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"Apaga as sirenes ou disparo". Máfia ameaça ambulâncias em Nápoles
Mundo 2 min. 04.02.2021

"Apaga as sirenes ou disparo". Máfia ameaça ambulâncias em Nápoles

"Apaga as sirenes ou disparo". Máfia ameaça ambulâncias em Nápoles

Mundo 2 min. 04.02.2021

"Apaga as sirenes ou disparo". Máfia ameaça ambulâncias em Nápoles

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
O insólito aconteceu na maior cidade do Sul de Itália onde a camorra napolitana proibiu o uso de sirenes, uma vez que a marcha de emergência assusta os traficantes que confundem as ambulâncias com a polícia.

Em muitas cidades europeias, o trânsito de ambulâncias em marcha de emergência tornou-se um hábito em períodos de vagas da pandemia de covid-19. Em Nápoles, uma cidade com uma área metropolitana de mais de 4 milhões de habitantes, os condutores de ambulâncias exigem proteção policial porque temem pela vida. Os membros da camorra proibiram-nos de usar sirenes e luzes intermitentes porque interrompem os negócios ilegais e assustam os traficantes de droga, que podem confundir a chegada dos médicos com a da polícia e ficar sem clientes.

A última advertência da máfia local teve lugar no sábado à noite, quando uma ambulância que atravessava o Quarteri Spagnoli foi subitamente ladeada por dois homens em motos que bateram à janela do veículo. "Ainda não percebeste que não é suposto usar sirenes aqui? Desliga-as ou disparo", ameaçou um dos elementos camorra.

O condutor deu o alerta às autoridades, enquanto toda a equipa médica se tornou "refém do bairro, incapaz de se mexer" porque a máfia vigiava a zona sem parar. Esta denúncia foi feita no Facebook pelo grupo Nessuno Tocchi Ippocrate [Ninguém toca em Hipócrates], que luta contra a violência sobre os profissionais da saúde. Quando a polícia finalmente chegou, a equipa da ambulância foi escoltada e pôde finalmente sair do bairro.

A camorra proibiu os médicos de utilizar sirenes também noutros bairros de Nápoles como Sanità e Traiano. O deputado Alessandro Amitrano do Movimento 5 Estrelas chamou à máfia um "flagelo que põe seriamente em perigo o futuro da cidade" e disse que a denúncia de Nessuno Tocchi Ippocrate é um testemunho dramático de que "a luta contra a camorra deve ser considerada uma prioridade nacional absoluta", cita o La Repubblica.

A agressão contra os trabalhadores da saúde em Nápoles nem sempre provém da máfia. Muitas vezes são os próprios familiares dos pacientes que atacam as ambulâncias. A mesma viatura que foi atacada pela Camorra no sábado já tinha sido atacada na terça-feira anterior por familiares de um homem de 71 anos que morreu de paragem cardíaca antes da chegada dos médicos. A equipa médica foi recebida com agressões físicas e verbais e um dos agressores abriu a porta da ambulância com um isqueiro na mão, ameaçando atear fogo ao veículo.

Foi um gesto altamente perigoso, já que havia oxigénio na ambulância que poderia ter explodido se tivesse entrado em contacto com a chama, afirmaram os porta-vozes da Nessuno Tocchi Ippocrate. 

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