Escolha as suas informações

Arábia Saudita: ataque com drones afeta metade da produção de petróleo
Mundo 2 min. 15.09.2019

Arábia Saudita: ataque com drones afeta metade da produção de petróleo

Arábia Saudita: ataque com drones afeta metade da produção de petróleo

Foto: AFP
Mundo 2 min. 15.09.2019

Arábia Saudita: ataque com drones afeta metade da produção de petróleo

Um ataque com drones reivindicado pelos rebeldes iemenitas huthis terá afetado metade da produção do reino saudita que é atualmente o maior exportador mundial de petróleo.

Um ataque com drones já reivindicado pelos rebeldes iemenitas huthis provocou no sábado incêndios em duas instalações petrolíferas no leste da Arábia Saudita. Trata-se já do terceiro ataque em cinco meses contra duas instalações. Riad, que respondeu com bombardeamentos a alvos do grupo, anunciou que as chamas tinham sido controladas, mas fontes do setor temem que a produção seja interrompida. 

Além das perdas materiais, o terceiro ataque deste tipo nos últimos cinco meses expôs a vulnerabilidade da infraestrutura de energia do maior exportador mundial de petróleo ante a crescente sofisticação da resistência iemenita. A rede de TV Al Masirah, sob controlo dos huthis, anunciou uma “operação de envergadura contra refinarias em Abqaiq e Khurais”. A petroleira saudita Aramco tem em Abqaiq, 60 quilómetros a sudoeste de Dhahran, onde fica a sede da empresa, a maior central de processamento de petróleo do mundo. Por lá passam dois terços dos 10 milhões de barris produzidos por dia. Khurais, 200 quilómetros mais a oeste, é o segundo maior campo de petróleo dessa empresa estatal, que se encontra de momento a desenvolver planos para a sua cotação em bolsa.

Embora as forças de segurança tenham fechado rapidamente o acesso às duas instalações, as redes sociais encheram-se de fotos em que se viam primeiro as chamas, depois um denso fumo preto, que podem ser observadas nas imagens de satélite difundidas pelas agências de notícias. “Os dois incêndios foram controlados”, afirmou horas mais tarde um comunicado do Ministério saudita do Interior. O texto não especifica a origem dos drones nem se houve vítimas e tampouco diz se as operações foram prejudicadas. 

A TV saudita informou que as exportações não foram suspendidas, mas fontes do setor petrolífero citadas pelas agências Bloomberg e Reuters dizem que o ataque afetou metade da produção do reino, atualmente na faixa dos 10 milhões de barris diários. A Aramco não se pronunciou sobre os ataques. A Arábia Saudita fornece 10% de todo o petróleo consumido no mundo, o que a torna no principal exportador. 

As instalações bombardeadas ficam a mais de mil quilómetros da região do noroeste do Iémen sob controle dos huthis, o que significa um salto importante na capacidade da resistência, acusada pela Arábia Saudita de ser um instrumento do Irão. Os ataques com drones nunca tinham conseguido chegar tão longe. 

Os rebeldes dizem agir em resposta aos bombardeios aéreos da coligação militar liderada pela Arábia Saudita, que desde 2015 tenta desalojar a resistência de Sanaa, capital do Iêmen. A intervenção transformou a guerra civil iemenita num conflito regional, alimentado pela rivalidade entre Riad e Teerão. Enquanto isso, os ataques sauditas afundaram o Iémen na maior crise humanitária do mundo, segundo a ONU. 

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas

“Não vai faltar petróleo no mercado”
Após o corte na produção de petróleo na Arábia Saudita, não vai haver "nenhuma tragédia em termos de subida do preço dos combustíveis”, afirma o secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro).