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Apesar dos quase 40 mil infetados, a Alemanha mantém a taxa de mortalidade "controlada"
Mundo 3 min. 26.03.2020

Apesar dos quase 40 mil infetados, a Alemanha mantém a taxa de mortalidade "controlada"

Apesar dos quase 40 mil infetados, a Alemanha mantém a taxa de mortalidade "controlada"

Carsten Koall/dpa
Mundo 3 min. 26.03.2020

Apesar dos quase 40 mil infetados, a Alemanha mantém a taxa de mortalidade "controlada"

O "fenómeno" é associado ao número de camas em cuidados intensivos por habitante e à política de testar pessoas com ou sem sintomas da doença. Com mais infetados que França ou o Irão, a Alemanha tem menos mortes associadas ao novo coronavírus.

Depois da China, Itália, Estados Unidos e Espanha, a Alemanha é o quinto país com mais casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus do mundo. São 39.502 concentrados essencialmente nas regiões da Baviera, Renânia do Norte-Vestefália e Bade-Vurtemberga. Apesar do panorâma trágico, o país do centro da Europa continua a manter uma taxa de mortalidade baixa em comparação com o panorama global. 

Só nas últimas 24 horas, 44 pessoas morreram vítimas de doenças associadas ao vírus que provoca infeções respiratórias, elevando para 198 o número total de mortos no país. No Irão, em França, na Suiça e no Reino Unido o balanço é indiferente. Apesar destes países registarem um número de infetados significativamente menor, o número de mortos é muito superior. Com 29.406 casos confirmados, o Irão conta 2.234 mortes. Seguem-se França com 25.604 testes positivos e 1.333 funerais e a Suiça com cerca de 11 mil casos e 172 óbitos. 

No Reino Unido, com cerca de menos 20 mil casos diagnosticados, já morreram perto de 500 pessoas. Os número oficiais falam em 467 mortos num universo de 9.642 testes positivos. Mais próximos, tanto a Holanda como a Bélgica identificaram cerca de seis mil casos. Amsterdão lamenta 435 mortos, Bruxelas outras 220. 

Mais camas, mais testes

Logo nos primeiros dias de março, Angela Merkel admitiu que 80% da população pudesse contrair o vírus. Além das medidas restritivas que impedem encontros públicos entre duas pessoas, o governo optou por realizar o maior número de testes de diagnósticos possível para controlar a pandemia. 

Apesar dos relatos de pessoas com sintomas que dizem não terem sido testadas, o país começou a testar cedo e em grande quantidade. Por semana, a Alemanha está a fazer 160 mil. Mesmo a Coreia do Sul que, adoptou a estratégia semanas antes e tem sido apontada como exemplo a seguir, faz menos 60 mil. A lógica é que se há mais testes, há mais tempo para combater a infeção. Quanto mais testes se fazem, mais infeções se detetam, numa altura em que vários países, incluindo o Luxemburgo e Portugal, estão a optar por testar apenas quem apresente sintomas. 

O número de camas dedicadas a cuidados intensivos dos hospitais alemães também ajuda a explicar a excepção. Muito acima da média Europeia, a Alemanha tem 30 mil camas por cem mil habitantes, num total de 28 mil dedicada apenas a casos severos. 

Factor apoio às famílias

Entre os milhares de mortos em Itália, grande parte são idosos. De resto, depois do Japão, o país é um dos mais envelhecidos do mundo. Seguem-se a Alemanha e Portugal, com o país do centro da Europa a destacar-se pelos apoios à natalidade que, com licenças que podem ir até aos três anos, permite retirar os avós da equação da organização familiar. 

Ao contrário do que aconteceu em Itália com o encerramento das escolas, os mais velhos não se viram obrigados a interferir na rotina diária das famílias. Estima-se que o contacto frequente entre as crianças e os idosos aumente o risco de transmissão mesmo que não se manifestem quaisquer sintomas. Na Alemanha a questão nem sequer se coloca.

Apesar da resposta eficaz do sistema de saúde, a ordem é manter o isolamento social e as medidas impostas para conter a propagação da Covid-19. Os especialistas reforçam que não há balanços positivos enquanto continuarem a morrer pessoas e reforçam os apelos à responsabilidade da população. 



 

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