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Ataque em Paris não terá tido motivações terroristas
Mundo 3 min. 04.10.2019

Ataque em Paris não terá tido motivações terroristas

Ataque em Paris não terá tido motivações terroristas

Foto: AFP
Mundo 3 min. 04.10.2019

Ataque em Paris não terá tido motivações terroristas

O crime levado a cabo por um funcionário administrativo da polícia parisiense que assassinou quatro dos seus colegas à facada está a ser investigado mas até ao momento tudo indica que não há motivações terroristas.

Ainda não estão claras as razões que levaram um funcionário administrativo da polícia de Paris a esfaquear quatro dos seus colegas até à morte na quinta-feira, afirmou o procurador Rémy Heitz. O agressor, que era um homem de 45 anos que trabalhava na prefeitura da polícia da capital francesa há duas décadas, acabou abatido por outro agente. Se é verdade que a principal linha de investigação não toma em conta quaisquer motivações terroristas, o múltiplo assassinato abalou a cidade e pôs em alerta um país cada vez mais habituado aos atentados.

Das vítimas, três homens e uma mulher, todos agentes, três eram oficiais e um era membro da equipa administrativa, acrescentou Heitz, de acordo com o El País. Houve ainda mais um ferido, afirmou, por sua vez, o ministro do Interior, Christophe Castaner, em declarações da prefeitura, onde o presidente Emmanuel Macron e o primeiro-ministro Édouard Philippe fizeram questão de estar durante várias horas. O Eliseu informou que o presidente chegou à prefeitura logo após a tragédia ter acontecido para "mostrar o seu apoio e solidariedade a todo os agentes".

Para já, a imprensa francesa dá como possível a hipótese de ter sido um conflito pessoal. O agressor, cuja identidade ainda não foi revelada, era um funcionário público que trabalhava no serviço informático da sede da polícia de Paris como adjunto administrativo desde 2003. "Nunca teve nenhuma dificuldade comportamental e nunca deu o menor sinal de alerta" antes de quinta-feira, sublinhou Castaner. No entanto, Christophe Crépin, um colega do agressor, disse à Franceinfo que tinha um litígio com uma das vítimas, "o seu chefe de serviço", por enquanto não confirmado a nível oficial.

A France Presse indicou que o atacante, nascido nas Antilhas, se converteu ao Islão há 18 meses. O procurador anunciou que foi aberta uma investigação por "homicídio voluntário de uma pessoa com autoridade pública" e por "tentativa de homicídio de uma pessoa com autoridade pública".

"Estamos com o meu colega do Ministério Público antiterrorista a avaliar a situação, mas por enquanto é o Ministério Público de Paris que tem o caso", acrescentou. Heitz confirmou ainda que a casa do agressor foi revistada e que a mulher do atacante foi colocada em prisão preventiva na quinta-feira à tarde. "A investigação está em curso e procurará esclarecer as motivações do ato do perpetrador", concluiu.

O ataque ocorreu entre as 12h30 e as 13 horas. É precisamente o momento em que a maioria dos parisienses regressa do almoço ou se prepara para o fazer. O crime aconteceu na ilha da Cité, no coração de Paris, onde se ergue a catedral de Notre Dame. Foi ali que se desenrolou o drama quando o polícia puxou de uma faca e atingiu vários dos seus colegas numa "percurso mortal" - como afirmou o ministro francês do Interior - do seu gabinete até ao pátio, onde foi mortalmente alvejado.

"Vi um homem com uma faca na mão. Ele estava a correr atrás de um polícia que lhe deu até três avisos mas [o agressor] não parou e ele disparou", disse uma agente administrativa que não quis dar seu nome ao Le Parisien. Outras testemunhas confirmaram os factos. Como o agressor não parou, o agente disparou duas vezes. "Eu vi o homem cair, nós trabalhamos na prefeitura de polícia. Infelizmente, estamos acostumados" a tais situações, declarou outra pessoa, sob a condição de anonimato, que testemunhou os acontecimentos.

"Ouvi alguns tiros e vi três policiais a chorar e disse a mim mesmo que devia ser algo sério", recordou Emery Siamandi, um tradutor da sede da polícia que viu o fim da tragédia. "No início, pensei que um polícia tinha cometido suicídio. Mas não, era o polícia com o agressor abatido e o polícia estava a chorar. Depois disse a mim mesmo que algo sério tinha acontecido. Poucos minutos depois, vi o ministro do Interior entrar. Estava pálido e tinha cara de pânico.

O ataque chocou um país muito sensível a qualquer ato violento. Desde 2015, a França tem sido palco de vários ataques atribuídos a grupos jihadistas, incluindo ataques sincronizados e ataques isolados com facas. No total, 251 pessoas perderam a vida nestes atentados, incluindo vários polícias.

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