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Ataque em Paris: Autor era dos serviços secretos franceses e tornou-se jihadista
Mundo 3 min. 05.10.2019

Ataque em Paris: Autor era dos serviços secretos franceses e tornou-se jihadista

Ataque em Paris: Autor era dos serviços secretos franceses e tornou-se jihadista

AFP
Mundo 3 min. 05.10.2019

Ataque em Paris: Autor era dos serviços secretos franceses e tornou-se jihadista

A polícia francesa tenta explicar como o cientista dos seus serviços de Inteligência, se tornou um radical do Islão e eles não perceberam.

Um massacre premeditado, perpetrado por um homem com uma "visão radical do Islão" e em contacto com o movimento "salafista".

Foi desta forma que o procurador antiterrorista francês definiu o autor do ataque terrorista, Mickaël Harpon, à esquadra central da polícia de Paris.

Na conferência de imprensa, Jean-François Ricard, desenhou um retrato do assassino jihadista e explicou a sua viagem assassina no dia do ataque.

Jean-Francois Ricard, dos serviços antiterrorismo.
Jean-Francois Ricard, dos serviços antiterrorismo.
AFP

Cientista dos serviços secretos

O agressor, um cientista informático, de 45 anos, funcionário do serviço técnico da Direcção de Inteligência da sede da polícia (DRPP) desde 2003, "alegadamente aderiu a uma visão radical do Islão".

 Convertido ao Islão há cerca de "dez anos", Mickaël Harpon esteve em contacto "com vários indivíduos susceptíveis de pertencerem ao movimento salafista islâmico", disse  Jean-François Ricard.

 Radicalização 

As primeiras investigações agora realizadas descobriram a sua "aprovação sobre certos abusos cometidos em nome desta religião", "o seu desejo de não ter mais determinados tipos de contactos com as mulheres", "a sua justificação" para os ataques de Charlie Hebdo, em 2015, e a "sua mudança de hábitos e de vestuário nos últimos meses", acrescentou o procurador.

A zona policiada após o ataque.
A zona policiada após o ataque.
AFP

Este homem com um registo criminal limpo, com suspeitas de violência doméstica em 2009, estava de facto a abandonar "todos os hábitos ocidentais” passando a viver sob os mandamentos de Alá e frequentando a mesquita, explicou o procurador.

 33 SMS na manhã do ataque

A análise ao telemóvel de Harpon indica também os preparativos de um ataque. Na fatídica manhã, o agressor trocou “33 mensagens com a mulher” que ainda está sob custódia policial. Nalgumas SMS despede-se com expressões religiosas como “Allah akbar” seguido de “pelo nosso amado profeta, Maomé, e medita sobre o Alcorão", contou Jean-François Ricard.

 Ataque com facas de cozinha

Na manhã do ataque, Harpon comprou duas facas, uma "faca de cozinha metálica" de 33 centímetros e uma "faca de ostras", que escondeu sob as suas roupas. Foi com estas facas que ele esfaqueou os dois polícias e o oficial administrativo de seu departamento entre 12h53 e 13h00. Todos morreram. Depois, matou um polícia e feriu um funcionário de recursos humanos e outro funcionário público, antes de ser morto a tiros por um polícia estagiário no pátio da esquadra de Paris, localizado no coração histórico da capital.

 Pedida demissão do ministro

Desde então, a direita e a extrema-direita têm apontado o dedo ao governo e apelado à criação de uma comissão de inquérito na Assembleia para "esclarecer" tudo.

"O caso é muito grave." Deve ser levado "muito a sério porque envolve a segurança e a eficiência dos nossos serviços de inteligência", disse o deputado republicano Christian Jacob à AFP.

Vários deputados do Les Républicains também pediram a demissão do Ministro do Interior Christophe Castaner, que Éric Ciotti considerou "desacreditado para continuar no cargo".

 Pouco depois do ataque de quinta-feira, o ministro do Interior, Christophe Castaner, garantiu que o funcionário que tinha realizado o ataque terrorista "nunca apresentou quaisquer dificuldades comportamentais" ou "quaisquer sinais" considerados suspeitos.

 Ataque feito "por um de nós"

"É difícil explicar como [Harpon] passou sob o radar” dos serviços da luta contra o terrorismo, declara uma fonte policial à AFP considerando que este caso vai gerar um "terramoto".

"Esta tragédia é ainda mais terrível (...) porque foi levada a cabo por um de nós", reconheceu Didier Lallement, comandante da polícia de Paris que tentou evitar todas as polémicas sobre os procedimentos de controle da esquadra. Segundo ele, as condições de segurança dentro da esquadra "são absolutas" e "não estão em questão". 

AFP

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