, ganhou mais força quando os sérvios da Bósnia boicotaram o referendo pela independência em março de 1992,  descreve a AFP. 

Após o sufrágio, as forças sérbias lançaram uma ofensiva militar que deu início à 'limpeza étnica' que fez dezenas de milhares de mortos. O criminoso é também acusado de ter orquestrado esta ofensiva. Durante o conflito, que se prolongou por quatro anos, mais de um milhão de sérvios foram obrigados a abandonar as suas casas. Mais de 100 mil pessoas morreram e mais de 20 mil mulheres foram violadas.

No final de 1995, o próprio líder dos sérvios bósnios foi retirado dos acordos de negociação de paz de Dayton, que puseram fim ao conflito étnico. Só em 1996 se demitiu da presidência da República Sérvia. A partir daí esteve em parte incerta até 2008, altura em que foi preso. 

"Um dos piores homens que pode existir"

Radovan foi considerado "um dos piores homens que pode existir", por Richard Holbrooke, um dos responsáveis pelo acordo de Dayton. "Ele acreditava piamente em teorias racistas, teria dado um perfeito nazi", afirmou o diplomata norte-americano na altura. 

Já o comandante inglês das forças militares das Nações Unidas na Bósnia, em 1994, Michael Rose considerou Radovan de "conhecido mentiroso, intrinsicamente paranóico e um bêbedo inveterado". 

Nascido em 1945 em Montenegro, o ex-líder político começou a estudar para ser médico aos 15 anos, especializando-se mais tarde em psiquiatria. 

Um grafiti do ex-líder dos sérvios bósnios, em Belgrado. Karadzic ainda é considerado um 'herói' entre os sérvios ortodoxos.
Um grafiti do ex-líder dos sérvios bósnios, em Belgrado. Karadzic ainda é considerado um 'herói' entre os sérvios ortodoxos.
Foto: AFP

Esteve preso pelo partido comunista jugoslavo por ter sido membro dos Chetniks, um movimento sérbio de extrema-direita apoiantes dos nazis. Os Chetniks foram, aliás, responsáveis por várias atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial.  

Após treze anos fugido às autoridades, Karadzic foi preso em julho de 2008 num autocarro nos subúrbios de Belgrado, na Sérvia, irreconhecível: de barba branca e cabelo comprido. Desde 2009 está encarcerado na Unidade de Detenções das Nações Unidas, em Haia, na Holanda. 

 Aos 15 anos começou a estudar para ser médico, especializando-se mais tarde em psiquiatria. Autodenominava-se "Dragan Dabic" e apresentava-se como um especialista em medicina alternativa. 

Considerado um 'monstro' para os católicos croatas e os muçulmanos bósnios, Karadzic é visto como um 'herói' entre os sérvios ortodoxos.

AFP 

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