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Austrália exige pedido de desculpas à China após 'tweet' polémico
Mundo 2 min. 30.11.2020

Austrália exige pedido de desculpas à China após 'tweet' polémico

Austrália exige pedido de desculpas à China após 'tweet' polémico

Foto: AAPIMAGE
Mundo 2 min. 30.11.2020

Austrália exige pedido de desculpas à China após 'tweet' polémico

Lusa
Lusa
O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, exigiu esta segunda-feira um pedido de desculpas da China pelo publicação na rede social Twitter divulgada por um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

"O Governo chinês deveria sentir-se totalmente envergonhado com esta mensagem. Diminui-os aos olhos do mundo", disse Morrison, referindo-se à imagem publicada pelo funcionário na rede social censurada na China.

Morrison sublinhou que a publicação "é totalmente escandalosa e não pode ser justificada", e disse ter pedido ao Twitter para "imediatamente" remover a mensagem que contém "uma imagem falsa". A controversa publicação de Zhao Lijian, que após quatro horas ainda está na rede social, é acompanhada por uma fotografia em que um soldado com uniforme militar e capacete com a bandeira australiana segura uma faca ensanguentada no pescoço de uma criança descalça, cuja imagem está desfocada, que está agarrada a uma ovelha branca.

O chão onde ambos aparecem é coberto pela bandeira australiana, que também cobre vários corpos inertes, e a bandeira afegã, que é composta por peças de um puzzle. O oficial chinês escreveu que ficou "chocado com o assassínio de civis afegãos e prisioneiros por soldados australianos" e acrescentou: "Condenamos veementemente estes atos e pedimos que prestem contas".

A publicação de Zhao Lijian segue-se à admissão da Austrália, a 19 de novembro, de que o seu exército matou 39 civis e prisioneiros afegãos entre 2005 e 2016 durante o seu destacamento para o Afeganistão. O chefe do Exército australiano, Rick Burr, disse na sexta-feira que 13 soldados foram notificados da sua expulsão, sem detalhar se estão entre os acusados, depois de terem sido investigados os crimes de guerra cometidos pelos militares.


Militares australianos executaram 39 civis afegãos durante a presença naquele país
Esta é a conclusão de um relatório interno das forças armadas australianas cujo chefe do Estado-Maior disse tratar-se possivelmente do episódio mais vergonhoso da história militar da Austrália.

Hu Xijin, o editor do jornal estatal chinês Global Times, defendeu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, também através do Twitter. "É uma caricatura conhecida que condena a morte brutal de 39 civis afegãos pelas Forças Especiais australianas", disse Hu. "Por que é que Morrison está zangado com a utilização que o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros faz da caricatura? É ridículo e embaraçoso que ele exija um pedido de desculpas da China", reagiu. 

As relações diplomáticas entre Camberra e Pequim deterioraram-se significativamente devido a várias declarações de responsáveis políticos, tensões comerciais entre as duas nações e medidas políticas promovidas pela Austrália. "Há certamente tensões entre a China e a Austrália, mas esta não é a forma de as enfrentar", disse Morrison na sua mensagem.

A Austrália vetou as empresas chinesas Huawei e ZTE de concederem concessões para a sua rede de quinta geração (5G) em 2018 por razões de segurança, e exerceu pressão legislativa para evitar interferências políticas estrangeiras, sem se referir diretamente à China. Na frente comercial, onde o gigante asiático é o principal parceiro comercial da Austrália, Pequim aumentou os direitos de importação sobre vários produtos australianos.

Os dois países também mantêm profundas diferenças ideológicas e discordam em questões como os direitos humanos ou a militarização e a livre navegação no disputado Mar do Sul da China.

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