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Arménia e Turquia vão negociar normalização plena das relações
Mundo 2 min. 14.01.2022
Diplomacia

Arménia e Turquia vão negociar normalização plena das relações

Foto de uma bandeira da Arménia, junto à fronteira com a Turquia
Diplomacia

Arménia e Turquia vão negociar normalização plena das relações

Foto de uma bandeira da Arménia, junto à fronteira com a Turquia
AFP
Mundo 2 min. 14.01.2022
Diplomacia

Arménia e Turquia vão negociar normalização plena das relações

Lusa
Lusa
Os dois países não têm relações diplomáticas devido à recusa da Turquia em reconhecer o genocídio de 1,5 milhões de arménios pelo Império Otomano em 1915.

A Arménia e a Turquia decidiram esta sexta-feira, no primeiro encontro entre emissários de ambos os países em mais de uma década, realizado em Moscovo, continuar a negociar “sem condições prévias” a normalização plena das relações bilaterais.

Em comunicados hoje divulgados, as duas partes referem que decorreu num ambiente “positivo e construtivo” a reunião entre os emissários arménio, o presidente do Parlamento da Arménia Ruben Rubinian, e turco, o antigo embaixador da Turquia nos Estados Unidos Serdar Kilic.

Ambos os países esperam que as negociações contribuam para os esforços de paz para a região do Cáucaso e levem à reabertura da fronteira comum para incentivar o comércio e fortalecer as relações económicas.

Espera-se que os voos entre Erevan e Istambul possam ser retomados em fevereiro próximo.

Os dois países indicaram que a data e o local da segunda reunião “serão acordados por via diplomática” oportunamente.

A reunião, a primeira em quase 13 anos, depois do fracasso da tentativa de reaproximação das partes em 2009, aconteceu no Ministério dos Negócios Estrangeiros russo e durou cerca de uma hora e meia.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, saudou a reunião entre as partes desavindas e sublinhou, em conferência de imprensa, que o papel da Rússia “se limita a ajudar a estabelecer um contacto direto" entre Erevan e Ancara.

Quinta-feira, a Arménia mostrou-se otimista com o encontro com a Turquia, mas pediu para não se esperarem grandes avanços do primeiro “contacto”.

Erevan e Ancara não têm relações diplomáticas devido à recusa da Turquia (o primeiro país a aceitar uma Arménia independente após o colapso da extinta União Soviética, em 1991) em reconhecer o genocídio de 1,5 milhões de arménios pelo Império Otomano em 1915.

Em 1993, devido à falta de uma solução no conflito em Nagorno-Karabakh, a Turquia decidiu fechar unilateralmente a fronteira com a Arménia, em solidariedade com o Azerbaijão, então derrotado na guerra pelo controlo do território que eclodiu com a queda da URSS.

Em meados de 2021, um ano após o Azerbaijão sair vencedor no conflito de seis semanas em Nagorno-Karabakh com ajuda turca, Ancara anunciou que daria os primeiros passos para normalizar as relações com a Arménia, como a nomeação de representantes oficiais e o restabelecimento de voos diretos.

No dia seguinte, a Arménia manifestou disposição em normalizar as relações com a Turquia sem condições prévias, decisão que nem todos no países aceitam e que também gerou muitas dúvidas entre os representantes da grande diáspora arménia.

No final de 2021, e como demonstração de boa vontade antes do início do processo de reaproximação, a Arménia também levantou o embargo aos produtos da Turquia que havia imposto em 2020.

De modo geral, os historiadores reconhecem o genocídio arménio pelo Império Otomano em 1915, mas tal é rejeitado pela Turquia que insiste que o número de mortos é inflacionado e que as mortes resultaram de distúrbios civis.

Em 2020, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reconheceu formalmente a existência de um genocídio, juntando-se a vários outros países.

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